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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De olho no futuro: a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 4th CNCTI - National Conference on Science, Technology and Innovation for a Sustainable Development - was held on May 26-28, 2010. Preceded with regional, state-wide and city-wide conferences, and of seminars which deepened some of the major themes covered by the Conference, it gathe-red thousands of people. The Blue Book of the 4th CNCTI followed by a volume containing the recommendations from the regional and state-wide conferences, sums up the main proposals for the next decade. This article highlights the main challenges debated at the Conference and the agenda for the future which resulted from those debates.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>De olho no futuro: a 4ª Confer&ecirc;ncia Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia    e Inova&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Luiz Davidovich</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Secret&aacute;rio-geral    da 4ª Confer&ecirc;ncia Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o    para um Desenvolvimento Sustent&aacute;vel</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A 4ª Confer&ecirc;ncia    Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o para um Desenvolvimento    Sustent&aacute;vel foi realizada no per&iacute;odo de 26 a 28 de maio de 2010.    Precedida de confer&ecirc;ncias regionais, estaduais e municipais, e de semin&aacute;rios    que aprofundaram alguns dos grandes temas abordados pela Confer&ecirc;ncia,    mobilizou milhares de pessoas. <i>O Livro Azul</i> da 4ª CNCTI, acompanhado    de um volume que cont&eacute;m as recomenda&ccedil;&otilde;es das confer&ecirc;ncias    regionais e estaduais, resume as principais propostas para a pr&oacute;xima    d&eacute;cada. Este artigo destaca os grandes desafios debatidos na Confer&ecirc;ncia    e a agenda para o futuro que resultou desses debates.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    desenvolvimento sustent&aacute;vel, pol&iacute;tica de Estado, regi&atilde;o    amaz&ocirc;nica.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The 4<sup>th</sup>    CNCTI - National Conference on Science, Technology and Innovation for a Sustainable    Development - was held on May 26-28, 2010. Preceded with regional, state-wide    and city-wide conferences, and of seminars which deepened some of the major    themes covered by the Conference, it gathe-red thousands of people. The Blue    Book of the 4<sup>th</sup> CNCTI followed by a volume containing the recommendations    from the regional and state-wide conferences, sums up the main proposals for    the next decade. This article highlights the main challenges debated at the    Conference and the agenda for the future which resulted from those debates.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    sustainable development, state policy, Amazon region.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; dif&iacute;cil    imaginar tr&ecirc;s palavras mais associadas ao futuro do que ci&ecirc;ncia,    tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Por isso mesmo, a 4ª Confer&ecirc;ncia    Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o para um Desenvolvimento    Sustent&aacute;vel (4ª CNCTI) olhou para o futuro, visando uma pol&iacute;tica    de Estado para a pr&oacute;xima d&eacute;cada, um projeto de desenvolvimento    sustent&aacute;vel nos &acirc;mbitos da natureza e da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A confer&ecirc;ncia    n&atilde;o se resumiu ao per&iacute;odo de 26 a 28 de maio, quando quatro mil    pessoas acompanharam presencialmente os debates em Bras&iacute;lia, acessados,    al&eacute;m disso, em tempo real, por mais de quarenta mil internautas. Foram    meses de intensa participa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios setores da sociedade    brasileira, atrav&eacute;s de semin&aacute;rios preparat&oacute;rios, reuni&otilde;es    regionais, estaduais e municipais, encontros com segmentos empresariais e governamentais,    com entidades representativas da comunidade acad&ecirc;mica, com movimentos    sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E a mobiliza&ccedil;&atilde;o    continuou ap&oacute;s o evento em Bras&iacute;lia. Os relatores das diversas    sess&otilde;es da Confer&ecirc;ncia Nacional participaram de uma reuni&atilde;o    para levantamento das propostas, e consultas sobre textos preliminares dos documentos    da 4ª CNCTI - o <i>Livro Azul</i>, que sintetiza os grandes temas debatidos,    e a <i>Consolida&ccedil;&atilde;o das Propostas das Confer&ecirc;ncias Nacional,    Regionais, Estaduais e do F&oacute;rum Municipal de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia</i>    - foram feitas junto ao Conselho Consultivo e &agrave; Comiss&atilde;o Organizadora    da Confer&ecirc;ncia (que re&uacute;ne 41 entidades). Os documentos resultantes    foram submetidos a uma consulta p&uacute;blica atrav&eacute;s da Internet e    de um suplemento especial da <i>Folha Dirigida</i>, em uma edi&ccedil;&atilde;o    com 300 mil exemplares, distribu&iacute;da em todo o territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira confer&ecirc;ncia    dessa s&eacute;rie, ocorrida em 1985, teve um papel estruturante do sistema    nacional de ci&ecirc;ncia e tecnologia: nela foram debatidas n&atilde;o apenas    estrat&eacute;gias para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico    do pa&iacute;s, mas tamb&eacute;m a estrutura das ag&ecirc;ncias de financiamento.    Ela foi seguida por duas outras confer&ecirc;ncias, a de 2001, que consolidou    a iniciativa de fundos setoriais introduzida em 1999, e a de 2005, cujos resultados    influenciaram o Plano de A&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o    para o per&iacute;odo 2007-10.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>4ª CNCTI: UMA    AGENDA DE LONGO PRAZO PARA O PA&Iacute;S</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A 4ª CNCTI prop&ocirc;s    como objetivo estrat&eacute;gico para o pa&iacute;s um desenvolvimento cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico inovador, calcado em uma pol&iacute;tica de redu&ccedil;&atilde;o    de desigualdades regionais e sociais, de explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel    das riquezas do territ&oacute;rio nacional e de fortalecimento da ind&uacute;stria,    agregando valor &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o    atrav&eacute;s da inova&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;ando o protagonismo    internacional em ci&ecirc;ncia e tecnologia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse objetivo pressup&otilde;e    a ado&ccedil;&atilde;o de uma agenda de longo prazo, claramente delineada pela    4ª CNCTI, que inclua: a consolida&ccedil;&atilde;o do Sistema Nacional de Ci&ecirc;ncia,    Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o, refor&ccedil;ando a coordena&ccedil;&atilde;o    entre os diversos setores envolvidos e revendo marcos legais que ainda prejudicam    a pesquisa e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico, nas empresas e nas institui&ccedil;&otilde;es    de ensino e pesquisa; o est&iacute;mulo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o nas    empresas, de modo que elas possam competir globalmente com produtos de alto    valor agregado; o apoio da ci&ecirc;ncia e da tecnologia para a inclus&atilde;o    social, incentivando a difus&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico e a    inova&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea; o uso sustent&aacute;vel dos biomas    nacionais, incluindo o mar e o oceano; um projeto de desenvolvimento para a    regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, que valorize a biodiversidade e impe&ccedil;a    a destrui&ccedil;&atilde;o da floresta; a realiza&ccedil;&atilde;o de projetos    de grande envergadura que promovam a autossufici&ecirc;n-cia nacional nas &aacute;reas    de energia, comunica&ccedil;&otilde;es e atividades espaciais; o dom&iacute;nio    das tecnologias de microeletr&ocirc;nica, de produ&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos,    de nanotecnologia, biotecnologia e de um conjunto de tecnologias verdes; a melhoria    da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis; o aumento    substancial na forma&ccedil;&atilde;o de profissionais qualificados nos n&iacute;veis    m&eacute;dio e superior; o aumento do n&uacute;mero de pesquisadores nas empresas,    nas universidades e institutos de pesquisa; a intensifica&ccedil;&atilde;o de    programas destinados a reduzir o desequil&iacute;brio regional nas atividades    de ci&ecirc;ncia e tecnologia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma agenda necess&aacute;ria    e ambiciosa, que ganha destaque no <i>Livro Azul</i>, lan&ccedil;ado em 27 de    dezembro de 2010, e que s&oacute; pode ser concretizada atrav&eacute;s de uma    pol&iacute;tica de Estado que garanta a continuidade de um projeto de desenvolvimento    sustent&aacute;vel ancorado na ci&ecirc;ncia, na tecnologia e na inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>BENEF&Iacute;CIOS    DE UMA POL&Iacute;TICA DE ESTADO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Brasil j&aacute;    experimentou os benef&iacute;cios de uma pol&iacute;tica de longo prazo, a de    forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos. Come&ccedil;ou tarde esse processo:    enquanto a Universidade de Bolonha foi fundada em 1088 e a de Harvard, em 1636,    as primeiras universidades brasileiras datam do s&eacute;culo XX. Com as proibi&ccedil;&otilde;es    de impress&atilde;o de livros (1747) e de estabelecimento de manufaturas (1785),    impostas por Portugal, apenas no alvorecer do s&eacute;culo XX foram fundados    os institutos Oswaldo Cruz e Butantan, bem como o Instituto Agron&ocirc;mico    de Campinas e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. E foi necess&aacute;rio    esperar at&eacute; 1951 para que fossem fundados o CNPq e a Capes. Mas essas    iniciativas, ainda que tardias, foram fundamentais para que, na d&eacute;cada    de 1970, pudesse existir uma Embrapa, para que a Petrobr&aacute;s pudesse usufruir    de engenheiros de v&aacute;rias especialidades, ge&oacute;logos, qu&iacute;micos,    f&iacute;sicos, matem&aacute;ticos, que ajudaram a estabelecer a sua lideran&ccedil;a    tecnol&oacute;gica internacional. Sem o Instituto Tecnol&oacute;gico da Aeron&aacute;utica,    fundado em 1950, n&atilde;o existiria a Embraer, que coloca avi&otilde;es como    itens importantes de nossa pauta de exporta&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram fundamentais    tamb&eacute;m, para o estabelecimento de uma pol&iacute;tica mais consistente    e duradoura para o setor, a cria&ccedil;&atilde;o da Financiadora de Estudos    e Projetos (Finep) em 1967, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico    e Tecnol&oacute;gico, em 1971, e do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia    (MCT), em 1985.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais recentemente,    instrumentos importantes e originais contribu&iacute;ram para um aumento dos    recursos para ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o e para o aprimoramento    do arcabou&ccedil;o institucional: fundos setoriais, criados em 1999, que constituem    hoje uma poderosa fonte de recursos para a pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica;    a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o, de 2004, e a Lei do Bem, de 2005, que propiciaram    incentivos ao processo de inova&ccedil;&atilde;o nas empresas e facilitaram    a colabora&ccedil;&atilde;o entre estas e pesquisadores em universidades e institutos    de pesquisa. Al&eacute;m disso, o Plano de A&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia,    Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (PACTI) para o per&iacute;odo 2007-10 incluiu    a inova&ccedil;&atilde;o como um dos eixos da pol&iacute;tica governamental.    Consistentemente com esse objetivo, a pol&iacute;tica industrial, lan&ccedil;ada    em 2008 com o nome de Pol&iacute;tica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), foi    voltada para investimentos em inova&ccedil;&atilde;o, complementando a Pol&iacute;tica    Industrial, Tecnol&oacute;gica e de Com&eacute;rcio Exterior (PICTE), lan&ccedil;ada    em 2004.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Atividades coordenadas    entre o MCT, o CNPq e as Funda&ccedil;&otilde;es de Amparo &agrave; Pesquisa,    como o Programa de N&uacute;cleos de Excel&ecirc;ncia (Pronex) e os Institutos    Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, fortaleceram o sistema estadual, um    fator importante para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No &acirc;mbito    da educa&ccedil;&atilde;o, expandiu-se o sistema federal, interiorizando as    universidades e criando uma rede de institutos federais de educa&ccedil;&atilde;o,    ci&ecirc;ncia e tecnologia (IFETs). Fortaleceu-se tamb&eacute;m a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    levando a uma produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica cujo fator de impacto    m&eacute;dio - definido em termos do n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es    por artigo - est&aacute; acima dos demais pa&iacute;ses do Bric (Brasil, R&uacute;ssia,    &Iacute;ndia e China). A atua&ccedil;&atilde;o da Capes na educa&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica, atrav&eacute;s do Programa Nacional de Forma&ccedil;&atilde;o    de Professores e de um sistema de bolsas para essa &aacute;rea, foi tamb&eacute;m    uma novidade importante, complementada pelo piso salarial nacional para professores    da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, proposto pelo MEC e aprovado pelo Congresso    Nacional em 2008.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas conquistas    t&ecirc;m contribu&iacute;do para colocar o pa&iacute;s em um novo patamar,    que desperta o interesse internacional e permite enxergar com mais clareza os    projetos e os desafios da pr&oacute;xima d&eacute;cada. Demonstram tamb&eacute;m    a import&acirc;ncia de pol&iacute;ticas consistentes e continuadas para o desenvolvimento    nacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos vislumbrar    agora institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa que estejam entre as melhores    do mundo, com a importa&ccedil;&atilde;o de c&eacute;rebros de outros pa&iacute;ses,    com empresas que possam competir globalmente com produtos de alto valor agregado,    com a aplica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e da tecnologia para o uso sustent&aacute;vel    de nossos biomas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Persistem no entanto    grandes desafios, o maior deles sendo a inclus&atilde;o social. Trata-se de    importar, para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s,    os milh&otilde;es de c&eacute;rebros desperdi&ccedil;ados nas comunidades dos    morros, dos mangues e da periferia das grandes cidades, de estimular os jovens    espalhados por esse imenso Brasil para que participem e sejam agentes desse    processo de desenvolvimento. Trata-se de usufruir plenamente da riqueza representada    pelo tamanho de nossa popula&ccedil;&atilde;o, por nossa extens&atilde;o territorial,    pela nossa diversidade regional e cultural. Essa &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o    <i>sine qua non</i> para um desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fruto de uma constru&ccedil;&atilde;o    coletiva e do entusiasmo de milhares de brasileiros, a 4ª CNTI foi um marco    importante para a afirma&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de Estado para    a ci&ecirc;ncia e a tecnologia no Brasil. No entanto, o impacto futuro da 4ª    CNTI e a influ&ecirc;ncia de suas propostas na consolida&ccedil;&atilde;o de    uma pol&iacute;tica de longo prazo depender&atilde;o, em grande medida, da continuidade    da grande articula&ccedil;&atilde;o motivada pela Confer&ecirc;ncia Nacional    e da possibilidade de sensibilizar a sociedade brasileira quanto &agrave; import&acirc;ncia    dos temas discutidos na confer&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo, baseado    no <i>Livro Azul</i>, procura sintetizar propostas da Confer&ecirc;ncia relativas    a alguns dos grandes temas nela abordados: a inova&ccedil;&atilde;o nas empresas,    as tecnologias estrat&eacute;gicas para o desenvolvimento nacional, a ci&ecirc;ncia    b&aacute;sica e a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, a consolida&ccedil;&atilde;o    do sistema nacional de CT&amp;I, os biomas nacionais, a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica,    o uso da CT&amp;I no desenvolvimento social, a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INOVA&Ccedil;&Atilde;O    NAS EMPRESAS:</b> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O    BRASIL DEVE AGREGAR VALOR &Agrave; SUA PRODU&Ccedil;&Atilde;O E &Agrave;S SUAS    EXPORTA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O percentual em    rela&ccedil;&atilde;o ao PIB de investimentos em P&amp;D no Brasil &eacute;    ainda reduzido, embora o gr&aacute;fico exibido na <a href="#f1">Figura 1</a>    mostre um aumento consistente desse percentual desde 2004, quando entraram em    vigor novos mecanismos de incentivo, como a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o e    a Lei do Bem. Chegamos a 1,24% do PIB em 2009. O percentual correspondente da    Coreia era de 3,37% em 2008; no mesmo ano, os Estados Unidos investiam 2,77%    de seu PIB em P&amp;D; o Jap&atilde;o, 3,42%, e a China, 1,54%.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/03f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O aumento desse    percentual requer o fortalecimento de P&amp;D nas empresas, e depende obviamente    da agenda macroecon&ocirc;mica, envolvendo a pol&iacute;tica industrial, mas    tamb&eacute;m o c&acirc;mbio e a taxa de juros real. A pol&iacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o    deve ser parte de robusta pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e industrial, que    busque mudar a estrutura industrial e abrigar mecanismos de apoio e fomento    &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, especialmente nas empresas nacionais. Alguns    aspectos merecem aten&ccedil;&atilde;o especial: a forma&ccedil;&atilde;o de    profissionais qualificados nos n&iacute;veis m&eacute;dio e superior, o desenvolvimento    do esp&iacute;rito empreendedor, o aprimoramento da gest&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o,    a intera&ccedil;&atilde;o das empresas com os resultados da pesquisa cient&iacute;fica    e tecnol&oacute;gica, a revis&atilde;o de marcos legais que dificultam a pesquisa    e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">V&aacute;rios &iacute;ndices    apontam as defici&ecirc;ncias ainda presentes, e os desafios a enfrentar nessa    &aacute;rea. Cerca de 39% dos pesquisadores em empresas na Coreia possuem mestrado    ou doutorado (6% doutorado e 33% mestrado). No Brasil, apenas 15%. Na China,    35% dos graduados s&atilde;o engenheiros, correspondendo a 600 mil engenheiros    por ano (o que, na China, inclui profissionais formados em cursos de dois a    tr&ecirc;s anos). Na Coreia do Sul, de 25 a 30%. No Brasil, apenas 6%, correspondendo    a 48 mil engenheiros por ano (dados de 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O pa&iacute;s precisa    de mais engenheiros para os grandes projetos que se anunciam, mas o n&uacute;mero    de formados &eacute; pequeno, h&aacute; um grande n&uacute;mero de vagas ociosas    e a evas&atilde;o nos cursos de engenharia &eacute; enorme (ver <a href="#f2">Figura    2</a> na pr&oacute;xima p&aacute;gina). N&atilde;o se trata portanto apenas    de aumentar as vagas para o setor, mas de reestruturar os cursos, de modo a    atrair bons alunos e transform&aacute;-los em profissionais com forma&ccedil;&atilde;o    ampla e s&oacute;lida, evitando-se a especializa&ccedil;&atilde;o prematura,    de modo que eles sejam capazes de responder &agrave;s diversificadas demandas    do mundo contempor&acirc;neo, em constante e r&aacute;pida muta&ccedil;&atilde;o.    Os programas devem ser reavaliados e enxugados: a carga hor&aacute;ria total    para formar um engenheiro no Brasil &eacute;, em m&eacute;dia, o dobro da carga    hor&aacute;ria no Massachusetts Institute of Technology, uma evid&ecirc;ncia    da sobrecarga de aulas nos cursos oferecidos no Brasil.</font></p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/03f02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre as propostas    apresentadas na 4ª CNCTI, destacam-se:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Reexaminar    a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica    e as contradi&ccedil;&otilde;es legais existentes, gerando subs&iacute;dios    para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o dos marcos legais na &aacute;rea de CT&amp;I,    tanto para os segmentos p&uacute;blicos como para os privados, de modo que os    &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o governamentais e ag&ecirc;ncias    de fomento atuem de forma alinhada com a pol&iacute;tica nacional na &aacute;rea    de CT&amp;I.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Fomentar    maior protagonismo privado no processo de inova&ccedil;&atilde;o e nas discuss&otilde;es    relativas &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &aacute;rea; estabelecer    novas linhas de fomento, com crit&eacute;rios mais abrangentes de inova&ccedil;&atilde;o    (inova&ccedil;&atilde;o em <i>marketing</i>, em servi&ccedil;os, em modelos    e gest&atilde;o de neg&oacute;cios, plantas piloto, plantas industriais pr&eacute;-competitivas,    etc.).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estimular    estados e munic&iacute;pios a criar condi&ccedil;&otilde;es locais favor&aacute;veis    para inova&ccedil;&atilde;o por meio de incentivos tais como desonera&ccedil;&atilde;o    fiscal, tribut&aacute;ria, impostos territoriais, impostos de servi&ccedil;o,    demais tributos municipais e cess&atilde;o de &aacute;reas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Utilizar    o poder de compra do Estado, de modo a aumentar a demanda por inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Criar institutos    tecnol&oacute;gicos que sejam interfaces entre universidades e empresas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Promover    ambientes de inova&ccedil;&atilde;o atuando em redes, com destaque para parques    cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos de classe mundial, atraindo investimentos    privados nacionais e internacionais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Incrementar    mecanismos de apoio &agrave;s pequenas e m&eacute;dias empresas: em particular,    fomentar programas de a&ccedil;&atilde;o integrada entre empresas-&acirc;ncora    e suas cadeias produtivas, fortalecendo programas de extensionismo tecnol&oacute;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecer    uma pr&aacute;tica de negocia&ccedil;&atilde;o com empresas nacionais e multinacionais    envolvendo a cria&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rios de P&amp;D.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Dar tratamento    especial &agrave;s regi&otilde;es menos desenvolvidas do pa&iacute;s, com foco    na redu&ccedil;&atilde;o das assimetrias intra e inter-regionais, tanto no est&iacute;mulo    &agrave;s empresas como no desenvolvimento de compet&ecirc;ncias para a produ&ccedil;&atilde;o    e difus&atilde;o de conhecimentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Ampliar    o investimento nacional em P&amp;D e inova&ccedil;&atilde;o para a faixa de    2 a 2,5% do PIB em 2020.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>TECNOLOGIAS    ESTRAT&Eacute;GICAS PARA O DESENVOLVIMENTO NACIONAL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como consequ&ecirc;ncia    natural do aumento da popula&ccedil;&atilde;o mundial e do desejo de uma grande    parcela dessa popula&ccedil;&atilde;o de melhorar o padr&atilde;o de vida, pode-se    prever um crescimento da produ&ccedil;&atilde;o industrial, a expans&atilde;o    da agricultura, o aumento da demanda por &aacute;gua, energia e mat&eacute;ria-prima,    al&eacute;m de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o crescente, em parte n&atilde;o    planejada, implicando uma grande press&atilde;o sobre a capacidade ambiental    de cada regi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse cen&aacute;rio,    o Brasil tem uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada: possui uma das matrizes    energ&eacute;ticas mais limpas do mundo, vantagens comparativas quanto a fontes    alternativas, vastas extens&otilde;es territoriais para a agricultura, e recursos    naturais importantes, que oferecem uma oportunidade &iacute;mpar para uma utiliza&ccedil;&atilde;o    sustent&aacute;vel, como a Amaz&ocirc;nia e o mar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A 4ª CNCTI enfatizou    a import&acirc;ncia da contribui&ccedil;&atilde;o de diversas &aacute;reas da    CT&amp;I para a constru&ccedil;&atilde;o de um novo padr&atilde;o de desenvolvimento    sustent&aacute;vel, que compatibilize o progresso material da maioria da popula&ccedil;&atilde;o    com o uso racional dos recursos naturais e a preserva&ccedil;&atilde;o do meio    ambiente. Receberam destaque especial a agricultura, a bioenergia, as tecnologias    da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, a explora&ccedil;&atilde;o    das reservas de petr&oacute;leo e g&aacute;s do Pr&eacute;-Sal, a tecnologia    nuclear, as atividades espaciais, e outras tecnologias portadoras de futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre as recomenda&ccedil;&otilde;es    apresentadas, destacam-se:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Fortalecer    o Sistema Nacional de Pes-quisa Agropecu&aacute;ria e as pol&iacute;ticas de    CT&amp;I e agr&iacute;cola com vistas a avan&ccedil;ar na sustentabilidade da    agricultura brasileira, desenvolvendo, aperfei&ccedil;oando e difundindo de    forma ampla tecnologias eficientes de produ&ccedil;&atilde;o que conservem o    solo, usem de forma eficiente a &aacute;gua, sejam compat&iacute;veis com a    preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e da biodiversidade, e que permitam    o aumento da produ&ccedil;&atilde;o sem expans&atilde;o significativa da &aacute;rea    ocupada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Consolidar    a lideran&ccedil;a mundial do pa&iacute;s na &aacute;rea de biocombust&iacute;veis    durante a pr&oacute;xima d&eacute;cada, adotando para isso - em estreita articula&ccedil;&atilde;o    com o setor empresarial nacional - um vigoroso programa de pesquisa, desenvolvimento,    inova&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de tecnologias voltado para a produ&ccedil;&atilde;o    e o uso de bioenergias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Ampliar    de forma significativa os esfor&ccedil;os que v&ecirc;m sendo realizados na    &aacute;rea das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o    (TIC), fortalecendo a pesquisa e o desenvolvimento e a forma&ccedil;&atilde;o    de recursos humanos nessa &aacute;rea, integrando o pa&iacute;s com uma infraestrutura    de comunica&ccedil;&otilde;es de alta velocidade, e avan&ccedil;ando no processo    de universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; Internet.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Avan&ccedil;ar    na abordagem sist&ecirc;mica da &aacute;rea de sa&uacute;de, articulando a pol&iacute;tica    de CT&amp;I com a de sa&uacute;de propriamente dita e com a pol&iacute;tica    industrial. Em particular, utilizar o poder de compra do Estado para maximizar    seus resultados no m&eacute;dio e longo prazo e n&atilde;o simplesmente para    minimizar os custos imediatos; aperfei&ccedil;oar e compatibilizar os regimes    normativos da &aacute;rea (especialmente a vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria,    o acesso &agrave; biodiversidade e o interc&acirc;mbio de material biol&oacute;gico)    e fortalecer a capacidade de realiza&ccedil;&atilde;o de testes cl&iacute;nicos    no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Associar    &agrave; explora&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;-Sal o fortalecimento da cadeia    de fornecedores locais, a consolida&ccedil;&atilde;o de empresas brasileiras    como competidores globais, a agrega&ccedil;&atilde;o de valor aos seus produtos    e a gera&ccedil;&atilde;o de empregos qualificados no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Aperfei&ccedil;oar    e aumentar a escala dos atuais programas de promo&ccedil;&atilde;o de energias    fotovoltaica e e&oacute;lica, utiliza&ccedil;&atilde;o do hidrog&ecirc;nio em    c&eacute;lulas combust&iacute;veis e energia nuclear, fundamentais para que    o pa&iacute;s se torne um ator relevante nesses setores, que ser&atilde;o vitais    para a sociedade do futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Avan&ccedil;ar    na consolida&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio do ciclo completo do combust&iacute;vel    nuclear, aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de radiof&aacute;rmacos, desenvolver    aplica&ccedil;&otilde;es nucleares na &aacute;rea de propuls&atilde;o e capacitar    o pa&iacute;s na constru&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o de dep&oacute;sitos    de rejeitos radioativos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &aacute;rea    espacial, desenvolver a capacidade nacional de projetar, fabricar, lan&ccedil;ar    e operar sat&eacute;lites.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>MOMENTO HIST&Oacute;RICO    PARA O AVAN&Ccedil;O DA CI&Ecirc;NCIA BRASILEIRA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O avan&ccedil;o    da ci&ecirc;ncia no Brasil tem sido not&aacute;vel nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,    tanto qualitativa como quantitativamente. O crescimento do n&uacute;mero de    artigos publicados em revistas indexadas tem estado muito acima da m&eacute;dia    mundial, o que levou o Brasil a ocupar o 13º lugar mundialmente, atingindo,    em 2009, 2,69% da produ&ccedil;&atilde;o mundial. Em termos de impacto relativo    m&eacute;dio das publica&ccedil;&otilde;es do Brasil em cada &aacute;rea de    conhecimento, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s respectivas m&eacute;dias mundiais,    o pa&iacute;s estava em 2009 &agrave; frente dos demais pa&iacuteses do chamado    grupo Bric (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia e China), mas bastante amea&ccedil;ado    pela China e pela &Iacute;ndia (ver <a href="#f3">Figura 3</a>).</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/03f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fortalece-se tamb&eacute;m    a presen&ccedil;a internacional da ci&ecirc;ncia brasileira, atrav&eacute;s    da participa&ccedil;&atilde;o em influentes f&oacute;runs internacionais, como    o Grupo G8+5 de Academias de Ci&ecirc;ncia, atrav&eacute;s de um n&uacute;mero    crescente de colabora&ccedil;&otilde;es internacionais, e da forte presen&ccedil;a    no exterior de empresas e institui&ccedil;&otilde;es brasileiras como a Embrapa,    a Petrobras e a Fiocruz.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar desses sucessos,    o pa&iacute;s tem ainda grandes desafios a enfrentar. O n&uacute;mero de doutores    por 100 mil habitantes (4,6) &eacute; ainda 1/3 do n&uacute;mero correspondente    na Coreia e, como mencionado anteriormente, &eacute; modesto o investimento    em P&amp;D nas empresas. As institui&ccedil;&otilde;es de ensino e pesquisa    nacionais aparecem apenas marginalmente nas listas de melhores do mundo. O interc&acirc;mbio    internacional precisa ser incrementado para que passemos a um novo patamar,    substituindo o <i>brain drain</i> pelo <i>brain gain</i>. A educa&ccedil;&atilde;o    superior precisa ser reestruturada, adaptando-se &agrave;s exig&ecirc;ncias    do mundo contempor&acirc;neo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tomando como marco    temporal o ano de 2020, &eacute; preciso alcan&ccedil;ar avan&ccedil;os significativos    na titula&ccedil;&atilde;o anual de mestres e doutores, com a devida prioridade    na concess&atilde;o de bolsas de estudos nas &aacute;reas consideradas mais    estrat&eacute;gicas e/ou carentes no pa&iacute;s, como, por exemplo, engenharias,    oceanografia, biologia marinha e matem&aacute;tica; no contingente de pesquisadores    e t&eacute;cnicos da &aacute;rea de CT&amp;I no pa&iacute;s, inclusive investimentos    no treinamento de analistas e t&eacute;cnicos de laborat&oacute;rios; na produ&ccedil;&atilde;o    de trabalhos cient&iacute;ficos em revistas qualificadas; em investimentos nas    atividades de coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional; em investimentos    em infraestrutura, com a expans&atilde;o do sistema universit&aacute;rio, institutos    de pesquisa e laborat&oacute;rios, inclusive de grande porte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m dessas,    destacam-se ainda como recomenda&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Aperfei&ccedil;oar    os mecanismos de absor&ccedil;&atilde;o de cientistas estrangeiros qualificados.    Em particular, os concursos para professores e pesquisadores de universidades    e institutos de pesquisa devem ter car&aacute;ter mundial, admitindo-se o uso    de l&iacute;ngua estrangeira de uso bastante universal, como o ingl&ecirc;s,    desde que os participantes se comprometam a aprender a l&iacute;ngua portuguesa    em at&eacute; dois anos ap&oacute;s o concurso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Promover    a autonomia das institui&ccedil;&otilde;es de excel&ecirc;ncia de C&amp;T na    constitui&ccedil;&atilde;o de seus quadros de pesquisadores e t&eacute;cnicos,    valorizando a ci&ecirc;ncia fundamental nelas desenvolvida e provendo-as de    adequado apoio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Aperfei&ccedil;oar    mecanismos de forma&ccedil;&atilde;o e fixa&ccedil;&atilde;o de cientistas nas    regi&otilde;es do pa&iacute;s que mais carecem de s&oacute;lida compet&ecirc;ncia    em ci&ecirc;ncia e tecnologia, provendo a infraestrutura necess&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Promover    programa especial, em bases competitivas, para apoiar planos de excel&ecirc;ncia    das institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e universidades com o objetivo de    situ&aacute;-las entre as melhores do mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Promover    modalidades de apoio a pesquisas com dura&ccedil;&atilde;o de at&eacute; cinco    anos para projetos de natureza mais ousada e/ou abrangente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INSTITUCIONALIDADE:    CONSOLIDA&Ccedil;&Atilde;O DO SISTEMA NACIONAL DE CI&Ecirc;NCIA, TECNOLOGIA    E INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na 4ª CNCTI, foi    ressaltada a necessidade de mudan&ccedil;as institucionais, de modo a remover    obst&aacute;culos ao desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gicos    do pa&iacute;s e tornar mais eficiente e coordenada a a&ccedil;&atilde;o dos    v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os governamentais envolvidos nesse tema.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A moderniza&ccedil;&atilde;o    da estrutura e dos programas e a flexibiliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o    das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior e pesquisa, bem como o aumento    da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, foram considerados fundamentais para uma    mudan&ccedil;a de patamar no desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico,    destacando-se as seguintes recomenda&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Adequar    os marcos regulat&oacute;rios que impactam a atividade de pesquisa e desenvolvimento,    como a importa&ccedil;&atilde;o de equipamentos, materiais e insumos, a contrata&ccedil;&atilde;o    de pessoal, inclusive de estrangeiros, as compras e as aquisi&ccedil;&otilde;es    de bens e servi&ccedil;os, o conhecimento e uso dos recursos da biodiversidade    brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Cria&ccedil;&atilde;o    de um regime jur&iacute;dico especial para compras e contrata&ccedil;&otilde;es    para as institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas    (ICTs) e ag&ecirc;ncias de fomento, excepcionando-as do regime jur&iacute;dico    da Lei 8.666/93.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Altera&ccedil;&atilde;o    das normas para aquisi&ccedil;&otilde;es de bens e servi&ccedil;os por parte    das funda&ccedil;&otilde;es que prestam apoio &agrave;s ICTs.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Aprimoramento    e complementa&ccedil;&atilde;o do marco legal regulat&oacute;rio que preside    a constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico-privada,    a redu&ccedil;&atilde;o do risco tecnol&oacute;gico, a gest&atilde;o da propriedade    intelectual e a interpreta&ccedil;&atilde;o das normas pelos &oacute;rg&atilde;os    controladores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe destaque especial    ao Conselho Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (CCT), um dos poucos conselhos    presididos diretamente pelo presidente da Rep&uacute;blica, e que poderia ter    uma fun&ccedil;&atilde;o de Estado. Para cumprir de forma adequada sua miss&atilde;o    e desempenhar com efici&ecirc;ncia papel de articula&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m    de atuar como instrumento de coordena&ccedil;&atilde;o central do sistema nacional    de CT&amp;I, o CCT carece de aprimoramento em sua estrutura e funcionalidade.    Os principais desafios consistiriam em melhorar a representatividade dos diferentes    atores no conselho, na capacidade de gerar novas ideias e no poder real de influenciar    as pol&iacute;ticas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>OS GRANDES DESAFIOS    E A AGENDA DO FUTURO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A redu&ccedil;&atilde;o    das desigualdades regionais e sociais, o uso sustent&aacute;vel dos biomas nacionais,    um "choque de intelig&ecirc;ncia" na Amaz&ocirc;nia, agregando valor &agrave;    biodiversidade e valorizando a "floresta em p&eacute;", a melhoria da qualidade    da educa&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis s&atilde;o os grandes desafios    apontados na 4ª CNCTI.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos grandes    desafios para o Brasil &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel    do patrim&ocirc;nio nacional constitu&iacute;do por sua biodiversidade. Maior    do planeta, a biodiversidade brasileira tem enorme valor estrat&eacute;gico    com import&acirc;ncia equivalente ao Pr&eacute;-Sal. E a CT&amp;I oferece meios    para a valoriza&ccedil;&atilde;o e a utiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o predat&oacute;ria    da natureza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfatizou-se, na    4ª CNCTI, a necessidade de atualizar o marco legal de acesso &agrave; biodiversidade.    Hoje, as dificuldades legais impedem o trabalho dos pesquisadores e das institui&ccedil;&otilde;es    nacionais. A limita&ccedil;&atilde;o no uso de material biol&oacute;gico bem    como a dificuldade de permuta de material gen&eacute;tico t&ecirc;m retardado    os projetos de pesquisa e acentuado a pirataria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    gra&ccedil;as em grande parte &agrave; pesquisa e desenvolvimento na &aacute;rea    de agricultura, o pa&iacute;s multiplicou por quatro o valor de suas exporta&ccedil;&otilde;es    agr&iacute;colas entre 2000 e 2008, j&aacute; &eacute; o terceiro maior exportador    de alimentos e pode alcan&ccedil;ar o segundo lugar nos pr&oacute;ximos dez    anos. &Eacute; tamb&eacute;m o segundo produtor e o maior exportador mundial    de etanol.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Projeta-se que    em duas d&eacute;cadas aproximadamente 60% do consumo de energia do pa&iacute;s    seja proveniente de fontes renov&aacute;veis, o que distinguir&aacute; o Brasil    de qualquer outra na&ccedil;&atilde;o, colocando-o em posi&ccedil;&atilde;o    de destaque do ponto de vista sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cumpre promover    tamb&eacute;m o uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais do mar. Trata-se    de uma extens&atilde;o atl&acirc;ntica que se projeta para al&eacute;m do litoral    e das ilhas oce&acirc;nicas, repleta de riquezas minerais e biol&oacute;gicas    espalhadas por mais de 4,5 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados, tamb&eacute;m    conhecida como "Amaz&ocirc;nia Azul". S&atilde;o quest&otilde;es importantes:    por que os ecossistemas marinhos est&atilde;o mudando? Em que escala precisamos    preservar a biodiversidade marinha?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre todas as    regi&otilde;es, a Amaz&ocirc;nia emergiu na 4ª CNCTI como o grande desafio,    um ponto central em uma agenda do futuro, pela sua extens&atilde;o territorial    (a Amaz&ocirc;nia legal corresponde a 59% do territ&oacute;rio nacional), pela    riqueza que encerra, e pelas repercuss&otilde;es internacionais. A agenda de    CT&amp;I para essa regi&atilde;o &eacute; diversificada e complexa, envolvendo    o aproveitamento sustent&aacute;vel dos recursos minerais e da biodiversidade,    o aproveitamento da &aacute;gua e sua conserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre as v&aacute;rias    recomenda&ccedil;&otilde;es para essa regi&atilde;o, destacam-se:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Criar uma    coordena&ccedil;&atilde;o supraministerial para articular institui&ccedil;&otilde;es    que lidam com biodiversidade, com inclus&atilde;o do Centro de Biotecnologia    da Amaz&ocirc;nia (CBA), para promover a produ&ccedil;&atilde;o de fitomedicamentos    e f&aacute;rmacos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecer    mecanismos que atraiam empresas de base tecnol&oacute;gica voltadas para a biodiversidade    com financiamentos diferenciados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Criar uma    plataforma tecnol&oacute;gica para uso, manejo e preserva&ccedil;&atilde;o da    &aacute;gua na Amaz&ocirc;nia brasileira e promover sua articula&ccedil;&atilde;o    no &acirc;mbito da Bacia Amaz&ocirc;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Desburocratizar    e facilitar o acesso dos pesquisadores brasileiros &agrave; pesquisa da biodiversidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecer    um programa de educa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, profissionalizante e universit&aacute;ria    articulado a empreendimentos dirigidos para o desenvolvimento econ&ocirc;mico    e humano da Regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Avan&ccedil;ar    no conhecimento cient&iacute;fico da Amaz&ocirc;nia, implicando pesquisas e    viabiliza&ccedil;&atilde;o de novas potencialidades regionais, tais como servi&ccedil;os    ambientais e energia solar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Aperfei&ccedil;oar    o programa aeroespacial brasileiro para monitoramento socioambiental da Amaz&ocirc;nia    com base em sat&eacute;lite nacional e compartilh&aacute;-lo com os demais pa&iacute;ses    amaz&ocirc;nicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CT&amp;I PARA    O DESENVOLVIMENTO SOCIAL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O uso da CT&amp;I    para o desenvolvimento social teve um espa&ccedil;o importante na 4ª CNCTI.    &Eacute; ainda um dos grandes desafios e um tema central na agenda de desenvolvimento    cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico. Nos &uacute;ltimos anos, avan&ccedil;ou-se    na populariza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e no apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o    social, mas h&aacute; ainda um complexo caminho a percorrer.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mercado n&atilde;o    &eacute; o &uacute;nico motor de inova&ccedil;&atilde;o. Muitas inova&ccedil;&otilde;es    que transformaram o mundo surgiram de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    ou de setores sem fins lucrativos; a Internet &eacute; um exemplo recente. No    Brasil, o desenvolvimento dessa &aacute;rea requer o apoio &agrave; pesquisa,    &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e ao uso de tecnologias sociais inovadoras,    inclusivas e participativas. Tamb&eacute;m &eacute; preciso que se introduza    a inova&ccedil;&atilde;o social no setor p&uacute;blico, em particular em modelos    de gest&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o, possibilitando al&eacute;m disso    a apropria&ccedil;&atilde;o da C&amp;T pelas comunidades locais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em particular,    a extens&atilde;o universit&aacute;ria &eacute; uma atividade essencial para    que a universidade forme n&atilde;o apenas profissionais qualificados e inovadores,    mas tamb&eacute;m cidad&atilde;os comprometidos com a sociedade em que vivem    e esclarecidos em rela&ccedil;&atilde;o a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que    cada vez mais envolvem complexas quest&otilde;es cient&iacute;ficas, como a    explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel da biodiversidade, as op&ccedil;&otilde;es    energ&eacute;ticas do pa&iacute;s, o uso de c&eacute;lulas-tronco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma ideia que teve    grande aceita&ccedil;&atilde;o &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo    setorial para atividades de inova&ccedil;&atilde;o social e tecnologia social,    com recursos do sistema financeiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As diversas recomenda&ccedil;&otilde;es    relativas ao desenvolvimento social detalham os seguintes grandes temas:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecimento    e execu&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Populariza&ccedil;&atilde;o    e Apropria&ccedil;&atilde;o Social da CT&amp;I 2011-2022, envolvendo universidades    e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, organismos governamentais e da sociedade    civil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Formula&ccedil;&atilde;o    e implanta&ccedil;&atilde;o de um Programa Nacional de Inova&ccedil;&atilde;o    e Tecnologia Social, com apoio a pesquisas e projetos, promovendo o envolvimento    da sociedade civil organizada na sua elabora&ccedil;&atilde;o, execu&ccedil;&atilde;o,    monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecimento    de pol&iacute;ticas e programas espec&iacute;ficos para a difus&atilde;o, apropria&ccedil;&atilde;o    e uso da CT&amp;I para o desenvolvimento local e regional e para estimular empreendimentos    solid&aacute;rios.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Estabelecimento    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de CT&amp;I voltadas para a democratiza&ccedil;&atilde;o    e a cidadania, com &ecirc;nfase em a&ccedil;&otilde;es para a inclus&atilde;o    digital.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Formula&ccedil;&atilde;o    e execu&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica e programas nacionais    para a recupera&ccedil;&atilde;o, preserva&ccedil;&atilde;o, valoriza&ccedil;&atilde;o    e acesso p&uacute;blico ao patrim&ocirc;nio cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico    e cultural brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O BRASIL PRECISA    DE UMA REVOLU&Ccedil;&Atilde;O NA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos meses que antecederam    a Confer&ecirc;ncia Nacional, e durante o per&iacute;odo de sua realiza&ccedil;&atilde;o,    nenhum tema foi t&atilde;o debatido pelos mais diversos setores da sociedade    quanto a necessidade imperiosa de melhorar a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse objetivo n&atilde;o    ser&aacute; alcan&ccedil;ado com melhorias incrementais: &eacute; necess&aacute;rio    uma pol&iacute;tica ousada, que envolva o pa&iacute;s como um todo, nos n&iacute;veis    federal, estadual e municipal, para atacar um problema agu&ccedil;ado por d&eacute;cadas    de neglig&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A baixa escolaridade    da popula&ccedil;&atilde;o brasileira constitui importante obst&aacute;culo    ao desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s. A    <a href="/img/revistas/rusp/n89/03f04.jpg">Figura 4</a> mostra, atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o entre duas faixas et&aacute;rias,    como a fra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com n&iacute;vel superior    aumentou muito pouco ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas se comparada    com a evolu&ccedil;&atilde;o de outros pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os grandes projetos    previstos para a pr&oacute;xima d&eacute;cada, nas &aacute;reas de petr&oacute;leo,    bioenergias, sa&uacute;de, tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o,    explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel dos biomas, entre outros, requerem    um grande n&uacute;mero de profissionais bem qualificados nos n&iacute;veis    t&eacute;cnico e superior. E a forma&ccedil;&atilde;o desse contingente pressup&otilde;e    uma educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de qualidade para todos os brasileiros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o obstante    o progresso da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no Brasil, gra&ccedil;as a    uma verdadeira pol&iacute;tica de Estado ao longo de d&eacute;cadas, a gradua&ccedil;&atilde;o    apresenta um perfil arcaico na maioria das universidades brasileiras, e &eacute;    dominada ainda por institui&ccedil;&otilde;es privadas de baixa qualidade. Experi&ecirc;ncias    recentes de moderniza&ccedil;&atilde;o, como a da Universidade Federal do ABC,    ajudam a mudar esse panorama, mas s&atilde;o ainda restritas a poucas institui&ccedil;&otilde;es.    E a diversifica&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior,    modelo bem-sucedido que, em outros pa&iacute;ses, ajudou a aumentar substancialmente    o n&uacute;mero de estudantes no n&iacute;vel superior, enfrenta ainda resist&ecirc;ncias    dentro da comunidade acad&ecirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas o grande desafio    est&aacute; no ensino b&aacute;sico, que demanda um projeto de grande envergadura,    tendo como ponto central a valoriza&ccedil;&atilde;o do professor desse n&iacute;vel    de ensino, com sal&aacute;rio inicial atraente, compar&aacute;vel ao de outras    profiss&otilde;es graduadas, e carreira motivadora, com oportunidades de forma&ccedil;&atilde;o    continuada e especializa&ccedil;&atilde;o. Em particular, o piso salarial nacional    deve ser progressivamente aumentado, de modo a atingir valores que atraiam bons    estudantes para essa profiss&atilde;o. A experi&ecirc;ncia de outros pa&iacute;ses    mostra que a valoriza&ccedil;&atilde;o do professor influencia rapidamente a    qualidade dos estudantes que decidem se dedicar a essa profiss&atilde;o. Na    Coreia, por exemplo, o vestibular para candidatos a professor de educa&ccedil;&atilde;o    fundamental &eacute; extremamente concorrido, com dez candidatos para cada vaga.    Os alunos selecionados est&atilde;o entre os 5% melhores estudantes do secund&aacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Prop&ocirc;s-se    ainda, no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, a implanta&ccedil;&atilde;o    do turno integral na escola p&uacute;blica, privilegiando n&atilde;o s&oacute;    a educa&ccedil;&atilde;o formal, mas tamb&eacute;m a socializa&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a, por meio de atividades de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica    e art&iacute;sticas, clubes de ci&ecirc;ncia e leitura. O turno escolar para    a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica deve ser de no m&iacute;nimo seis horas    e atingir oito horas para a educa&ccedil;&atilde;o fundamental em comunidades    carentes. Recomenda-se, al&eacute;m disso, expandir a educa&ccedil;&atilde;o    infantil, o que comprovadamente reduz o fracasso escolar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse conjunto de    iniciativas, por si s&oacute;, requer um aumento substancial dos gastos com    a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Por isso mesmo, a proposta da Confer&ecirc;ncia    Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o, de que em 2020 os gastos com a educa&ccedil;&atilde;o    cheguem a 10% do PIB, foi endossada pela 4ª CNCTI.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A 4ª CNCTI enfatizou    ainda a import&acirc;ncia de um ensino adequado de ci&ecirc;ncias, propondo    a incorpora&ccedil;&atilde;o &agrave; escola e aos programas de forma&ccedil;&atilde;o    de professores da educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias baseada na investiga&ccedil;&atilde;o,    incentivando a produ&ccedil;&atilde;o de materiais e metodologias inovadoras.    Na escola, a crian&ccedil;a deve aprender a ler, a contar e a experimentar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desenvolvimento    cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s requer, por outro lado,    a amplia&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de n&iacute;vel    superior, com diversifica&ccedil;&atilde;o institucional e flexibilidade curricular,    incentivando-se diversos percursos formativos, de modo a garantir a forma&ccedil;&atilde;o    de profissionais com perfil adequado. A cria&ccedil;&atilde;o recente de novos    <i>campi</i> e novas universidades e institutos de tecnologia e a amplia&ccedil;&atilde;o    de vagas promovida pelo programa Reuni aumentaram o percentual de jovens entre    18 e 24 anos matriculados em institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o    superior no pa&iacute;s, de 9%, em 2004, para cerca de 14,4%, em 2009. Mas esse    percentual &eacute; ainda muito baixo comparado com o de pa&iacute;ses da OCDE    (60% nos Estados Unidos) e mesmo da Am&eacute;rica Latina (30% na Argentina).    Em v&aacute;rios pa&iacute;ses da OCDE, o aumento da popula&ccedil;&atilde;o    de n&iacute;vel superior foi conseguido gra&ccedil;as &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o    de modelos, incluindo n&atilde;o apenas universidades, mas institutos tecnol&oacute;gicos    e outras institui&ccedil;&otilde;es com cursos de dois a tr&ecirc;s anos, voltados    para uma forma&ccedil;&atilde;o mais geral.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A 4ª CNTI, de olho    no futuro, deixa uma importante mensagem, repetida em diversas sess&otilde;es    da confer&ecirc;ncia: o Brasil, em virtude do momento hist&oacute;rico em que    vive, das caracter&iacute;sticas de seu territ&oacute;rio, de sua matriz energ&eacute;tica,    de sua diversidade regional e cultural, do tamanho de sua popula&ccedil;&atilde;o,    e do patamar cient&iacute;fico que j&aacute; alcan&ccedil;ou, tem uma oportunidade    &uacute;nica de construir um novo modelo de desenvolvimento sustent&aacute;vel,    que respeite a natureza e os seres humanos. Um modelo que necessariamente dever&aacute;    se apoiar na ci&ecirc;ncia, na tecnologia e na educa&ccedil;&atilde;o de qualidade    para todos os brasileiros. * Por motivos editoriais, em fun&ccedil;&atilde;o    das necessidades de alguns textos, em v&aacute;rias figuras e gr&aacute;ficos    apresentados neste dossi&ecirc; foi mantida sua forma original.</font></p>      ]]></body>
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