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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Organismos transgênicos no Brasil: regular ou desregular?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The risk analysis of GMOs or transgenic plants follows international protocols concer-ning with possible damages (adverse effects), the form in which damages occur (risks), the significant risks deserving a thorough analysis, and which way the identified risk is to be observed and measured (assessment). Just like what has happened in Brazil, risk analyses conducted in other countries in the last fifteen years have never found any market-released products with adverse effects to human or animal health or to the environment. The excessive regulation favors big companies, which have resources and time to meet all regulatory demands. On the other hand, small-sized companies or state companies such as Embrapa do not have enough budgeting to comply with the overburdening regulation. Thus, taking into account the experience of other countries and also its own experience, Brazil should address this debate with more rationality, and start de-regulating what is over-regulated. Transgenic plants are harmless, and also favorable to the economy and to the environment. It has been proved that they reduce water use as they demand less insecticide, and also the use of diesel oil, thus reducing CO2 emission into the atmosphere.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>Organismos transg&ecirc;nicos no Brasil: regular ou desregular?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Walter Colli</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professor titular    aposentado do Departamento de Bioqu&iacute;mica, do Instituto de Qu&iacute;mica    da USP</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A an&aacute;lise    de risco de OGM ou transg&ecirc;nicos segue protocolos internacionais atrav&eacute;s    das quais se pergunta sobre o poss&iacute;vel dano (efeito adverso), a forma    de aparecimento do dano (riscos), os riscos significativos que mere&ccedil;am    an&aacute;lise detalhada e de que forma o risco identificado ser&aacute; observado    e medido (avalia&ccedil;&atilde;o). Assim como no Brasil, an&aacute;lises de    risco efetuadas em outros pa&iacute;ses nos &uacute;ltimos quinze anos nunca    evidenciaram, nos produtos liberados, efeitos adversos &agrave; sa&uacute;de    humana e animal ou ao ambiente. O excesso de regulamenta&ccedil;&atilde;o favorece    as grandes empresas que t&ecirc;m recursos e tempo para atender a todas as demandas    regulat&oacute;rias. No entanto, pequenas empresas ou estatais como a Embrapa    n&atilde;o t&ecirc;m or&ccedil;amento para cumprir com os exageros do excesso    de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Por isso, o Brasil, tendo em vista a experi&ecirc;ncia    dos outros pa&iacute;ses, al&eacute;m de sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia,    deve introduzir mais racionalidade no debate e come&ccedil;ar a desregular o    que est&aacute; regulado em demasia.    <br>   As plantas transg&ecirc;nicas, al&eacute;m de in&oacute;cuas, trazem vantagens    econ&ocirc;micas e ao meio ambiente. Comprovadamente, reduzem o uso de &aacute;gua    por exigir menos inseticidas e economizam o uso de &oacute;leo diesel reduzindo    a emiss&atilde;o de CO<sub>2</sub> na atmosfera.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    transg&ecirc;nicos, an&aacute;lises de risco, sa&uacute;de, ambiente.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The risk analysis    of GMOs or transgenic plants follows international protocols concer-ning with    possible damages (adverse effects), the form in which damages occur (risks),    the significant risks deserving a thorough analysis, and which way the identified    risk is to be observed and measured (assessment). Just like what has happened    in Brazil, risk analyses conducted in other countries in the last fifteen years    have never found any market-released products with adverse effects to human    or animal health or to the environment. The excessive regulation favors big    companies, which have resources and time to meet all regulatory demands. On    the other hand, small-sized companies or state companies such as Embrapa do    not have enough budgeting to comply with the overburdening regulation. Thus,    taking into account the experience of other countries and also its own experience,    Brazil should address this debate with more rationality, and start de-regulating    what is over-regulated.    <br>   Transgenic plants are harmless, and also favorable to the economy and to the    environment. It has been proved that they reduce water use as they demand less    insecticide, and also the use of diesel oil, thus reducing CO2 emission into    the atmosphere.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    transgenic plants, risk analyses, health, environment.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"<i>Civilization      has been built on genetically modified plants</i>" (Nina V. Fedoroff).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 10 de agosto    de 1999, Ant&ocirc;nio Souza Prudente, juiz federal da 60ª Vara, Se&ccedil;&atilde;o    Judici&aacute;ria do Distrito Federal, exarou senten&ccedil;a (processos nº    N1 1998.34.00.027681-8, classe 9200, de 10/8/1999, e 1998.34.00.027682-0, Classe    7100, de 26/6/2000) em a&ccedil;&atilde;o cautelar ajuizada pelo Idec, tendo    como litisconsortes o Greenpeace e o Ibama, visando impedir, imediatamente,    a autoriza&ccedil;&atilde;o para qualquer pedido de plantio da soja transg&ecirc;nica    (<i>round up ready</i>), antes que se procedesse &agrave; devida regulamenta&ccedil;&atilde;o    da mat&eacute;ria e ao pr&eacute;vio Estudo e Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental    (EIA/Rima).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave; &eacute;poca,    em 1998, a Comiss&atilde;o T&eacute;cnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio),    constitu&iacute;da conforme a Lei 8.974/95, havia aprovado a libera&ccedil;&atilde;o    comercial desse produto por n&atilde;o encontrar evid&ecirc;ncia de danos ao    ambiente e &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre as diversas    considera&ccedil;&otilde;es do juiz Prudente que fundamentaram suas conclus&otilde;es    e levaram &agrave; suspens&atilde;o da decis&atilde;o da CTNBio encontra-se    a seguinte p&eacute;rola <i>in verbis</i>:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Sem contabilizar    exageros, creio que a velocidade irrespons&aacute;vel que se pretende imprimir    nos avan&ccedil;os da engenharia gen&eacute;tica, nos dias atuais, guiada pela    desregulamenta&ccedil;&atilde;o gananciosa da globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica,    poder&aacute; gestar, nos albores do novo mil&ecirc;nio, uma esquisita civiliza&ccedil;&atilde;o    de 'aliens hospedeiros' com fisionomia pe&ccedil;onhenta, a comprometer, definitivamente,    em termos reais, e n&atilde;o fict&iacute;cios, a sobreviv&ecirc;ncia das futuras    gera&ccedil;&otilde;es do nosso planeta".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outras considera&ccedil;&otilde;es    desse jaez arrematadas com as express&otilde;es latinas <i>fumus boni iuris</i>    e <i>periculum in mora,</i> vazias de conte&uacute;do como um bal&atilde;o furado,    mas sempre muito usadas por alguns procuradores e ju&iacute;zes para contestar    evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas s&oacute;lidas, levaram a uma senten&ccedil;a    que paralisou a biotecnologia brasileira por cinco anos com todas as consequ&ecirc;ncias    ulteriores. Quando se fala em paralisa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se est&aacute;    referindo apenas aos preju&iacute;zos do detentor da patente, mas ao desest&iacute;mulo    global &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; tecnologia no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Faltou ao juiz    conhecimento de biologia. &Eacute; preciso urgentemente que o Poder Judici&aacute;rio    agregue compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica antes de tomar decis&otilde;es evitando,    assim, senten&ccedil;as calcadas no desconhecimento e na ideologia. Um gene    nada mais &eacute; do que um peda&ccedil;o de informa&ccedil;&atilde;o que pode    ser sintetizada quimicamente em laborat&oacute;rio e usada em diferentes organismos,    como uma palavra pode ser usada em v&aacute;rios contextos. Todos os organismos    vivos est&atilde;o relacionados uns aos outros e compartilham o mesmo sistema    gen&eacute;tico de tal modo que um gene de um organismo pode funcionar muito    bem em outro. Pode-se colocar um gene de macaco numa fruta ou de uma fruta no    macaco. Os genes do macaco ou da fruta s&atilde;o pe&ccedil;as de informa&ccedil;&atilde;o    e n&atilde;o carregam uma marca dizendo: "eu vim do macaco ou da fruta".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa senten&ccedil;a    somente foi revertida em sede de recurso de apela&ccedil;&atilde;o junto ao    TRF da 1ª regi&atilde;o, onde restou vencedor em 28/6/2004 o magn&iacute;fico    voto da relatora, desembargadora federal Selene Maria de Almeida, em Apela&ccedil;&atilde;o    C&iacute;vel nº 1998.34.00.027682-0/DF (710 p&aacute;ginas, 3 volumes, 2004),    que discutiu, dentre outros aspectos, a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o, argumento dos reclamantes abrigado pelo juiz Prudente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Coisa parecida    aconteceu nos EUA, mas 24 anos antes. Em 1975, os cientistas que desenvolveram    os primeiros experimentos com DNA recombinante convocaram uma reuni&atilde;o    em Asilomar, na Calif&oacute;rnia. Talvez um pouco inflados com a pr&oacute;pria    import&acirc;ncia e com o aparente poder que lhes conferia o fato de saberem    manipular o DNA, criaram regras para essa manipula&ccedil;&atilde;o e agitaram    a m&iacute;dia. Isso aumentou a percep&ccedil;&atilde;o popular sobre poss&iacute;veis    riscos no trabalho com DNA recombinante. Esse receio foi capitalizado pelo prefeito    de Cambridge, cujo nome era Vellucci. Esse homem, em 1977 escreveu para o presidente    da Academia Nacional de Ci&ecirc;ncias (apud Watson, 2005):</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Na edi&ccedil;&atilde;o    de hoje do <i>Boston Herald American</i>, uma publica&ccedil;&atilde;o do grupo    Hearst, h&aacute; duas reportagens que muito me preocuparam. Em Dover, Massachusetts,    'uma estranha criatura de olhos alaranjados' foi avistada. Em Hollis, New Hampshire,    um homem e seus dois filhos se depararam com 'uma criatura peluda de 2,75 m    de altura'. Pe&ccedil;o respeitosamente que sua prestigiosa institui&ccedil;&atilde;o    investigue esses relatos. Espero ainda que possam averiguar se essas 'criaturas    estranhas' (caso realmente existam) est&atilde;o de algum modo ligadas aos experimentos    com DNA recombinante em andamento na regi&atilde;o da Nova Inglaterra".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seguiu-se uma ca&ccedil;a    &agrave;s bruxas que praticamente impedia o trabalho na regi&atilde;o da Nova    Inglaterra, tanto assim que Walter Gilbert, fundador da Biogen, teve que fazer    seus experimentos de clonagem do gene de insulina em bact&eacute;rias num laborat&oacute;rio    P4 em Porton Down no sul da Inglaterra, de propriedade do ex&eacute;rcito brit&acirc;nico.    Um outro grupo que competia com Gilbert, formado por Stanley Cohen e Herbert    Boyer, fundou em 1976 a Genentech, Genetic Engineering Technology, instalada    na Calif&oacute;rnia, onde se respirava um ar de liberdade empreendedora. Eles    tamb&eacute;m escolheram o gene da insulina humana para clonar em bact&eacute;ria    e, embora tivessem optado por uma rota mais complicada que Gilbert, obtiveram    o produto muito antes. Sorte dos diab&eacute;ticos, que at&eacute; ent&atilde;o    tomavam inje&ccedil;&otilde;es de insulina de porco, que difere da insulina    em um amino&aacute;cido, ou de boi, com 3 amino&aacute;cidos de diferen&ccedil;a    num total de 51 amino&aacute;cidos. Apesar de muito semelhantes &agrave; insulina    humana, com o tempo o organismo desenvolve anticorpos que rejeitam a insulina    estranha injetada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando se trata    de alimentos, a Europa sempre foi conservadora. Basta relatar a hist&oacute;ria    do tomate. Essa fruta era consumida pelas popula&ccedil;&otilde;es da Am&eacute;rica    pr&eacute;-colombiana. Levada &agrave; Europa ainda no s&eacute;culo XVI pelas    expedi&ccedil;&otilde;es que retornavam, foi considerada um veneno e somente    passou a ser consumida na alimenta&ccedil;&atilde;o na Espanha e na It&aacute;lia    no fim do s&eacute;culo XVII. Somente no s&eacute;culo XIX o tomate foi plenamente    aceito na Europa Central. N&atilde;o &eacute; de surpreender a resist&ecirc;ncia    que eles manifestam contra os alimentos geneticamente modificados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O PRINC&Iacute;PIO    DA PRECAU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o apareceu primeiro no direito germ&acirc;nico como    rea&ccedil;&atilde;o a acidentes globais em consequ&ecirc;ncia de novas tecnologias    que n&atilde;o haviam antecipado danos: merc&uacute;rio em alimentos ou &aacute;gua,    subst&acirc;ncias t&oacute;xicas lan&ccedil;adas ao mar, buraco de oz&ocirc;nio    causado por CFC, dentre outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o foi introduzido na Europa na d&eacute;cada de 80,    tornando-se a base do acordo de 1987, que pro&iacute;be o lan&ccedil;amento    de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas persistentes no Mar do Norte. Ele consta    da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Biodiversidade. Um n&uacute;mero cada vez    maior de leis ambientais suecas e alem&atilde;s fundamenta-se no princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o. Confer&ecirc;ncias internacionais sobre subst&acirc;ncias    t&oacute;xicas persistentes e o buraco de oz&ocirc;nio constitu&iacute;ram f&oacute;runs    para a promo&ccedil;&atilde;o e debate do princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na Confer&ecirc;ncia    Rio 92 - Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica, o princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o, Princ&iacute;pio 15, foi proposto formalmente com    o seguinte introito: de modo a proteger o meio ambiente, o princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o deve ser amplamente observado pelos estados, de acordo    com as suas capacidades. A sua defini&ccedil;&atilde;o, datada de 14 de junho    de 1992, foi a seguinte:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Quando houver    amea&ccedil;a de danos s&eacute;rios ou irrevers&iacute;veis, a aus&ecirc;ncia    de absoluta certeza cient&iacute;fica n&atilde;o deve ser utilizada como raz&atilde;o    para postergar medidas eficazes e economicamente vi&aacute;veis para prevenir    a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O Princ&iacute;pio    da Precau&ccedil;&atilde;o &eacute; a garantia contra os riscos potenciais que,    de acordo com o estado atual do conhecimento, n&atilde;o podem ser ainda identificados".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, esse princ&iacute;pio    refere-se &agrave; "absoluta certeza cient&iacute;fica", o que de pronto afasta    qualquer possibilidade de discuss&atilde;o porque a ci&ecirc;ncia, ao contr&aacute;rio    do que pensa a maioria, nunca tem absoluta certeza (Van den Belt, 2003). A ci&ecirc;ncia    observa fatos, levanta hip&oacute;teses, re&uacute;ne dados e afirma que determinado    fen&ocirc;meno ocorre com alguma probabilidade, que pode ser baixa ou alta.    Quando sobrev&ecirc;m novos fatos, mudam as conclus&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras,    o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o exige certeza cient&iacute;fica    da aus&ecirc;ncia de risco, mas risco igual a zero n&atilde;o existe. Dificilmente    se consegue identificar uma atividade humana sem risco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Interpreta&ccedil;&otilde;es    desse princ&iacute;pio variam, mas a Declara&ccedil;&atilde;o de Wingspread    (1998) &eacute; a primeira que introduz alguma racionalidade na defini&ccedil;&atilde;o,    j&aacute; que admite que o princ&iacute;pio deve ser aplicado quando existe    alguma evid&ecirc;ncia de risco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Quando uma atividade    representa amea&ccedil;as de danos ao meio ambiente ou &agrave; sa&uacute;de    humana, medidas de precau&ccedil;&atilde;o devem ser tomadas, mesmo se algumas    rela&ccedil;&otilde;es de causa e efeito n&atilde;o forem plenamente estabelecidas    cientificamente."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas o que seria    "risco"? A melhor defini&ccedil;&atilde;o &eacute; a que diz que "risco &eacute;    fun&ccedil;&atilde;o da probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de efeito adverso,    bem como da severidade desse efeito".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A morte pela var&iacute;ola    nos sessenta anos de proibi&ccedil;&atilde;o da vacina e a guerra da vacina    contra a febre amarela no Rio de Janeiro, no in&iacute;cio do s&eacute;culo    passado, s&atilde;o exemplos de que a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o (embora ainda n&atilde;o tivesse sido formulado)    pode produzir danos. Ainda hoje h&aacute; pessoas que alegam serem as vacinas    muito perigosas. Bastaria essa alega&ccedil;&atilde;o para suspender a aplica&ccedil;&atilde;o    de vacinas nas crian&ccedil;as? A volta do uso de estrume como adubo pode contaminar    alimentos com <i>Claviceps purp&uacute;rea</i>, que produz ergotamina, <i>Fusarium</i>,    que produz fumonisina, e <i>Escherichia coli</i> O157:H7, que produz toxinas.    Ainda assim, a agricultura org&acirc;nica &eacute; um nicho de mercado florescente    e ningu&eacute;m invoca o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o contra    alimentos org&acirc;nicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">An&aacute;lises    como essa levaram a Comiss&atilde;o Europeia (2000) a concluir que o princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o serve para gerenciar riscos, mas n&atilde;o para    avali&aacute;-los.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em suma, n&atilde;o    basta uma histeria qualquer para invocar o princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o    e paralisar o progresso. Se n&atilde;o fosse assim, alguns poderiam achar que    comer alface representasse uma amea&ccedil;a &agrave; sa&uacute;de humana e,    por precau&ccedil;&atilde;o, todos deveriam deixar de com&ecirc;-la e medidas    de precau&ccedil;&atilde;o teriam que ser tomadas, ainda que n&atilde;o se soubesse    bem se alface faz mal mesmo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A LEI DE BIOSSEGURAN&Ccedil;A    (11.105/05)</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como foi dito no    in&iacute;cio deste artigo, at&eacute; mar&ccedil;o de 2005, as normas de seguran&ccedil;a    e uso da biotecnologia no Brasil eram estabelecidas pela Lei 8.974/95. Em virtude    dos numerosos questionamentos judiciais com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; referida    lei, principalmente porque n&atilde;o se sabia a quem cabia a palavra final    em mat&eacute;ria de transg&ecirc;nicos, CTNBio, Ibama, Anvisa, e outros, em    2003, o governo federal enviou ao Congresso Nacional projeto de uma nova lei    de biosseguran&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto de lei    de nº 2.401/03 tramitou no Congresso Nacional por dois anos e, em 2005, foi    definitivamente aprovado pelas duas casas (C&acirc;mara e Senado), convertendo-se    finalmente na Lei 11.105/05, que atualmente estabelece normas de seguran&ccedil;a    e mecanismos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o de atividades que envolvam organismos    geneticamente modificados - OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de    Biosseguran&ccedil;a - CNBS, reestrutura a Comiss&atilde;o T&eacute;cnica Nacional    de Biosseguran&ccedil;a - CTNBio e disp&otilde;e sobre a Pol&iacute;tica Nacional    de Biosseguran&ccedil;a - PNB.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Regulamentada pelo    Decreto 5.591/05, a Lei 11.105/05 estabelece de forma clara que compete &agrave;    CTNBio a an&aacute;lise t&eacute;cnica da biosseguran&ccedil;a do OGM sob o    aspecto de sa&uacute;de humana, vegetal, animal e ambiental, sendo sua decis&atilde;o    t&eacute;cnica vinculante aos demais &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores, quais    sejam, Minist&eacute;rio da Agricultura, Minist&eacute;rio do Meio Ambiente    e Anvisa. Estabelece ainda que compete &agrave; CTNBio definir quais atividades    com OGM s&atilde;o potencialmente causadoras de significativa degrada&ccedil;&atilde;o    ambiental e consequentemente necessitam de licenciamento ambiental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale observar que    ao modificar a descri&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo 20 do Anexo VIII da    Lei 6.938/81 (Lei do Meio Ambiente), estabelecendo que a introdu&ccedil;&atilde;o    de esp&eacute;cies geneticamente modificadas e o uso da diversidade biol&oacute;gica    pela biotecnologia s&oacute; poder&atilde;o ser considerados causadores de degrada&ccedil;&atilde;o    ambiental se assim identificados pela CTNBio, a nova lei harmonizou a legisla&ccedil;&atilde;o    de biosseguran&ccedil;a e de meio ambiente e tornou inequ&iacute;voco o m&eacute;todo    de an&aacute;lise ao qual deve ser submetido o OGM, qual seja, o m&eacute;todo    de an&aacute;lise "caso a caso", com o poder vinculante da decis&atilde;o t&eacute;cnica    sobre a biosseguran&ccedil;a do OGM emanada da CTNBio sobre os demais &oacute;rg&atilde;os    fiscalizadores, elidindo assim o maior motivo dos conflitos jur&iacute;dicos    existentes com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Lei 8.974/95.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra importante    modifica&ccedil;&atilde;o trazida pela Lei 11.105/05 foi definir claramente    que n&atilde;o se aplica aos OGMs e seus derivados o disposto na Lei 7.802/1989    (Lei de Agrot&oacute;xicos), exceto para os casos em que eles sejam desenvolvidos    para servir de mat&eacute;ria-prima para a produ&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos,    resolvendo desse modo o conflito de normas existente entre a lei anterior e    a lei de agrot&oacute;xicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra modifica&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m trazida pela Lei 11.105/05 foi a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho    Nacional de Biosseguran&ccedil;a - CNBS, ao qual caber&aacute;, em casos de    libera&ccedil;&atilde;o comercial de OGM e derivados, analisar, a pedido da    CTNBio, os aspectos de conveni&ecirc;ncia e oportunidade econ&ocirc;micas daquela    libera&ccedil;&atilde;o, bem como avocar de decidir em &uacute;ltima inst&acirc;ncia    os recursos dos &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores em libera&ccedil;&otilde;es    comerciais de OGM e derivados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No tocante &agrave;    rotulagem, estabeleceu em seu artigo 40 que os alimentos destinados ao consumo    humano e animal que contenham ou sejam produzidos a partir de OGM ou derivados    dever&atilde;o conter essa informa&ccedil;&atilde;o no r&oacute;tulo, conforme    regulamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E, por fim, vedou    a utiliza&ccedil;&atilde;o, a comercializa&ccedil;&atilde;o, o registro, o patenteamento    e o licenciamento de tecnologias gen&eacute;ticas de restri&ccedil;&atilde;o    do uso. Para os efeitos da lei, entende-se por tecnologia gen&eacute;tica de    restri&ccedil;&atilde;o do uso qualquer processo de interven&ccedil;&atilde;o    humana para gera&ccedil;&atilde;o ou multiplica&ccedil;&atilde;o de plantas    geneticamente modificadas que produzam estruturas reprodutivas est&eacute;reis,    bem como qualquer forma de manipula&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica que vise    &agrave; ativa&ccedil;&atilde;o ou desativa&ccedil;&atilde;o de genes relacionados    &agrave; fertilidade das plantas por indutores qu&iacute;micos externos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa &uacute;ltima    restri&ccedil;&atilde;o foi introduzida por press&atilde;o das entidades ambientalistas    preocupadas com a possibilidade de que as grandes multinacionais pudessem esterilizar    sementes, vedando o seu uso, largamente utilizado por pequenos agricultores,    no ano subsequente &agrave; colheita. Na verdade, para grandes &aacute;rvores,    as tecnologias de restri&ccedil;&atilde;o de uso seriam &uacute;teis a fim de    evitar que insetos transportassem sementes para outros locais com o consequente    crescimento de &aacute;rvores fora de controle. Como sempre, dispositivos legais    estritos que n&atilde;o permitem flexibilidade s&atilde;o contraproducentes.    Se h&aacute; uma comiss&atilde;o para analisar a libera&ccedil;&atilde;o de    OGMs caso a caso por que n&atilde;o deixar &agrave; sua discri&ccedil;&atilde;o    as decis&otilde;es sobre esse assunto?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AS ATRIBUI&Ccedil;&Otilde;ES    E A COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O DA CTNBIO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A CTNBio, portanto,    faz an&aacute;lises de risco, ambiental e &agrave; sa&uacute;de humana e animal,    de organismos geneticamente modificados (OGMs ou transg&ecirc;nicos). A libera&ccedil;&atilde;o    de sementes para plantio ou produtos veterin&aacute;rios &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o    do Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento e, de produtos    para uso na sa&uacute;de humana, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Por isso,    n&atilde;o &eacute; a CTNBio que libera um produto, ela apenas conclui, ap&oacute;s    exaustivas an&aacute;lises cient&iacute;ficas, com fundamento em trabalhos internacionais    publicados e em pareceres de especialistas, sobre a probabilidade de risco de    libera&ccedil;&atilde;o comercial de OGMs.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Qual a legitimidade    da CTNBio para fazer an&aacute;lises de risco? Para isso, temos que avaliar    a sua composi&ccedil;&atilde;o. Ela &eacute; formada por 27 membros titulares    e 27 membros suplentes, todos com o t&iacute;tulo de doutor. Muito embora os    membros suplentes somente votem na aus&ecirc;ncia do titular, n&atilde;o &eacute;    infrequente que, nas reuni&otilde;es, o suplente esteja presente, ainda que    o titular tamb&eacute;m esteja. Ademais, a lei exige a presen&ccedil;a de todos    sob pena de exclus&atilde;o ap&oacute;s 3 faltas consecutivas n&atilde;o justificadas.    Por isso, tipicamente, em cada reuni&atilde;o est&atilde;o presentes de 32 a    38 membros, mas somente 27 podem votar. &Eacute; &oacute;bvio que as pessoas    mais indicadas para emitir pareceres t&eacute;cnicos na an&aacute;lise de riscos    de uso de transg&ecirc;nicos s&atilde;o especialistas em ambiente, agronomia,    biologia molecular, bioqu&iacute;mica, medicina, nutri&ccedil;&atilde;o humana    e animal, gen&eacute;tica humana, animal e vegetal, microbiologia, dentre outras.    E a raz&atilde;o &eacute; simples: cada um deles conhece profundamente o funcionamento    dos genes, a s&iacute;ntese das prote&iacute;nas por eles codificadas, a digest&atilde;o    e a absor&ccedil;&atilde;o de nutrientes, o papel das bact&eacute;rias e v&iacute;rus,    as formas de intera&ccedil;&atilde;o entre os seres vivos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, o ministro    da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia nomeia diretamente 13 membros titulares (mais    13 suplentes) ouvindo as sociedades cient&iacute;ficas. O ministro S&eacute;rgio    Machado Rezende, que teve a responsabilidade de instalar a nova CTNBio a partir    de fevereiro de 2006, solicitou nomes de cientistas para a Academia Brasileira    de Ci&ecirc;ncias (ABC) e para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia    (SBPC). Das numerosas sugest&otilde;es de cientistas, em geral trabalhando em    universidades e institutos de pesquisa, o ministro nomeia tr&ecirc;s de cada    &aacute;rea, vegetal, ambiental, sa&uacute;de humana e sa&uacute;de animal,    al&eacute;m de um 13º membro, que o representa na Comiss&atilde;o. Os demais    membros s&atilde;o indicados por outros minist&eacute;rios, a saber: Meio Ambiente    (MMA), Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento (Mapa), Desenvolvimento,    Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio (MDIC), Sa&uacute;de (MS), Justi&ccedil;a    (MJ), Trabalho (MT), Defesa (MD), Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores (MRE) e    Desenvolvimento Agr&aacute;rio (MDA).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AN&Aacute;LISES    DE RISCO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As an&aacute;lises    de risco s&atilde;o feitas com base em experimentos feitos pela empresa interessada    em laborat&oacute;rio e em libera&ccedil;&atilde;o planejada e contida no ambiente,    al&eacute;m de trabalhos cient&iacute;ficos de abrang&ecirc;ncia internacional    e de pareceres solicitados pela CTNBio a pesquisadores especialistas, atuantes    nas universidades e institutos de pesquisa. &Eacute; evidente que todos os produtos    que prov&ecirc;m de organismos geneticamente modificados t&ecirc;m que, obrigatoriamente,    ser analisados pela Comiss&atilde;o. No entanto, at&eacute; o momento, s&atilde;o    poucos os produtos destinados &agrave; sa&uacute;de que s&atilde;o fabricados,    desde o in&iacute;cio, no Brasil. Eles s&atilde;o todos importados, &agrave;    exce&ccedil;&atilde;o de alguns como a vacina de hepatite B, produzida no Instituto    Butantan por uma levedura geneticamente modificada. A maior parte do trabalho    da CTNBio, portanto, al&eacute;m da autoriza&ccedil;&atilde;o de projetos de    pesquisa nas universidades e institutos de pesquisa, se resume a analisar riscos    do plantio em larga escala, para fins comerciais, de soja, milho e algod&atilde;o    geneticamente modificados. Por isso, neste artigo, que tem por finalidade discutir    o sistema regulat&oacute;rio de controle de organismos geneticamente modificados,    apresentaremos, &agrave; guisa de exemplo, os processos de libera&ccedil;&atilde;o    desses produtos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As an&aacute;lises    focalizam duas vertentes: poss&iacute;veis danos ao ambiente e &agrave; sa&uacute;de    humana ou animal. Genericamente s&atilde;o feitas as seguintes perguntas:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) Efeito adverso:    qual o dano?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) Riscos: como    pode aparecer o dano?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) Riscos significativos:    quais riscos, dentre todos, devem ser detalhadamente analisados?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4) Avalia&ccedil;&atilde;o:    como o risco identificado ser&aacute; observado e medido?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O processo de decis&atilde;o    est&aacute; esquematizado na <a href="#f1">Figura 1</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1" id="f1"></a></p>     <p align="center">    <br>   <img width="495" height="351" src="/img/revistas/rusp/n89/11f01.jpg" alt="Caixa de texto:"><br clear="ALL"> Fonte: Keese, 2009</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RISCOS AO AMBIENTE</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Preconiza-se o    uso da abordagem escalonada (<i>tiered approach</i>), desenhada para identificar    &aacute;reas de grande preocupa&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, pela qual    se estabelece uma clara hip&oacute;tese de risco que &eacute; verificada no    escal&atilde;o 1 (tier 1). Caso o produto n&atilde;o passe nesse n&iacute;vel,    avan&ccedil;a-se para o escal&atilde;o 2, 3 e 4, sucessivamente, este &uacute;ltimo    referindo-se &agrave; libera&ccedil;&atilde;o em campo aberto (<a href="#f2">Figura    2</a>). Essa abordagem, baseada em considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas    conhecidas como formula&ccedil;&atilde;o de problemas (Raybould, 2006), &eacute;    interessante porque envolve o famoso caso das borboletas monarca, que provocou    nervosismo mundial quando se demonstrou que a prote&iacute;na Cry1Ab, expressa    pelo milho Bt, era t&oacute;xica para as larvas dessas borboletas, um &iacute;cone    da biodiversidade no Hemisf&eacute;rio Norte. As lepidopteras-alvo, no caso    do milho, s&atilde;o a lagarta-do-cartucho, <i>Spodoptera frugiperda,</i> a    lagarta da espiga, <i>Helicoverpa zea</i>, e a lagarta do colmo, <i>Diatrea    saccharalis</i>. Sendo a monarca uma lepid&oacute;ptera, a borboleta tem o receptor    para essa prote&iacute;na em seu intestino e por isso morre como morrem os insetos-alvo,    as lagartas que comem as folhas de plantas de milho, soja e algod&atilde;o,    dentre outros. Mas morre quando se for&ccedil;a a borboleta a ingerir a prote&iacute;na.    Em campo aberto, uma cultura de milho e a borboleta monarca s&atilde;o estranhos    um ao outro porque a lagarta dessa borboleta n&atilde;o se alimenta de milho,    soja, algod&atilde;o e outros. Por isso, no escal&atilde;o 4 demonstrou-se que    o milho transg&ecirc;nico nada faz ao ciclo de vida dessa borboleta. V&aacute;rios    trabalhos estat&iacute;sticos mostraram que o ciclo de vida da borboleta monarca,    do nascimento &agrave; morte, &eacute; o mesmo longe ou perto de um campo de    sementes transg&ecirc;nicas.</font></p>     <p align="left"><a name="f2" id="f2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">    <br>   <img width="492" height="370" src="/img/revistas/rusp/n89/11f02.jpg"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p>O esquema mostra o  processo de abordagem escalonada (<em>tiered approach</em>) pela qual, quando uma  prote&iacute;na geneticamente modificada n&atilde;o passa no primeiro escal&atilde;o, ela &eacute;  imediatamente examinada no escal&atilde;o seguinte at&eacute; a elimina&ccedil;&atilde;o da expectativa de  risco no caso real.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos exaustivos    estudos de impacto ambiental que a CTNBio exige dos proponentes da nova tecnologia    em experimentos contidos no meio ambiente, incluem-se:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; os potenciais    efeitos adversos em organismos n&atilde;o alvo como inimigos naturais, quando    for o caso, do organismo que est&aacute; sendo introduzido, nos insetos em geral,    nos polinizadores, nos que participam da decomposi&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria    org&acirc;nica, nos p&aacute;ssaros e nos roedores e outros animais do entorno;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; a possibilidade    de fluxo g&ecirc;nico para esp&eacute;cies sexualmente compat&iacute;veis e    a improv&aacute;vel transfer&ecirc;ncia horizontal para organismos filogeneticamente    distantes; caso a &uacute;ltima hip&oacute;tese fosse fato comum, isto &eacute;,    a transfer&ecirc;ncia do DNA de uma esp&eacute;cie para outra, os seres humanos    que comem vegetais j&aacute; estariam todos verdes, pois teriam incorporado    os genes de s&iacute;ntese de clorofila, por exemplo; igualmente, n&atilde;o    h&aacute; evid&ecirc;ncias de que o DNA da planta que cai no solo seja incorporado    por bact&eacute;rias e outros microrganismos;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; os efeitos    adversos &agrave; microbiota do solo, isto &eacute;, a prote&iacute;na produzida    pelo gene que foi introduzido no vegetal teria efeito negativo aos micro-organismos    do solo?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; o acompanhamento    do desenvolvimento de resist&ecirc;ncia, j&aacute; que o uso repetitivo de um    inseticida ou herbicida poderia selecionar insetos resistentes; nesse caso recomenda-se    sempre aos agricultores plantarem uma propor&ccedil;&atilde;o do mesmo vegetal    n&atilde;o modificado para servir de zona de ref&uacute;gio, exigindo-se um    monitoramento, ap&oacute;s o plantio, por pelo menos cinco anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fala-se muito em    transfer&ecirc;ncia horizontal de genes. Isso existe entre bact&eacute;rias,    nos fen&ocirc;menos da conjuga&ccedil;&atilde;o e da transforma&ccedil;&atilde;o    e na transfer&ecirc;ncia de elementos extracromossomais. Existe, por exemplo,    com <i>Agrobacter sp.</i>, que infecta tecidos vegetais e transfere de forma    integrativa parte de seu material gen&eacute;tico para o genoma da planta. Esse    material produz horm&ocirc;nios vegetais (auxinas e citocininas) e opinas (nopalina,    ocotopina, agropina e miquimopina, dentre outras), desequilibrando o balan&ccedil;o    hormonal e provocando multiplica&ccedil;&atilde;o incontrolada das c&eacute;lulas    infectadas gerando um tumor na planta. Foi essa capacidade da bact&eacute;ria    que, retirados todos esses genes, mas mantidos os que permitem a infec&ccedil;&atilde;o,    foi aproveitada para a realiza&ccedil;&atilde;o da primeira transforma&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;tica em plantas, pois a propriedade da bact&eacute;ria de inocular    genes na c&eacute;lula hospedeira foi usada para introduzir um gene de interesse.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todos os alimentos    cont&ecirc;m DNA, que &eacute; ingerido em quantidades significativas. No homem,    o consumo pela dieta de RNA e DNA, embora variado, est&aacute; na faixa de 0,1    a 1 g por dia, isso sem contar com o fabuloso n&uacute;mero de 150.000.000 de    bact&eacute;rias (e seu DNA) por mg de fezes humanas, o que corresponde a 2/3    do peso das fezes secas. Qualquer preocupa&ccedil;&atilde;o sobre a presen&ccedil;a    de novo DNA em um alimento geneticamente modificado, consumido na dieta humana,    tem que levar em conta que esse DNA representa menos que 1/250.000 da quantidade    de DNA consumido. Os organismos vivos podem ter 50.000 genes, que s&atilde;o    apenas uma fra&ccedil;&atilde;o da quantidade total de DNA. A inser&ccedil;&atilde;o    de um gene numa c&eacute;lula talvez aumente a quantidade de DNA em 1/1.000.000    ou menos. Essa inser&ccedil;&atilde;o provoca um efeito muito importante, social    e econ&ocirc;mico, mas n&atilde;o altera a biologia do organismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    a probabilidade de transfer&ecirc;ncia de genes de plantas geneticamente modificadas    para c&eacute;lulas de mam&iacute;feros &eacute; extremamente baixa, como tamb&eacute;m    &eacute; extremamente baixa a probabilidade de transfer&ecirc;ncia de DNA da    planta para microrganismos (Malarkey, 2003). Experimentos destinados a essa    finalidade, em condi&ccedil;&otilde;es excepcionais que n&atilde;o as naturais,    d&atilde;o frequ&ecirc;ncias de 10<sup>-17</sup> a 10<sup>-20</sup>, isto &eacute;,    de 1 vez para 1 quintilh&atilde;o para 1 sextilh&atilde;o de vezes. Uma excelente    revis&atilde;o nessa &aacute;rea &eacute; a de Keese (2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso da transmiss&atilde;o    vertical, temos que analisar se a planta &eacute; aut&oacute;gama - quando h&aacute;    predomin&acirc;ncia de autopoliniza&ccedil;&atilde;o - ou al&oacute;gama quando    h&aacute; predomin&acirc;ncia de poliniza&ccedil;&atilde;o cruzada. Na aut&oacute;gama,    o p&oacute;len de uma flor &eacute; transferido para o estigma da mesma flor    ou de flor da mesma planta: feij&atilde;o, amendoim, tomate, soja, trigo, batata,    arroz, alface e cevada. Na al&oacute;gama, o p&oacute;len de uma flor &eacute;    transferido para o estigma de uma flor de outra planta, onde ocorre a fecunda&ccedil;&atilde;o:    cacau, girassol, eucalipto, milho, mam&atilde;o, mandioca, beterraba, uva e    goiaba. Nessas a fecunda&ccedil;&atilde;o cruzada &eacute; maior que 90%. H&aacute;    ainda as intermedi&aacute;rias, com 5% a 50% de taxa de fecunda&ccedil;&atilde;o    cruzada, como algod&atilde;o, canola e berinjela. Finalmente, h&aacute; as que    tamb&eacute;m t&ecirc;m reprodu&ccedil;&atilde;o assexuada porque podem se propagar    atrav&eacute;s de bulbos, rizomas, caules e tub&eacute;rculos: cana-de-a&ccedil;&uacute;car,    batata, mandioca, morango e banana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para haver fluxo    g&ecirc;nico de uma planta para outra &eacute; necess&aacute;rio que: 1) as    plantas sejam sexualmente compat&iacute;veis; 2) se desenvolvam no mesmo ambiente;    3) tenham per&iacute;odo comum de florescimento; 4) haja uma forma de transporte    do p&oacute;len.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse caso, quando    h&aacute; esse risco estabelecem-se regras de coexist&ecirc;ncia e monitoramento.    Trabalhos exaustivos de Paterniani, Patto Ramalho e outros mostram que uma dist&acirc;ncia    de 20 metros entre duas planta&ccedil;&otilde;es de milho pode dar fecunda&ccedil;&atilde;o    cruzada com taxa menor que 1%. Por isso, a CTNBio determinou para coexist&ecirc;ncia    uma zona tamp&atilde;o de 100 metros ou 20 metros com adicionais 10 linhas de    bordadura de milho convencional (cf. Andrade et al., 2009). De qualquer modo,    h&aacute; que considerar que, n&atilde;o havendo press&atilde;o seletiva, o    contaminante ir&aacute; eventualmente desaparecer, j&aacute; que a sobreviv&ecirc;ncia    est&aacute; relacionada com a vantagem competitiva. O manejo e a rota&ccedil;&atilde;o    de culturas t&ecirc;m-se revelado importantes para evitar o fluxo g&ecirc;nico    vertical.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos &uacute;ltimos    quatro anos, a CTNBio foi extremamente castigada pela insist&ecirc;ncia de membros    do Minist&eacute;rio P&uacute;blico em exigir a execu&ccedil;&atilde;o de EIA/Rima    (estudo e relat&oacute;rio de impacto ambiental), que &eacute; uma exig&ecirc;ncia    para grandes constru&ccedil;&otilde;es que provocam graves impactos no ambiente    como, por exemplo, a constru&ccedil;&atilde;o de grandes barragens e usinas    geradoras de energia. Nesse caso, o estudo tem que ser pr&eacute;vio e deve    estimar quantas &aacute;rvores ser&atilde;o submersas, quantos animais do ecossistema    ser&atilde;o prejudicados, o que ir&aacute; acontecer com os p&aacute;ssaros    que migram pelo local, dentre outros. A Lei de Biosseguran&ccedil;a disp&otilde;e    que a CTNBio deve avaliar se &eacute; ou n&atilde;o necess&aacute;rio fazer    EIA/Rima.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; necess&aacute;rio    enfatizar que um campo de milho transg&ecirc;nico provoca exatamente o mesmo    impacto ambiental que um campo de milho n&atilde;o transg&ecirc;nico. Algum    impacto sempre h&aacute;, mas &eacute; o impacto da agricultura, j&aacute; que,    desde que o homem domesticou plantas para seu uso, ele provocou necessariamente    algum dano ao ambiente original. Por isso, os estudos com as libera&ccedil;&otilde;es    contidas no meio ambiente s&atilde;o suficientes para aquilatar a seguran&ccedil;a    do plantio do organismo transg&ecirc;nico. Seria absurdo se f&ocirc;ssemos exigir    dos agricultores obter aprova&ccedil;&atilde;o de um EIA/Rima para plantar qualquer    coisa!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RISCOS &Agrave;    SEGURAN&Ccedil;A ALIMENTAR</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    quest&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar, os produtos geneticamente modificados    devem ser rigorosamente avaliados antes de serem lan&ccedil;ados no mercado.    Um dos problemas &eacute; sua alergenicidade potencial. Esse aspecto &eacute;    muito caro &agrave; ind&uacute;stria de alimentos. Por esse motivo, &eacute;    imperativo evitar que um gene transferido codifique uma prote&iacute;na alerg&ecirc;nica    em alimento anteriormente isento dessa propriedade <i>(Codex alimentarius).</i>    A Comiss&atilde;o do Codex Alimentarius (<a href="http://www.who.int/foodsafety/codex/en/" target="_blank">http://www.who.int/foodsafety/codex/en/</a>),    cujas instru&ccedil;&otilde;es s&atilde;o seguidas pela CTNBio, foi criada em    1963 pela FAO (Food and Agriculture Organization, &oacute;rg&atilde;o da ONU)    e pela OMS (Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de) para desenvolver    regras quanto &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e uso de alimentos. Para isso,    desenvolveu-se um Programa Conjunto FAO/OMS de Padr&otilde;es Alimentares cujas    finalidades principais s&atilde;o proteger a sa&uacute;de dos consumidores e    assegurar pr&aacute;ticas comerciais justas, al&eacute;m de promover coordena&ccedil;&atilde;o    de todos os trabalhos relacionados e desenvolvidos por organiza&ccedil;&otilde;es    governamentais e n&atilde;o governamentais nessa &aacute;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O problema da alergia    deve ser colocado na perspectiva correta. Estima-se que ela ocorra com a frequ&ecirc;ncia    de 6% em crian&ccedil;as pequenas e 3% em adultos. Amendoins e camar&otilde;es    nunca foram banidos do mercado apesar de 1% da popula&ccedil;&atilde;o poder    desenvolver rea&ccedil;&otilde;es al&eacute;rgicas &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o    a esses alimentos. Kiwi, que foi introduzido recentemente, desencadeou novos    epis&oacute;dios de alergia. &Eacute; impens&aacute;vel banir a comercializa&ccedil;&atilde;o    de frutas ou alimentos que afetam apenas 1% da popula&ccedil;&atilde;o, mas    deve-se alertar por todos os meios essa possibilidade. Esse mesmo argumento    pode ser usado para cultivos geneticamente modificados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">At&eacute; o momento,    n&atilde;o se conhecem efeitos alerg&ecirc;nicos dos alimentos geneticamente    modificados. O alerta, entretanto, existe porque houve um caso bem no in&iacute;cio    de desenvolvimento dessa tecnologia e que, talvez, tenha contribu&iacute;do    para uma certa rejei&ccedil;&atilde;o desses produtos. A ideia, em 1996, foi    introduzir na soja o gene de albumina 2S da castanha-do-par&aacute; para aumentar    o teor de metionina na soja a fim de enriquecer o poder nutricional de alimentos    para animais. At&eacute; o momento, n&atilde;o havia indica&ccedil;&otilde;es    de que essa prote&iacute;na fosse alerg&ecirc;nica, mas estudos conduzidos durante    o desenvolvimento do produto demonstraram liga&ccedil;&atilde;o com IgE (imunoglobulina    E) de soros de brasileiros al&eacute;rgicos a castanha-do-par&aacute;, al&eacute;m    de rea&ccedil;&otilde;es positivas em testes cut&acirc;neos conduzidos com a    prote&iacute;na. Essa prote&iacute;na &eacute; conhecida agora como o al&eacute;rgeno    mais importante da castanha-do-par&aacute;. &Eacute; necess&aacute;rio enfatizar    que n&atilde;o foi o produto transg&ecirc;nico o respons&aacute;vel pela alergia,    mas a prote&iacute;na original da castanha-do-par&aacute;, cujas propriedades    alerg&ecirc;nicas eram desconhecidas. Por isso, as instru&ccedil;&otilde;es    do Codex enfatizam que &eacute; importante e mais eficiente proceder a uma avalia&ccedil;&atilde;o    antes da comercializa&ccedil;&atilde;o do que a uma an&aacute;lise posterior    (cf. Goodman et al., 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ponto de partida    &eacute; o da equival&ecirc;ncia substancial, que &eacute; um conceito usado    para identificar semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as entre o alimento geneticamente    modificado e um comparador hist&oacute;rico de uso seguro como alimento, para    guiar processos subsequentes de avalia&ccedil;&atilde;o de risco. Houve e h&aacute;    muitas cr&iacute;ticas a esse conceito porque ele foi tomado como um ponto final    de avalia&ccedil;&atilde;o e, na verdade, ele &eacute; apenas ponto de partida,    mas que oferece evid&ecirc;ncia robusta e garante tranquilidade. Em outras palavras,    o princ&iacute;pio da equival&ecirc;ncia substancial compara a composi&ccedil;&atilde;o    de um alimento transg&ecirc;nico com a mesma variedade n&atilde;o transg&ecirc;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, antes de    liberar uma planta para uso comercial &eacute; necess&aacute;rio avaliar os    riscos a fim de desenvolver uma estrat&eacute;gia de gerenciamento desses riscos:    1) reprova&ccedil;&atilde;o; 2) aprova&ccedil;&atilde;o com rotulagem invocando    precau&ccedil;&atilde;o ou com monitoramento; 3) aprova&ccedil;&atilde;o sem    restri&ccedil;&otilde;es. &Eacute; evidente que em alguns casos pode-se amealhar    informa&ccedil;&atilde;o preexistente e, em outros, &eacute; fundamental realizar    experimentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As prote&iacute;nas    s&atilde;o constantemente sintetizadas e degradadas no organismo. O corpo humano    sintetiza aproximadamente 300 g de prote&iacute;nas novas por dia. Para isso,    um organismo tem necessidade de um suprimento constante de amino&aacute;cidos    que prov&ecirc;m das prote&iacute;nas que ele ingere, em torno de 100 g por    dia. O resto ele obt&eacute;m dele mesmo, digerindo a mucosa gastrointestinal    descamada (35-200 g de amino&aacute;cidos por dia).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As prote&iacute;nas    s&atilde;o grandes mol&eacute;culas formadas pela rea&ccedil;&atilde;o, entre    si, de 20 amino&aacute;cidos obtidos na alimenta&ccedil;&atilde;o pela ingest&atilde;o    de prote&iacute;nas animais ou vegetais. As liga&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas    entre os amino&aacute;cidos s&atilde;o denominadas liga&ccedil;&otilde;es pept&iacute;dicas.    Para fornecer esses amino&aacute;cidos, as prote&iacute;nas ingeridas t&ecirc;m    que ser degradadas, e a degrada&ccedil;&atilde;o &eacute; exatamente pela ruptura    das liga&ccedil;&otilde;es pept&iacute;dicas que ligam um amino&aacute;cido    ao outro. &Eacute; como se, para construir uma nova parede de tijolos, derrub&aacute;ssemos    outra, de forma cuidadosa, para obter esses tijolos. A degrada&ccedil;&atilde;o    das prote&iacute;nas no est&ocirc;mago dos mam&iacute;feros come&ccedil;a imediatamente    ap&oacute;s a ingest&atilde;o, em meio altamente &aacute;cido que destr&oacute;i    a estrutura espacial tridimensional da prote&iacute;na e permite a a&ccedil;&atilde;o    da enzima pepsina, que cliva a prote&iacute;na em v&aacute;rias liga&ccedil;&otilde;es    pept&iacute;dicas. Essa digest&atilde;o continua no intestino delgado por tripsina,    quimotripsina, leucilaminopeptidases, carboxipeptidases, dentre outras, at&eacute;    que toda a prote&iacute;na se converta em seus amino&aacute;cidos constituintes,    finalmente absorvidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando n&atilde;o    se sabia o destino das prote&iacute;nas no sistema digestivo pensava-se que    era poss&iacute;vel administrar insulina ou horm&ocirc;nio de crescimento via    oral. Agora sabemos que isso &eacute; imposs&iacute;vel j&aacute; que praticamente    todas as prote&iacute;nas s&atilde;o digeridas e n&atilde;o alcan&ccedil;am    as fezes excretadas. H&aacute;, entretanto, algumas prote&iacute;nas que s&atilde;o    absorvidas intactas e por isso, no caso dos transg&ecirc;nicos, caso a caso,    por precau&ccedil;&atilde;o, deve-se estudar se isso acontece. Para todos os    transg&ecirc;nicos j&aacute; liberados para plantio as prote&iacute;nas introduzidas    s&atilde;o completamente digeridas, isto &eacute;, as prote&iacute;nas transg&ecirc;nicas    s&atilde;o destru&iacute;das em minutos no est&ocirc;mago e no intestino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, existem    algumas prote&iacute;nas que representam perigo quando ingeridas. Algumas s&atilde;o    toxinas e outras, antinutrientes como as lectinas (<a href="#t1">Tabela 1</a>).    Por exemplo, a cepa altamente virulenta de <i>E. coli</i> O157:H7 produz enterotoxina    que ataca a mucosa intestinal causando citotoxicidade direta. Essa bact&eacute;ria    contamina com frequ&ecirc;ncia alimentos org&acirc;nicos que s&atilde;o adubados    com estrume. Outras prote&iacute;nas como as lectinas que existem no feij&atilde;o    somente s&atilde;o destru&iacute;das se cozidas. Se com&ecirc;ssemos feij&atilde;o    cru, essas prote&iacute;nas n&atilde;o seriam digeridas no est&ocirc;mago e    se ligariam a carboidratos das membranas celulares perturbando a digest&atilde;o    (<a href="#t1">Tabela 1</a>). As prote&iacute;nas transg&ecirc;nicas s&atilde;o,    pois, comparadas em bancos de dados com essas prote&iacute;nas t&oacute;xicas    para afastar a possibilidade de ocorr&ecirc;ncia de segmentos hom&oacute;logos    de amino&aacute;cidos.</font></p>     <p align="left"><a name="t1" id="t1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">    <br>   <img width="367" height="506" src="/img/revistas/rusp/n89/11t01.jpg" alt="Caixa de texto:"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>Toda proteína transgênica introduzida em plantas tem sua sequência comparada com as sequências das toxinas nos bancos de dados a fim de afastar a possibilidade de semelhanças em segmentos da proteína.     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    alergenicidade podemos afirmar que pouqu&iacute;ssimas prote&iacute;nas alimentares    s&atilde;o alerg&ecirc;nicas, mas todos os al&eacute;rgenos na comida s&atilde;o    prote&iacute;nas. Aqui se usa o sistema do peso da evid&ecirc;ncia caso a caso:    hist&oacute;rico de uso, an&aacute;lise bioinform&aacute;tica, comparando a    sequ&ecirc;ncia de amino&aacute;cidos com al&eacute;rgenos conhecidos e estabilidade    da prote&iacute;na &agrave; a&ccedil;&atilde;o da pepsina <i>in vitro</i>. Caso    nesses testes haja d&uacute;vida quanto &agrave; seguran&ccedil;a, &eacute;    necess&aacute;rio passar a testes toxicol&oacute;gicos usando ratos e camundongos,    verificando liga&ccedil;&atilde;o a anticorpos IgE de pessoas al&eacute;rgicas    e perfazendo experimentos cl&iacute;nicos. No entanto, se uma prote&iacute;na    transg&ecirc;nica ligar-se a anticorpos IgE de pessoas al&eacute;rgicas ela    estar&aacute; condenada para libera&ccedil;&atilde;o comercial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na avalia&ccedil;&atilde;o    de risco do uso de alimentos transg&ecirc;nicos temos que proceder &agrave;    identifica&ccedil;&atilde;o do perigo potencial e &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o    do perigo. No perigo potencial avaliamos:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) o hist&oacute;rico    de uso seguro: os pa&iacute;ses do norte da Am&eacute;rica do Norte v&ecirc;m    usando alimentos transg&ecirc;nicos desde 1995 sem relato algum de efeitos adversos.    Esse fato deve ser levado em conta, ainda que n&atilde;o como crit&eacute;rio    &uacute;nico, porque popula&ccedil;&otilde;es com diferentes h&aacute;bitos    culturais vivendo em diferentes regi&otilde;es geogr&aacute;ficas podem ter    sido expostas a ant&iacute;genos sensibilizadores que cruzam com a prote&iacute;na    transg&ecirc;nica;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) o modo de a&ccedil;&atilde;o:    por exemplo, as prote&iacute;nas Cry de <i>Bacillus thuringiensis</i>, que naturalmente    &eacute; um inimigo de lepidoptera (lagarta do cartucho), diptera (moscas) e    coleoptera (besouros), a depender da especificidade das quase 200 prote&iacute;nas    Cry sintetizadas por essa bact&eacute;ria. A agricultura org&acirc;nica permite    o uso dessa bact&eacute;ria, cujos esporos s&atilde;o lan&ccedil;ados diretamente    sobre as plantas para combater o ataque das lagartas (um est&aacute;gio do desenvolvimento    das lepidoptera - borboletas - que atacam a maioria das plantas). O gene de    uma prote&iacute;na Cry &eacute; introduzido em milho ou algod&atilde;o e as    plantas ficam protegidas do ataque dessas pragas. As prote&iacute;nas Cry, quando    ingeridas pela lagarta, s&atilde;o clivadas gerando um fragmento que &eacute;    reconhecido por um receptor na superf&iacute;cie do epit&eacute;lio intestinal    da lagarta. A intera&ccedil;&atilde;o do fragmento de prote&iacute;na Cry com    o receptor rompe a membrana intestinal e acaba por matar a lagarta. Pois bem,    somente as lagartas de lepidoptera possuem o receptor e por isso as prote&iacute;nas    Cry n&atilde;o induzem ruptura de membrana de qualquer outro animal, inclusive    o homem;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) alguns ant&iacute;genos    alerg&ecirc;nicos t&ecirc;m se-qu&ecirc;ncias de 6 a 8 amino&aacute;cidos que    se repetem entre os al&eacute;rgenos. Ainda aqui deve-se ter cautela porque    nem sempre a presen&ccedil;a dessas sequ&ecirc;ncias transforma uma prote&iacute;na    em alerg&ecirc;nica e nem &eacute; necess&aacute;rio a presen&ccedil;a dessas    sequ&ecirc;ncias para que uma dada prote&iacute;na seja alerg&ecirc;nica. N&atilde;o    obstante, a sequ&ecirc;ncia de amino&aacute;cidos das prote&iacute;nas transg&ecirc;nicas    &eacute; comparada em banco de dados com as sequ&ecirc;ncias de amino&aacute;cidos    de prote&iacute;nas reconhecidamente alerg&ecirc;nicas;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4) digestibilidade    e estabilidade <i>in vitro</i>: experimentos s&atilde;o feitos <i>in vitro</i>    na presen&ccedil;a das condi&ccedil;&otilde;es que a prote&iacute;na encontrar&aacute;    no est&ocirc;mago do ser humano, medindo-se o tempo que o suco g&aacute;strico    leva para destruir a prote&iacute;na, j&aacute; que o ambiente &aacute;cido    em conjunto com a enzima pepsina destr&oacute;i as liga&ccedil;&otilde;es pept&iacute;dicas.    &Eacute; f&aacute;cil entender que uma prote&iacute;na transg&ecirc;nica que    &eacute; destru&iacute;da em poucos minutos tem pequen&iacute;ssima probabilidade    de induzir a forma&ccedil;&atilde;o de anticorpos no intestino;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5) n&iacute;veis    de express&atilde;o na planta e de consumo na dieta: em todos os casos sabe-se    perfeitamente onde a prote&iacute;na &eacute; expressa na planta e em que quantidade.    Por exemplo, muitas vezes os n&iacute;veis de express&atilde;o nas folhas e    no caule, que s&atilde;o atacados pelas lagartas, s&atilde;o muito maiores do    que nos gr&atilde;os. A quantifica&ccedil;&atilde;o dessa express&atilde;o nos    d&aacute; uma ideia da quantidade de ingest&atilde;o da prote&iacute;na em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    caracteriza&ccedil;&atilde;o do perigo, que &eacute; uma fase mais avan&ccedil;ada    da abordagem escalonada que devemos adotar, fazemos estudos de toxicologia aguda    em animais, administrando por gavagem (introdu&ccedil;&atilde;o direta for&ccedil;ada    pela boca do animal) as prote&iacute;nas purificadas que queremos estudar <a href="#t2">(Tabela    2</a>). As quantidades experimentadas s&atilde;o enormes para o peso dos animais    e absolutamente irreais. Nas quantidades utilizadas nada aconteceu aos animais.    Ainda assim, se houver d&uacute;vidas restantes pode-se fazer estudos de toxicologia    por doses repetidas e, finalmente, avalia&ccedil;&atilde;o caso a caso baseada    em hip&oacute;teses. No entanto, se as d&uacute;vidas persistirem at&eacute;    este ponto, &eacute; melhor n&atilde;o liberar o produto.</font></p>     <p><a name="t2" id="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">    <br>   <img width="495" height="404" src="/img/revistas/rusp/n89/11t02.jpg" alt="Caixa de texto:"><br clear="ALL">       <br> As  doses m&aacute;ximas utilizadas n&atilde;o provocaram efeito algum em camundongos</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em resumo, s&atilde;o    os seguintes os procedimentos para garantir seguran&ccedil;a alimentar:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) evitar introduzir    genes que codificam al&eacute;rgenos em plantas sem hist&oacute;ria de alergenicidade;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) se a fonte do    gene &eacute; um alimento comumente alerg&ecirc;nico ou se a prote&iacute;na    contiver sequ&ecirc;ncias de amino&aacute;cidos com grande identidade com sequ&ecirc;ncias    de prote&iacute;nas alerg&ecirc;nicas, ela dever&aacute; ser avaliada quanto    &agrave; capacidade de liga&ccedil;&atilde;o com IgE de soros de pacientes al&eacute;rgicos    &agrave; fonte doadora do gene ou &agrave;s sequ&ecirc;ncias pept&iacute;dicas    coincidentes (n&uacute;mero suficiente para estat&iacute;sticas com 95% de confian&ccedil;a);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) resist&ecirc;ncia    da prote&iacute;na &agrave; digest&atilde;o por pepsina, presumindo-se que h&aacute;    maior probabilidade de aparecimento de rea&ccedil;&otilde;es al&eacute;rgicas    com prote&iacute;nas que s&atilde;o pouco digeridas, isto &eacute;, elas s&atilde;o    fatores de risco para a indu&ccedil;&atilde;o de novas alergias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>APROVA&Ccedil;&Atilde;O    DE ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS NO BRASIL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando a nova CTNBio    se instalou, em fevereiro de 2006, em decorr&ecirc;ncia da Lei 11.105/05 e do    Decreto 5.591/05, promulgado em novembro de 2005, havia apenas dois organismos    geneticamente modificados liberados para uso comercial. O primeiro foi a soja    RR j&aacute; mencionada, cuja libera&ccedil;&atilde;o comercial foi suspensa    por decis&atilde;o judicial, e o segundo foi o algod&atilde;o BollGard, aprovado    em mar&ccedil;o de 2005, ao apagar das luzes da CTNBio antiga, que foi dissolvida    pela promulga&ccedil;&atilde;o da Lei de Biosseguran&ccedil;a em 24/3/2005.    Havia ainda duas vacinas transg&ecirc;nicas aprovadas para uso em animais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A proibi&ccedil;&atilde;o    judicial imp&ocirc;s um atraso na agricultura brasileira consider&aacute;vel    deixando o pa&iacute;s atr&aacute;s da Argentina, pa&iacute;s vizinho que nunca    enfrentou os problemas de oposi&ccedil;&atilde;o que existem no Brasil. A <a href="#t3">Tabela    3</a> - cujos dados s&atilde;o extra&iacute;dos de uma publica&ccedil;&atilde;o    anual de Clive James, presidente do Conselho do Servi&ccedil;o Internacional    para Aquisi&ccedil;&atilde;o de Aplica&ccedil;&otilde;es em Agrobiotecnologia    (ISAAA), que teve como patrocinador-fundador Norman Borlaug, o homem da revolu&ccedil;&atilde;o    verde, pr&ecirc;mio Nobel - demonstra isso. Na bibliografia citamos a publica&ccedil;&atilde;o    de 2009, mas a tabela foi constru&iacute;da tamb&eacute;m com informa&ccedil;&otilde;es    retiradas de edi&ccedil;&otilde;es de anos anteriores (<a href="http://www.isaaa.org" target="_blank">http://www.isaaa.org</a>).    Em 2009, pela primeira vez, o Brasil passou a Argentina em hectares plantados.    Nesse ano, um recorde de 14 milh&otilde;es de agricultores, sendo 90% pequenos    agricultores em 25 pa&iacute;ses, plantaram 134 milh&otilde;es de hectares de    plantas geneticamente modificadas, um aumento sustent&aacute;vel de 7% ou de    9 milh&otilde;es de hectares quando comparado a 2008 (James, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Basicamente h&aacute;    dois tipos de alimentos transg&ecirc;nicos: os tolerantes a herbicidas e os    resistentes a insetos. Esses &uacute;ltimos resistem aos insetos porque foi    introduzido um gene da fam&iacute;lia Cry de <i>Bacillus thuringiensis</i> (o    bacilo &eacute; usado inteirinho e jogado em cima das plantas pelos agricultores    org&acirc;nicos). Dependendo do gene Cry usado (h&aacute; quase 200 hom&oacute;logos)    a planta resiste a lepidoptera (lagarta do cartucho), coleoptera ou diptera.    Essas prote&iacute;nas encontram receptores espec&iacute;ficos no intestino    desses insetos e fazem pequenos furos que os matam. Portanto, a prote&iacute;na    estranha nessas plantas (milho, soja, algod&atilde;o, canola) &eacute; a Cry.</font></p>     <p><a name="t3" id="t3"></a></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">    <br>   <img src="/img/revistas/rusp/n89/11t03.jpg" alt="tabela 3" width="617" height="316"><br clear="ALL"> </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; dois    tipos de herbicida: o glifosato, an&aacute;logo &agrave; glicina, e o glufosinato,    an&aacute;logo &agrave; homoalanina. Recentemente, a Embrapa clonou o gene de    resist&ecirc;ncia a imidazolinonas em soja. Esse gene foi retirado do arroz    que comemos e que apareceu por mutag&ecirc;nese qu&iacute;mica. O primeiro ficou    famoso porque foi introduzido pela Monsanto (tecnologia RR de <i>round up ready</i>)    e o segundo pertence &agrave; Bayer (tecnologia LL, Liberty Link). No primeiro    transg&ecirc;nico introduz-se um gene que faz uma enzima que resiste ao herbicida    RR: todas as outras plantas morrem, exceto o transg&ecirc;nico. O glifosato    inibe a enzima que est&aacute; na via do shikimato, precursor dos amino&aacute;cidos  arom&aacute;ticos, que n&atilde;o existe nos vertebrados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No segundo transg&ecirc;nico,    introduz-se na planta uma enzima que destr&oacute;i o herbicida glufosinato    que, por sua vez, em plantas sens&iacute;veis, inibe a utiliza&ccedil;&atilde;o    de glutamina. A prote&iacute;na estranha nesse caso &eacute; a PAT ou a BAR,    que s&atilde;o acetilases de glufosinato. Evidentemente, por cruzamentos gen&eacute;ticos    cl&aacute;ssicos entre dois OGMs, pode-se construir uma planta com os dois ou    mais genes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As <a href="#t4-7">tabelas    4-7</a> mostram os tempos de espera entre a submiss&atilde;o do pedido e a aprova&ccedil;&atilde;o,    notando-se claramente que a Lei de Biosseguran&ccedil;a funcionou quando posta    em pr&aacute;tica por uma comiss&atilde;o atuante. Alguns pontos devem ser ressaltados:    1) o evento CV127 foi obtido por engenharia gen&eacute;tica realizada inteiramente    no Brasil por cientistas da Embrapa/Cenargen usando um gene de propriedade da    Basf; 2) produtos da segunda gera&ccedil;&atilde;o de transg&ecirc;nicos j&aacute;    est&atilde;o sendo analisados e liberados. Esses produtos s&atilde;o obtidos    por cruzamento gen&eacute;tico cl&aacute;ssico entre plantas com caracter&iacute;sticas    gen&eacute;ticas introduzidas diferentes. Em geral, cruzam-se produtos que ganharam    a propriedade de resistir ao ataque de insetos com plantas resistentes a herbicida.    Esses produtos s&atilde;o conhecidos como piramidados (<i>stacked</i>, em ingl&ecirc;s);    3) a primeira vacina que a nova comiss&atilde;o discutiu destinava-se a porcos    para prevenir a doen&ccedil;a de Aujeszky; nessa sess&atilde;o estavam presentes    apenas 21 dos 27 votos poss&iacute;veis e at&eacute; essa &eacute;poca eram    necess&aacute;rios os votos favor&aacute;veis de 2/3 dos membros da comiss&atilde;o    - 18 votos - para aprova&ccedil;&atilde;o de qualquer libera&ccedil;&atilde;o    comercial; a vacina recebeu 17 votos favor&aacute;veis contra 4 e, consequentemente,    n&atilde;o foi aprovada. Esse epis&oacute;dio demonstrou que uma aguerrida oposi&ccedil;&atilde;o    poderia bloquear qualquer coisa dentro da comiss&atilde;o. A consequ&ecirc;ncia    foi que deputados, com apoio do governo, propuseram a mudan&ccedil;a da lei,    permitindo que as aprova&ccedil;&otilde;es exigissem apenas maioria absoluta,    isto &eacute;, os votos de mais da metade dos membros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>ESTUDOS SOCIOECON&Ocirc;MICOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em extenso trabalho    de Brookes &amp; Barfoot (2006) fez-se um estudo de impacto global do uso de    plantas geneticamente modificadas entre 1996 e 2005 nos ganhos do agricultor,    uso de pesticidas e emiss&otilde;es de gases do efeito estufa. A an&aacute;lise    demonstrou que houve efeitos econ&ocirc;micos not&aacute;veis para o agricultor,    com um total acumulado favor&aacute;vel de US$ 27 bilh&otilde;es comparado ao    que seria ganho se a tecnologia n&atilde;o fosse adotada. Desses, US$ 13 bilh&otilde;es    foram ganhos pelos fazendeiros norte-americanos e US$ 5 bilh&otilde;es por argentinos.    Os agricultores brasileiros tiveram um ganho de apenas US$ 1,4 bilh&atilde;o    tendo em vista que a libera&ccedil;&atilde;o dos transg&ecirc;nicos foi feita    em meados de 2004, embora se admita internacionalmente que o Brasil tenha plantado    soja contrabandeada da Argentina desde 1997. A maior parte disso foi ganha por    agricultores em pa&iacute;ses em desenvolvimento. A tecnologia resultou no uso    de menos 224 milh&otilde;es de quilos de pesticida e redu&ccedil;&atilde;o de    15,3% no impacto ambiental associado ao uso de pesticida. Somente no ano de    2005 houve uma redu&ccedil;&atilde;o de emiss&atilde;o de gases do efeito estufa    de 9 bilh&otilde;es de quilos, equivalente &agrave; remo&ccedil;&atilde;o, por    ano, de 4 milh&otilde;es de autom&oacute;veis das estradas.</font></p>     <p><a name="t4-7" id="t4-7"></a></p>     <p align="center"><strong>TABELA 4</strong>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Soja geneticamente modificada. Tempo decorrente entre submiss&atilde;o e  aprova&ccedil;&atilde;o</p> <table border="1" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>     <td width="88">    <p align="center">Evento </p></td>     <td width="85">    <p align="center">Gene </p></td>     <td width="142">    <p align="center">Caracter&iacute;stica </p></td>     <td width="90">    <p align="center">Empresa </p></td>     <td width="76">    <p align="center">Submiss&atilde;o </p></td>     <td width="62">    <p align="center">Decis&atilde;o </p></td>     <td width="66">    <p align="center">Tempo </p></td>   </tr>   <tr>     <td width="88" valign="top">    <p>RR     <br>       CV127    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       LL    <br>       A5547-127</p>           <p>MON87701    <br>         <strong>X</strong><strong> </strong>    <br>         MON89788(2)</p></td>     <td width="85" valign="top">    <p><em>epsps </em>     <br>       <em>Csr1&shy;2 </em>    <br>       <em>pat </em>    <br>       <em>pat</em></p>           <p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cry1Ac/epsps</p></td>     <td width="142" valign="top">    <p>Toler&acirc;ncia a    herbicida    <br>       Toler&acirc;ncia a    herbicida Toler&acirc;ncia a herbicida Toler&acirc;ncia a herbicida</p>           <p>Resist&ecirc;ncia    a insetos&nbsp;&nbsp; e toler&acirc;ncia a&nbsp; herbicida</p></td>     <td width="90" valign="top">    <p align="center">Monsanto     <br>       Embrapa/Basf     <br>       Bayer    <br>       Bayer</p>           <p align="center">&nbsp;</p>           <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="76" valign="top">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">06/1998    <br>       01/2009    <br>       10/2007    <br>       10/2008</p>           <p align="center">&nbsp;</p>           <p align="center">06/2009</p></td>     <td width="62" valign="top">    <p align="center">10/1998    <br>       12/2009    <br>       02/2010    <br>       02/2010</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>           <p align="center">08/2010</p></td>     <td width="66" valign="top">    <p>5 meses(1)    <br>       12 meses    <br>       2 anos    <br>       2 anos</p>           <p>&nbsp;</p>           <p>14 meses</p></td>   </tr> </table>     <p>(1) essa decis&atilde;o  foi suspensa pela Justi&ccedil;a at&eacute; 2004.    <br> (2) o produto  descrito na &uacute;ltima linha j&aacute; pertence &agrave; segunda gera&ccedil;&atilde;o de transg&ecirc;nicos obtida  pelo cruzamento por gen&eacute;tica cl&aacute;ssica de dois transg&ecirc;nicos, um resistente a  insetos (gene Cry) e outro tolerante a herbicida (gene epsps)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><strong>TABELA 5</strong>    <br>   Algod&atilde;o  geneticamente modificado. Tempo decorrente entre submiss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o</p> <table border="1" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>     <td width="136">    <p align="center"><strong>Evento</strong></p></td>     <td width="144">    <p align="center"><strong>Gene</strong></p></td>     <td width="215">    <p align="center"><strong>Caracter&iacute;stica</strong></p></td>     <td width="87">    <p align="center"><strong>Empresa</strong></p></td>     <td width="87">    <p align="center"><strong>Submiss&atilde;o</strong></p></td>     <td width="87">    <p align="center"><strong>Decis&atilde;o</strong></p></td>     <td width="87">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><strong>Tempo</strong></p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>BollGard i</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry 1Ac</em></p></td>     <td width="215">    <p>Resist&ecirc;ncia a insetos</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="87">    <p align="center">05/2003</p></td>     <td width="87">    <p align="center">03/2005</p></td>     <td width="87">    <p align="center">2 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>LL</p></td>     <td width="144">    <p><em>pat</em></p></td>     <td width="215">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Bayer</p></td>     <td width="87">    <p align="center">05/2004</p></td>     <td width="87">    <p align="center">09/2008</p></td>     <td width="87">    <p align="center">4 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON 1445</p></td>     <td width="144">    <p><em>epsps</em></p></td>     <td width="215">    <p>Toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="87">    <p align="center">09/2004</p></td>     <td width="87">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">10/2008</p></td>     <td width="87">    <p align="center">4 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>Widestrike</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1F/Cry1Ac/pat</em></p></td>     <td width="215">    <p>Resist&ecirc;ncia a insetos e toler&acirc;ncia a    herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Dow</p></td>     <td width="87">    <p align="center">09/2006</p></td>     <td width="87">    <p align="center">03/2009</p></td>     <td width="87">    <p align="center">2    &frac12;&nbsp; anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>BollGard II</p></td>     <td width="144">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><em>Cry1Ac/Cry2Ab2</em></p></td>     <td width="215">    <p>Resist&ecirc;ncia a insetos</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="87">    <p align="center">06/2007</p></td>     <td width="87">    <p align="center">05/2009</p></td>     <td width="87">    <p align="center">2 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON 531 X MON    <br>       1445</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1Ac/epsps</em></p></td>     <td width="215">    <p>Resist&ecirc;ncia a insetos e toler&acirc;ncia a    herbicida</p></td>     <td width="87">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="87">    <p align="center">11/2008</p></td>     <td width="87">    <p align="center">10/2009</p></td>     <td width="87">    <p align="center">11    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>GHB 614</p></td>     <td width="144">    <p><em>2mepsps</em></p></td>     <td width="215">    <p>Toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Bayer</p></td>     <td width="87">    <p align="center">03/2010</p></td>     <td width="87">    <p align="center">12/2010</p></td>     <td width="87">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">9 meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>T30440/GHB119</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1Ab, Cry2Ae, Bar</em></p></td>     <td width="215">    <p>Resist&ecirc;ncia a insetos e toler&acirc;ncia a    herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Bayer</p></td>     <td width="87">    <p align="center">07/2010</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Em an&aacute;lise</p></td>     <td width="87">    <p align="center">-</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON88913</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cp4epsps</em></p></td>     <td width="215">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="87">    <p align="center">08/2010</p></td>     <td width="87">    <p align="center">Em an&aacute;lise</p></td>     <td width="87">    <p align="center">-</p></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><strong>&nbsp;</strong></p>     <p align="center"><strong>TABELA 6</strong>    <br>   Milho  geneticamente modificado. Tempo decorrente entre submiss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p> <table border="1" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>     <td width="136">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><strong>Evento</strong></p></td>     <td width="144">    <p align="center"><strong>Gene</strong></p></td>     <td width="178">    <p align="center"><strong>Caracter&iacute;stica</strong></p></td>     <td width="97">    <p align="center"><strong>Empresa</strong></p></td>     <td width="97">    <p align="center"><strong>Submiss&atilde;o</strong></p></td>     <td width="97">    <p align="center"><strong>Decis&atilde;o</strong></p></td>     <td width="97">    <p align="center"><strong>Tempo</strong></p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>BollGard    I</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry    1Ac</em></p></td>     <td width="178">    <p>resist&ecirc;ncia    a insetos</p></td>     <td width="97">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="97">    <p align="center">05/2003</p></td>     <td width="97">    <p align="center">03/2005</p></td>     <td width="97">    <p align="center">2 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>LL</p></td>     <td width="144">    <p><em>pat</em></p></td>     <td width="178">    <p>toler&acirc;ncia    a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Bayer</p></td>     <td width="97">    <p align="center">05/2004</p></td>     <td width="97">    <p align="center">09/2008</p></td>     <td width="97">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">4 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON    1445</p></td>     <td width="144">    <p><em>epsps</em></p></td>     <td width="178">    <p>toler&acirc;ncia    a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="97">    <p align="center">09/2004</p></td>     <td width="97">    <p align="center">10/2008</p></td>     <td width="97">    <p align="center">4 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>Widestrike</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1F/Cry1Ac/pat</em></p></td>     <td width="178">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>resist&ecirc;ncia    a insetos e toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Dow</p></td>     <td width="97">    <p align="center">09/2006</p></td>     <td width="97">    <p align="center">03/2009</p></td>     <td width="97">    <p align="center">2 &frac12;&nbsp; anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>BollGard    II</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1Ac/Cry2Ab2</em></p></td>     <td width="178">    <p>resist&ecirc;ncia    a insetos</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="97">    <p align="center">06/2007</p></td>     <td width="97">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">05/2009</p></td>     <td width="97">    <p align="center">2 anos</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON    531 x MON    <br>       1445</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1Ac/epsps</em></p></td>     <td width="178">    <p>resist&ecirc;ncia    a insetos e toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="97">    <p align="center">11/2008</p></td>     <td width="97">    <p align="center">10/2009</p></td>     <td width="97">    <p align="center">11 meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GHB    614</p></td>     <td width="144">    <p><em>2mepsps</em></p></td>     <td width="178">    <p>toler&acirc;ncia    a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Bayer</p></td>     <td width="97">    <p align="center">03/2010</p></td>     <td width="97">    <p align="center">12/2010</p></td>     <td width="97">    <p align="center">9 meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>T30440/GHB119</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cry1Ab,    Cry2Ae, Bar</em></p></td>     <td width="178">    <p>resist&ecirc;ncia    a insetos e toler&acirc;ncia a herbicida</p></td>     <td width="97">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">Bayer</p></td>     <td width="97">    <p align="center">07/2010</p></td>     <td width="97">    <p align="center">em an&aacute;lise</p></td>     <td width="97">    <p align="center">-</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="136">    <p>MON88913</p></td>     <td width="144">    <p><em>Cp4epsps</em></p></td>     <td width="178">    <p>toler&acirc;ncia    a herbicida</p></td>     <td width="97">    <p align="center">Monsanto</p></td>     <td width="97">    <p align="center">08/2010</p></td>     <td width="97">    <p align="center">em an&aacute;lise</p></td>     <td width="97">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">-</p></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><strong>TABELA 7</strong>    <br>   Vacinas  para uso animal. Tempo decorrente entre submiss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o</p> <table border="1" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0">   <tr>     <td width="144">    <p align="center"><strong>Produto</strong></p></td>     <td width="161">    <p align="center"><strong>Caracter&iacute;stica</strong></p></td>     <td width="106">    <p align="center"><strong>Empresa</strong></p></td>     <td width="106">    <p align="center"><strong>Submiss&atilde;o</strong></p></td>     <td width="106">    <p align="center"><strong>Decis&atilde;o</strong></p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><strong>Tempo</strong></p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Recombitek</p></td>     <td width="161">    <p>C&atilde;es/Viroses</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Merial</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/1988</p></td>     <td width="106">    <p align="center">05/1998</p></td>     <td width="106">    <p align="center">3    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Vaxxitek MD/iBD</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/Marek-Gumboro</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Merial</p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">11/2003</p></td>     <td width="106">    <p align="center">05/2004</p></td>     <td width="106">    <p align="center">6    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>PrV Marker</p></td>     <td width="161">    <p>Suinos/aujeszky</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Schering</p></td>     <td width="106">    <p align="center">06/2002</p></td>     <td width="106">    <p align="center">11/2006</p></td>     <td width="106">    <p align="center">4    anos (*)</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Suvaxyn PCV2</p></td>     <td width="161">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Suinos/Circovirose</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Fort    Dodge</p></td>     <td width="106">    <p align="center">04/2007</p></td>     <td width="106">    <p align="center">03/2008</p></td>     <td width="106">    <p align="center">11    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Ingelvac</p></td>     <td width="161">    <p>Suinos/Circovirose</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Boehringer</p></td>     <td width="106">    <p align="center">05/2007</p></td>     <td width="106">    <p align="center">06/2008</p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">1    ano</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>P. Circumvent</p></td>     <td width="161">    <p>Suinos/Circovirose</p></td>     <td width="106">    <p align="center">intervet</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2008</p></td>     <td width="106">    <p align="center">10/2008</p></td>     <td width="106">    <p align="center">7    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Poulvac</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/<em>E. coli</em></p></td>     <td width="106">    <p align="center">Fort    Dodge</p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">02/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">10/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">8    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Vectormune FP-MG</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/roup-Micoplasma</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Ceva</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">12/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">10    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Vectormune FP-MG+ae</p></td>     <td width="161">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aves/roup-encefalomielite</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Ceva</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">12/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">10    meses</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Vectormune HVt-iBD</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/Marek-Gumboro</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Ceva</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2010</p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">1    ano</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>Vectormune HVt-NDV</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/Marek-Newcastle</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Ceva</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2009</p></td>     <td width="106">    <p align="center">02/2010</p></td>     <td width="106">    <p align="center">1    ano</p></td>   </tr>   <tr>     <td width="144">    <p>PouvacSt</p></td>     <td width="161">    <p>Aves/Salmonelose</p></td>     <td width="106">    <p align="center">Fort    Dodge</p></td>     <td width="106">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">05/2010</p></td>     <td width="106">    <p align="center">11/2010</p></td>     <td width="106">    <p align="center">6    meses</p></td>   </tr> </table>     <p>(*) essa vacina foi rejeitada apesar de  receber 17 votos a favor e 4 contra. o estranhamento que isso gerou fez com que  o Congresso Nacional mudasse o qu&oacute;rum de aprova&ccedil;&atilde;o para libera&ccedil;&otilde;es comerciais  de 2/3 dos membros para maioria absoluta.</p> <br clear="all">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aprofundado estudo    da C&eacute;leres (2010) informa que a ado&ccedil;&atilde;o do algod&atilde;o    BollGard, resistente a insetos, resultou numa redu&ccedil;&atilde;o do uso de    &aacute;gua - diretamente relacionada com a aspers&atilde;o de inseticidas -    de 42,5 milh&otilde;es de litros na colheita 2008-2009. Proje&ccedil;&otilde;es    levam a crer que, se a ado&ccedil;&atilde;o da tecnologia for mantida na velocidade    atual ou maior, o Brasil economizar&aacute; entre 3 e 4 bilh&otilde;es de litros    de &aacute;gua no per&iacute;odo 2009-2010 a 2018-2019. Na colheita 2008-2009,    foram economizados 350.000 litros de &oacute;leo diesel, o que resultou numa    diminui&ccedil;&atilde;o de 940 toneladas do CO<sub>2</sub> lan&ccedil;ado na    atmosfera. As proje&ccedil;&otilde;es para a pr&oacute;xima d&eacute;cada tamb&eacute;m    indicam uma diminui&ccedil;&atilde;o de uso de &oacute;leo diesel de 25 milh&otilde;es    de litros correspondendo &agrave; retirada de circula&ccedil;&atilde;o de uma    frota de 10.000 autom&oacute;veis no per&iacute;odo. Isso significaria uma redu&ccedil;&atilde;o    da emiss&atilde;o de 66.000 a 91.000 toneladas de CO<sub>2</sub> correspondendo    a preservar entre 489.000 - 676.000 &aacute;rvores. Essa vantagem na ado&ccedil;&atilde;o    de organismos geneticamente modificados &eacute; tamb&eacute;m vista nas culturas    de milho e soja no Brasil: menor uso de inseticidas, de &aacute;gua e &oacute;leo  diesel, bem como menor emiss&atilde;o de gases do efeito estufa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>POSS&Iacute;VEIS    NOVOS CAMINHOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) Produzir OGMs    com genes direcionados para absorver o m&aacute;ximo de fertilizante a fim de    aumentar os rendimentos na colheita.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) Produzir subst&acirc;ncias    no OGM que reforcem as defesas gen&eacute;ticas naturais contra danos provocados    por insetos e contamina&ccedil;&atilde;o por fungos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) Transformar    as plantas em organismos mais resistentes ao <i>stress</i> - frio, seca, excesso    de sal, calor - que s&atilde;o caracter&iacute;sticas expressas por genes encontrados    em outras plantas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4) Melhorar o valor    nutricional dos alimentos em dire&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas sem mudar    as outras caracter&iacute;sticas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5) Reduzir o uso    de pesticidas qu&iacute;micos usando genes que est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o    em microrganismos do solo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6) Reduzir o impacto    ambiental do gado introduzindo modifica&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas no    capim a fim de reduzir as emiss&otilde;es de metano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7) Fornecer alternativas    para uso industrial construindo plantas direcionadas a fazer amido, combust&iacute;veis,    subst&acirc;ncias farmac&ecirc;uticas, usando apenas a energia solar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A POSI&Ccedil;&Atilde;O    DO VATICANO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em uma semana de    estudos (15-19/5/2009) sobre "Plantas Transg&ecirc;nicas para Seguran&ccedil;a    Alimentar no Contexto do Desenvolvimento", patrocinados pela Pontif&iacute;cia    Academia de Ci&ecirc;ncias em sua sede na Casina Pio IV no Vaticano, os participantes    reafirmaram as conclus&otilde;es de documento anterior oriundo de uma sess&atilde;o    de estudo denominada "Plantas Geneticamente Modificadas para Combater a Fome    no Mundo" que, em resumo, afirma que a agricultura como praticada atualmente    &eacute; insustent&aacute;vel pelo uso exagerado de pesticidas e pela eros&atilde;o    maci&ccedil;a do solo e que a aplica&ccedil;&atilde;o da engenharia gen&eacute;tica    e outras modernas t&eacute;cnicas moleculares contribui para enfrentar esses    desafios. O documento &eacute; um manifesto de confian&ccedil;a na comunidade    cient&iacute;fica mundial e dentre outras coisas ensina (Potrykus &amp; Ammann,    2010):</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"H&aacute; muitos    termos distintos usados para descrever processos envolvidos em cruzamentos de    plantas. Todos os organismos vivos s&atilde;o feitos de c&eacute;lulas nas quais    est&atilde;o contidos os genes que lhes proporcionam caracter&iacute;sticas    distintivas. O conjunto completo de genes (o gen&oacute;tipo) &eacute; contido    no DNA e &eacute; denominado genoma; &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria    que &eacute; passada dos pais para a descend&ecirc;ncia. Todo o cruzamento de    plantas, e de fato toda a evolu&ccedil;&atilde;o, envolve mudan&ccedil;as gen&eacute;ticas    ou modifica&ccedil;&otilde;es seguidas de sele&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas    mais ben&eacute;ficas dentre os descendentes. A maioria das altera&ccedil;&otilde;es    do fen&oacute;tipo ou caracter&iacute;sticas observ&aacute;veis (tais como a    estrutura f&iacute;sica, o desenvolvimento, as propriedades bioqu&iacute;micas    e nutricionais) resulta de mudan&ccedil;as no gen&oacute;tipo. O cruzamento    tradicional de plantas usa o embaralhamento aleat&oacute;rio dos genes entre    esp&eacute;cies sexualmente compat&iacute;veis ou bastante pr&oacute;ximas,    frequentemente com consequ&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis e sempre com os    detalhes inexplorados das modifica&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas. Em meados    do s&eacute;culo XX isso foi suplementado com muta&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;,    o tratamento aleat&oacute;rio de sementes ou de plantas com subst&acirc;ncias    qu&iacute;micas mutag&ecirc;nicas ou radia&ccedil;&atilde;o de alta energia    na esperan&ccedil;a de obter melhoramento fenot&iacute;pico; isso tamb&eacute;m    leva a consequ&ecirc;ncias gen&eacute;ticas imprevis&iacute;veis e tamb&eacute;m    n&atilde;o estudadas: o agricultor selecionava as plantas com caracter&iacute;sticas    mais convenientes. Mais recentemente, desenvolveram-se t&eacute;cnicas que permitem    a transfer&ecirc;ncia de genes espec&iacute;ficos, identificados e bem caracterizados,    ou pequenos blocos de genes que conferem tra&ccedil;os particulares, acompanhada    de an&aacute;lise precisa dos resultados gen&eacute;ticos e fenot&iacute;picos:    esta &uacute;ltima categoria &eacute; chamada 'transg&ecirc;nese' (pelo fato    de que genes s&atilde;o transferidos de um doador a um receptor) ou 'engenharia    gen&eacute;tica'. No entanto, verdadeiramente, esse termo aplica-se a todos    os cruzamentos, qualquer que seja o procedimento usado".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa descri&ccedil;&atilde;o    did&aacute;tica do processo de cruzamento gen&eacute;tico est&aacute; esquematizada    na <a href="#f3">Figura 3</a>. A revolu&ccedil;&atilde;o verde    que deu o Pr&ecirc;mio Nobel a Norman Borlaug baseou-se em intenso emprego de    mutag&ecirc;nese de variedades existentes e cruzamentos entre variedades, com    a sele&ccedil;&atilde;o dos melhores tra&ccedil;os. Ainda comemos variedades,    como arroz, que foram obtidas dessa forma, por exemplo, o arroz resistente ao    herbicida imidazolinona, que elimina, nas planta&ccedil;&otilde;es, o indesejado    arroz vermelho. Pela Figura 3 n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a conceitual    entre uma variedade convencional obtida por cruzamento cl&aacute;ssico e outra    que recebeu um transgene com uma determinada caracter&iacute;stica. A &uacute;nica    diferen&ccedil;a &eacute; que nos cruzamentos cl&aacute;ssicos, seja com variedades    convencionais ou mutagenisadas, desconhece-se quais genes foram transmitidos,    selecionando-se <i>a posteriori</i> a planta com as caracter&iacute;sticas desejadas,    enquanto no transg&ecirc;nico sabe-se exatamente qual gene foi introduzido e    onde ele est&aacute;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="f3" id="f3"></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">    <br>   <img src="/img/revistas/rusp/n89/11f03.jpg" alt="fig 3" width="618" height="505"><br clear="ALL"> </p>     <p>Na tecnologia convencional a planta resultante de um cruzamento entre uma planta doadora e uma variedade comercial possui genes misturados de ambas. Se a planta doadora foi submetida &agrave; mutag&ecirc;nese por radia&ccedil;&atilde;o ou subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, seu cruzamento com a variedade comercial igualmente resultar&aacute; em uma mistura de genes, inclusive os mutados. Esses genes misturados normalmente n&atilde;o s&atilde;o e nunca foram submetidos a regulamenta&ccedil;&atilde;o. J&aacute; nos processos biotecnol&oacute;gicos modernos o gene de interesse do doador &eacute; isolado em laborat&oacute;rio e introduzido na variedade comercial, resultando em nova variedade que cont&eacute;m somente aquela nova caracter&iacute;stica, normalmente localiz&aacute;vel no genoma (Gene 1). O doador tamb&eacute;m pode ser um DNA previamente mutado e o gene mutado isolado &eacute; introduzido na variedade comercial como no caso anterior (Gene 2). Nesses dois &uacute;ltimos casos h&aacute; forte regulamenta&ccedil;&atilde;o, embora as novas variedades resultantes sejam facilmente caracteriz&aacute;veis, ao contr&aacute;rio daquelas obtidas pelos m&eacute;todos tradicionais.</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As t&eacute;cnicas    de engenharia gen&eacute;tica introduziram uma revolu&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea    de medicamentos, vacinas, alimentos e energia. O primeiro transg&ecirc;nico    comercializado foi a insulina e logo depois o horm&ocirc;nio de crescimento.    Esse &uacute;ltimo, que era obtido de hip&oacute;fises de cad&aacute;veres,    muitas vezes cotransmitia o pr&iacute;on - tamb&eacute;m uma prote&iacute;na    - que determina a doen&ccedil;a de Creutzfeldt-Jakob, a vers&atilde;o humana    da doen&ccedil;a da vaca louca. A introdu&ccedil;&atilde;o em bact&eacute;rias    dos genes humanos que codificam essas prote&iacute;nas eliminou v&aacute;rios    problemas carreados pelas prepara&ccedil;&otilde;es anteriores, que tinham origem    em animais ou seres humanos. Seguiram-se vacinas como a da hepatite B, HPV,    e v&aacute;rias vacinas para animais. Muitas enzimas adicionadas ao sab&atilde;o    em p&oacute; s&atilde;o prote&iacute;nas recombinantes, assim como a quimosina    usada para a fabrica&ccedil;&atilde;o de queijos, at&eacute; os franceses. Recentemente,    modifica&ccedil;&otilde;es em levedura est&atilde;o gerando precursores de borracha    (isopreno) e &oacute;leo diesel (farneseno). As leveduras modificadas ser&atilde;o    a base da ind&uacute;stria qu&iacute;mica futura, pois a fermenta&ccedil;&atilde;o    de leveduras transg&ecirc;nicas fornecer&aacute; 2, 3, 4, 5 e mais carbonos    para s&iacute;nteses org&acirc;nicas. Aos poucos o petr&oacute;leo ser&aacute;    substitu&iacute;do, para esse efeito. Recentemente, a CTNBio aprovou a libera&ccedil;&atilde;o    planejada (contida) de machos do mosquito <i>Aedes aegypti</i> em algumas &aacute;reas    da regi&atilde;o de Juazeiro na Bahia. A linhagem OX513A cont&eacute;m um transgene    que produz uma prote&iacute;na lesiva, em 7 dias, &agrave; musculatura do mosquito    macho. O promotor (sinal de funcionamento) desse gene &eacute; inibido com tetraciclina.    Na aus&ecirc;ncia desse antibi&oacute;tico o mosquito macho morre. Por isso,    as larvas do mosquito macho s&atilde;o criadas em laborat&oacute;rio na presen&ccedil;a    de tetraciclina. Quando o mosquito nasce ele &eacute; lan&ccedil;ado na natureza    para competir com os outros machos pelas f&ecirc;meas do Aedes. Espera-se que    eles ganhem essa competi&ccedil;&atilde;o porque a prole que nascer morrer&aacute;,    j&aacute; que na natureza n&atilde;o h&aacute; tetraciclina. O experimento &eacute;    seguro porque os machos n&atilde;o picam seres humanos, s&oacute; as f&ecirc;meas    e s&atilde;o elas que transmitem a dengue. O experimento durar&aacute; dois    anos e a l&iacute;der do projeto &eacute; uma pesquisadora brasileira da USP.    Outro exemplo a demonstrar que estamos lentamente avan&ccedil;ando &eacute;    o novo pedido de pesquisadores da Embrapa para libera&ccedil;&atilde;o planejada    do feij&atilde;o transg&ecirc;nico resistente ao v&iacute;rus do mosaico dourado,    desenvolvido inteiramente no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas os produtos    transg&ecirc;nicos que causam pol&ecirc;mica, por raz&otilde;es dif&iacute;ceis    de compreender, s&atilde;o os alimentos. Os alimentos transg&ecirc;nicos s&atilde;o    seguros e existem desde 1995. A exig&ecirc;ncia de regulamenta&ccedil;&otilde;es    exageradas, com argumentos ret&oacute;ricos ao arrepio das evid&ecirc;ncias    cient&iacute;ficas, imp&otilde;e o atraso aos pa&iacute;ses em desenvolvimento,    notadamente nos pa&iacute;ses da &Aacute;frica. Multinacionais poderosas n&atilde;o    se importam com o dinheiro que t&ecirc;m de gastar para cumprir as exig&ecirc;ncias    da estrita regulamenta&ccedil;&atilde;o. No entanto, pequenas empresas ou estatais    como a Embrapa n&atilde;o t&ecirc;m or&ccedil;amento suficiente para cumprir    com tudo o que se lhes exige para a aprova&ccedil;&atilde;o. O excesso de regulamenta&ccedil;&atilde;o    favorece as empresas com muito poder econ&ocirc;mico. Por isso, &eacute; imperioso    iniciar a desregula&ccedil;&atilde;o dessa &aacute;rea porque est&aacute; provado    que esses alimentos nada fazem ao ambiente e &agrave; sa&uacute;de, ao contr&aacute;rio,    s&atilde;o ben&eacute;ficos. Os interessados em informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    mais aprofundadas podem ler na &iacute;ntegra os pareceres da CTNBio levados    &agrave; vota&ccedil;&atilde;o para libera&ccedil;&atilde;o comercial (<a href="http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/12786.html" target="_blank">http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/12786.html</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ANDRADE, P. P.;    NEPOMUCENO, A. L.; VIEIRA, M. L. C.; BARROSO, P. A. V.; TAPIAS, B. A.; COLLI,    W. &amp; PAIVA, E. <i>Milho Geneticamente Modificado: Bases Cient&iacute;ficas    das Normas de Coexist&ecirc;ncia entre Cultivares</i>. 1ª ed. Editora do Minist&eacute;rio    de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004928&pid=S0103-9989201100020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BROOKES, G. &amp;    BARFOOT, P. "Global Impact of Biotech Crops: Socio-Economic and Environmental    Effects in the First Ten Years of Commercial Use", in <i>AgBioForum</i> 9, 2006,    pp. 139-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004930&pid=S0103-9989201100020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">C&Eacute;LERES    AMBIENTAL. <i>The Social Environmental Benefits from Crop Biotechnology in Brazil:    1996-2009</i>. Uberl&acirc;ndia, 2010 (<a href="http://www.celeresambiental.com.br" target="_blank">www.celeresambiental.com.br</a>).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004932&pid=S0103-9989201100020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DELANEY, B.; ASTWOOD,    J. D.; CUNNY, H.; CONN, R. E.; HEROUET-GUICHENEY, C.; MACINTOSH, S.; MEYER,    L. S.; PRIVALLE, L.; GAO, Y.; MATTSSON, J. &amp; LEVINE, M. "Evaluation of Protein    Safety in the Context of Agricultural Biotechnology", in <i>Food Chem. Toxicol.</i>    46, 2008, S71-S97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004934&pid=S0103-9989201100020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FEDOROFF, N. &amp;    BROWN, N. M. <i>Mendel in the Kitchen: A Scientist's View of Genetically Modified    Foods</i>. Joseph Henry Press, Washington, DC., 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004936&pid=S0103-9989201100020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GOODMAN, R. E.;    VIETHS, S.; SAMPSON, H. A.; HILL, D.; EBISAWA, M.; TAYLOR, S. &amp; VAN REE,    R. "Allergenicity Assessment of Genetically Modified Crops - What Makes Sense?",    in <i>Nature Biotech</i>. 26, 2008, pp. 73-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004938&pid=S0103-9989201100020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JAMES, C. Global    Status of Commercialized Biotech/GM Crops: 2009. ISAAA Brief n&#186; 41, ISAAA,    Ithaca, NY.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004940&pid=S0103-9989201100020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KEESE, P. "Risks    from GMOs due to Horizontal Gene Transfer. Environ", in <i>Biosafety Res.</i>    7, 2008, pp. 123-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004942&pid=S0103-9989201100020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KEESE, P. Office    of the Gene Technology Regulator. Risk Analysis Framework. <a href="http://www.ogtr.gov.au/internet/ogtr/publishing.nsf/Content/riskassessments-1" target="_blank">http://www.ogtr.gov.au/internet/ogtr/publishing.nsf/Content/riskassessments-1</a>.    2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004944&pid=S0103-9989201100020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MALARKEY, T. "Human    Health Concerns with GM Crops", in <i>Mutation Res.</i> 544, 2003, pp. 217-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004946&pid=S0103-9989201100020001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POTRYKUS, I. &amp;    AMMANN, K. "Transgenic Plants for Food Security in the Context of Development",    in <i>New Biotechnology</i> 27, 2010, pp. 445-717.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004948&pid=S0103-9989201100020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RAYBOULD, A. "Problem    Formulation and Hypothesis Testing for Environmental Risk Assessments of Genetically    Modified Crops", in <i>Environ. Biosafety Res.</i> 5, 2006, pp. 119-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004950&pid=S0103-9989201100020001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ROMEIS, J.; BARTSCH,    D.; BIGLER, F.; CANDOLFI, M. P.; GIELKENS, M. M. C.; HARTLEY, S. E.; HELLMICH,    R. L.; HUESING, J. E.; JEPSON, P. C.; LAYTON, R.; QUEMADA, H.; RAYBOULD, A.;    ROSE, R. I.; SCHIEMANN, J.; SEARS, M. K.; SHELTON, A. M.; SEET, J.; VAITUZIS,    Z. &amp; WOLT, J. D. "Assessment of Risk of Insect-resistant Transgenic Crops    to Nontarget Arthropods", in <i>Nature Biotechnology</i> 26, 2008, pp. 203-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004952&pid=S0103-9989201100020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VAN DEN BELT, H.    "Debating the Precautionary Principle: 'Guilty until Proven Innocent' or 'Innocent    until Proven Guilty'"?, in <i>Plant Physiol.</i> 132, 2003, pp. 1.122-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004954&pid=S0103-9989201100020001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">WATSON, J. D.;    BERRY, Andrew. <i>DNA: o Segredo da Vida</i>. S&atilde;o Paulo, Companhia das    Letras, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=004956&pid=S0103-9989201100020001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Agrade&ccedil;o a colabora&ccedil;&atilde;o decisiva de Patr&iacute;cia    Fukuma aos coment&aacute;rios sobre a legisla&ccedil;&atilde;o pertinente, a    William Barbosa pelos desenhos e a Alda Lerayer pelo fornecimento de dados socioecon&ocirc;micos  recentes e pela inspira&ccedil;&atilde;o no desenho da Figura 3.</font></p>      ]]></body>
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