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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A inovação, a competitividade e a projeção mundial das empresas brasileiras]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The capacity to innovate is decisive as regards competition among companies and nations. So, it is necessary to discuss with all sectors of society the role of innovation in its social and economic development. Concerning that, this text aims at discussing issues such as investments in education, the coherence and complementary relationship shared by public and private investment in R&D (Research and Development), the governance of the SNI (National Innovation System) with a bigger participation of companies, and the intellectual property as key elements in the innovation environment of a country. Although it is possible to identify some considerable advances as regards these issues in Brazil in the last few years, some of the limitations and difficulties still persist, and that can place us far from the other countries in our quest for competitiveness.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>A inova&ccedil;&atilde;o, a competitividade e a proje&ccedil;&atilde;o mundial    das empresas brasileiras</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Carlos Eduardo    Calmanovici</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diretor do departamento    de Inova&ccedil;&atilde;o e Tecnologia da ETH Bioenergia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A capacidade de    inovar &eacute; determinante para a competitividade das empresas e das na&ccedil;&otilde;es.    Assim, &eacute; necess&aacute;rio discutir, com todos os setores da sociedade,    o papel da inova&ccedil;&atilde;o no seu desenvolvimento econ&ocirc;mico e social.    Nesse sentido, este texto procura discutir quest&otilde;es como investimentos    em educa&ccedil;&atilde;o, a coer&ecirc;ncia e a complementaridade entre investimento    p&uacute;blico e privado em P&amp;D (pesquisa e desenvolvimento), a governan&ccedil;a    do SNI (Sistema Nacional de Inova&ccedil;&atilde;o) com maior participa&ccedil;&atilde;o    das empresas e a propriedade intelectual como elementos importantes do ambiente    de inova&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s. Embora seja poss&iacute;vel identificar    avan&ccedil;os significativos nessas quest&otilde;es no Brasil nos &uacute;ltimos    anos, algumas das limita&ccedil;&otilde;es ou dificuldades ainda persistem e    podem nos distanciar dos demais pa&iacute;ses na busca pela competitividade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, inova&ccedil;&atilde;o, investimento    p&uacute;blico e privado.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The capacity to    innovate is decisive as regards competition among companies and nations. So,    it is necessary to discuss with all sectors of society the role of innovation    in its social and economic development. Concerning that, this text aims at discussing    issues such as investments in education, the coherence and complementary relationship    shared by public and private investment in R&amp;D (Research and Development),    the governance of the SNI (National Innovation System) with a bigger participation    of companies, and the intellectual property as key elements in the innovation    environment of a country. Although it is possible to identify some considerable    advances as regards these issues in Brazil in the last few years, some of the    limitations and difficulties still persist, and that can place us far from the    other countries in our quest for competitiveness.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    social and economic development, innovation, public and private investment.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Discutimos, aqui,    a ques-t&atilde;o da competitividade das empresas no contexto global a partir    da perspectiva da inova&ccedil;&atilde;o como processo e como resultado do esfor&ccedil;o    em P&amp;D (pesquisa e desenvolvimento) no Brasil. O presente texto indica a    possibilidade de diferencia&ccedil;&atilde;o das empresas inovadoras no mercado    e algumas das dificuldades do Brasil nessa busca pela competitividade. As limita&ccedil;&otilde;es    em estimular plenamente a inova&ccedil;&atilde;o na sociedade brasileira, nas    empresas em particular, subtraem competitividade ao pa&iacute;s e representam    obst&aacute;culo a um maior desenvolvimento econ&ocirc;mico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ado&ccedil;&atilde;o    de uma pol&iacute;tica industrial de longo prazo na qual a inova&ccedil;&atilde;o    tenha destaque &eacute; fundamental para garantir o desenvolvimento econ&ocirc;mico    e social. Deve apontar as &aacute;reas estrat&eacute;gicas da economia brasileira    e considerar o adensamento tecnol&oacute;gico da balan&ccedil;a comercial brasileira    aliando os esfor&ccedil;os em inova&ccedil;&atilde;o do Brasil em ci&ecirc;ncia    b&aacute;sica e tecnologia. A busca por novos modelos, instrumentos e arranjos    organizacionais &eacute; essencial para garantirmos a consolida&ccedil;&atilde;o    do existente e a evolu&ccedil;&atilde;o para uma lideran&ccedil;a brasileira    em inova&ccedil;&atilde;o. A capacidade de inovar &eacute; determinante para    a competitividade das empresas e das na&ccedil;&otilde;es em um mundo cada vez    mais globalizado. Assim, &eacute; necess&aacute;rio avaliar e discutir, com    o conjunto da sociedade, os caminhos da inova&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica.    &Eacute; necess&aacute;rio estimular, alinhar os esfor&ccedil;os e criar sinergia    em torno de inova&ccedil;&otilde;es que gerem riqueza e competitividade para    o pa&iacute;s, incluindo desde investimentos em ci&ecirc;ncia b&aacute;sica    at&eacute; o sistema de incubadoras, parques tecnol&oacute;gicos, ag&ecirc;ncias    de transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica das universidades p&uacute;blicas,    institutos de ci&ecirc;ncia e tecnologia p&uacute;blicos e privados, ag&ecirc;ncia    de propriedade intelectual, ag&ecirc;ncias p&uacute;blicas de fomento e empresas    inovadoras que, com foco no mercado, organizem esse conjunto de investimentos    sob a &eacute;gide de uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica integradora para o    desenvolvimento, a produ&ccedil;&atilde;o e a comercializa&ccedil;&atilde;o    de novos bens e servi&ccedil;os para a sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, hoje,    ci&ecirc;ncia e tecnologia fazem parte do cotidiano das pessoas atrav&eacute;s    da inova&ccedil;&atilde;o, por exemplo, quando se abastece um autom&oacute;vel    com etanol biocombust&iacute;vel ou quando se faz um tratamento de sa&uacute;de    especializado. Apesar dessa proximidade crescente da tecnologia com o cotidiano    das pessoas, algumas das quest&otilde;es b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o    permanecem sem resposta. Para que n&atilde;o seja apenas um mero modismo, o    esfor&ccedil;o em inova&ccedil;&atilde;o deve estabelecer ou consolidar uma    cultura inovadora genu&iacute;na no pa&iacute;s incentivando o esfor&ccedil;o    em P&amp;D nas empresas, l&oacute;cus privilegiado da inova&ccedil;&atilde;o.    E, para isso, &eacute; necess&aacute;rio contar com a mobiliza&ccedil;&atilde;o    de diversos setores da sociedade. O investimento, p&uacute;blico ou privado,    nacional ou internacional, em empresas que tenham compet&ecirc;ncia em desenvolver    e oferecer produtos e servi&ccedil;os inovadores e competitivos utilizando seu    pr&oacute;prio conhecimento e experi&ecirc;ncia interna, e que tamb&eacute;m    saibam como buscar, recuperar e valorizar conhecimento acad&ecirc;mico e cient&iacute;fico    transformando-o em tecnologias com retorno para a sociedade, &eacute; o elemento    fundamental desse processo de constru&ccedil;&atilde;o de trajet&oacute;rias    sustent&aacute;veis para a inova&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a educa&ccedil;&atilde;o    da popula&ccedil;&atilde;o garante a pereniza&ccedil;&atilde;o desse processo.    Estamos participando de um jogo din&acirc;mico num ambiente internacional extremamente    complexo e competitivo, no qual o Brasil e a grande maioria de suas empresas    ainda t&ecirc;m pouca penetra&ccedil;&atilde;o. Teremos que encontrar respostas    para todas essas quest&otilde;es se quisermos algum protagonismo brasileiro    nesse contexto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; importante    pontuar que a inova&ccedil;&atilde;o &eacute; gerada, essencialmente, pela busca    pela competitividade das empresas e das na&ccedil;&otilde;es. Entender esse    ponto ajudar&aacute; a analisar e entender as causas para a relativamente pouca    resposta e baixa aplicabilidade dos atuais instrumentos de fomentos &agrave;    inova&ccedil;&atilde;o na perspectiva do setor produtivo. Esperamos que essa    contribui&ccedil;&atilde;o seja efetiva para o aprimoramento dos mesmos, processo    que deveria ser considerado natural e cont&iacute;nuo em qualquer situa&ccedil;&atilde;o,    principalmente no contexto do jovem sistema brasileiro de inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os caminhos da    inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o vias de dois sentidos: no primeiro a inova&ccedil;&atilde;o    &eacute; "puxada" pelo mercado (<i>market pull</i>), isto &eacute;, quando o    processo de desenvolvimento de uma inova&ccedil;&atilde;o tem origem em uma    exig&ecirc;ncia ou necessidade do mercado. Nesses casos, a inova&ccedil;&atilde;o    &eacute; comandada pela perspectiva do mercado. A empresa busca, ent&atilde;o,    o conhecimento necess&aacute;rio, internamente e/ou em terceiros, para desenvolver    o produto que atenda &agrave;s demandas do mercado. No sentido oposto, um produto    inovador &eacute; desenvolvido pela empresa pela disponibilidade de um novo    conhecimento ou tecnologia. Esse novo conhecimento pode ser gerado em seu pr&oacute;prio    centro de pesquisa e/ou em uma universidade e/ou uma ICT. De qualquer modo,    permitir&aacute; &agrave; empresa desenvolver e oferecer ao mercado um produto    novo e competitivo. &Eacute; o sentido conhecido como <i>technology push</i>.    Frequentemente, esse segundo processo prevalece na formula&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, a pr&aacute;tica    desmente essa preval&ecirc;ncia. A din&acirc;mica da inova&ccedil;&atilde;o    sempre ser&aacute; determinada pela quest&atilde;o da competitividade para entendimento    da motiva&ccedil;&atilde;o das empresas brasileiras qualquer que seja o sentido    da demanda e da oportunidade. Nota-se, portanto, a import&acirc;ncia do mercado    e sua demanda como fator propulsor de inova&ccedil;&otilde;es. Se, simultaneamente,    com o esfor&ccedil;o de aumentar a taxa de inova&ccedil;&atilde;o do setor produtivo    brasileiro, n&atilde;o houver um equivalente forte esfor&ccedil;o e apoio para    aumentar a competitividade e participa&ccedil;&atilde;o das empresas brasileiras    no mercado mundial, principalmente no de bens de maior valor agregado, jamais    as empresas ser&atilde;o protagonistas, de modo generalizado, n&atilde;o s&oacute;    no mercado de exporta&ccedil;&atilde;o de bem de maior valor agregado como no    pr&oacute;prio mercado interno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto,    um fator inibidor de um esfor&ccedil;o mais concentrado das empresas em dire&ccedil;&atilde;o    a uma maior competitividade tecnol&oacute;gica &eacute; o fato de que as empresas    nacionais, em v&aacute;rios setores, ainda concentram grande parte de seu esfor&ccedil;o    no mercado interno brasileiro uma vez que as atuais taxas de c&acirc;mbio desestimulam    uma maior inser&ccedil;&atilde;o no mercado mundial. &Eacute; natural que, com    a melhor distribui&ccedil;&atilde;o de renda da popula&ccedil;&atilde;o e com    os avan&ccedil;os na educa&ccedil;&atilde;o das pessoas, o n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia    evolua de forma significativa estimulando, cada vez mais, a busca por solu&ccedil;&otilde;es    de maior conte&uacute;do tecnol&oacute;gico. Al&eacute;m disso, esse mercado    crescente em volume e qualidade tem atra&iacute;do cada vez mais competidores    ao Brasil, que se consolida, aos poucos, num dos polos da competitividade global,    exigindo aten&ccedil;&atilde;o crescente para o tema da inova&ccedil;&atilde;o    como elemento diferenciador na competitividade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Somente um esfor&ccedil;o    concentrado e voltado para expandir a participa&ccedil;&atilde;o das empresas    brasileiras nos mercados nacional e internacional e para estimular a oferta    de produtos inovadores de custo competitivo poder&aacute; elevar significativamente    a taxa de inova&ccedil;&atilde;o, os investimentos privados em PD&amp;I no Brasil    e a gera&ccedil;&atilde;o de mais renda no pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONVIVENDO COM    O RISCO DA INOVA&Ccedil;&Atilde;O TECNOL&Oacute;GICA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Inova&ccedil;&atilde;o    &eacute; conceituada, frequentemente, a partir de seus resultados (OCDE, 2005).    O que d&aacute; sentido &agrave; inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os impactos    e as consequ&ecirc;ncias que produz na sociedade. Sem a verifica&ccedil;&atilde;o    desses resultados, financeiros ou n&atilde;o, a inova&ccedil;&atilde;o seria    in&oacute;cua e ficaria desprovida de qualquer significado. Assim, n&atilde;o    h&aacute; inova&ccedil;&atilde;o sem ousadia, n&atilde;o h&aacute; inova&ccedil;&atilde;o    sem riscos. Em fun&ccedil;&atilde;o disso e da necessidade de otimizar a aloca&ccedil;&atilde;o    dos recursos gastos e a minimiza&ccedil;&atilde;o dos riscos pelas empresas    nas atividades de PD&amp;I (pesquisa, desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o),    nota-se uma crescente e justificada preocupa&ccedil;&atilde;o com a estrutura&ccedil;&atilde;o    de programas de gest&atilde;o consistentes e efetivos. Sobretudo na &aacute;rea    de PD&amp;I, os resultados esperados (e prometidos) devem ser sempre considerados    a partir de uma perspectiva de risco e probabilidade de sucesso. O risco deve    ser gerenciado. Para tanto, h&aacute; que se considerar o ambiente competitivo    enfrentado pelas empresas, que as obriga a fazer escolhas dif&iacute;ceis e    pouco lineares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, j&aacute;    &eacute; da natureza das empresas conviver com riscos, sobretudo comerciais,    no ambiente de neg&oacute;cios. Assim, as empresas confirmam-se como atores    determinantes da inova&ccedil;&atilde;o. No entanto, para buscar uma inova&ccedil;&atilde;o    mais ousada, de ruptura talvez, ser&aacute; necess&aacute;rio conviver com incertezas    crescentes de tecnologias na fronteira do conhecimento. Isso exige uma mudan&ccedil;a    cultural importante nas empresas e na sociedade. Mais ainda, tamanha mudan&ccedil;a    parece mais f&aacute;cil em momentos de otimismo econ&ocirc;mico que tendem    a aumentar a toler&acirc;ncia ao risco das empresas. Estamos, no Brasil, justamente    nesse momento em que, conforme destacado pela Pintec 2008 (IBGE, 2010), o PIB    do pa&iacute;s cresceu 4% em 2006 e 6,1% em 2007. Por sua vez, o consumo das    fam&iacute;lias brasileiras aumentou, nos mesmos anos, respectivamente, 5,3%    e 6,3%, e a forma&ccedil;&atilde;o bruta de capital fixo apresentou eleva&ccedil;&atilde;o    de 9,8% e 13,9%, respectivamente. J&aacute; em 2008, mesmo com a crise econ&ocirc;mica    internacional no &uacute;ltimo trimestre do ano, o PIB do pa&iacute;s cresceu    5,1% e houve um aumento em quase todos os indicadores macroecon&ocirc;micos.    Para 2010, os valores est&atilde;o sendo apurados, mas pode-se prever crescimento    do PIB de cerca de 7%.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Coerentemente com    essa evolu&ccedil;&atilde;o dos indicadores macroecon&ocirc;micos, o investimento    em PD&amp;I vem aumentando no Brasil, tendo passado de 0,96% do PIB em 2001    para 1,02% do PIB em 2006 (OCDE, 2008) e atingindo 1,13% em 2008. Desse total,    as empresas participam com pouco menos de 50%, participa&ccedil;&atilde;o percentual    praticamente est&aacute;vel no per&iacute;odo considerado (CGIN, 2010). Ou seja,    mesmo considerando-se circunst&acirc;ncias relativamente adversas a investimentos    em PD&amp;I com a elevada taxa de juros, por exemplo, nota-se que as empresas    aumentaram seu investimento em PD&amp;I al&eacute;m do crescimento do PIB brasileiro    no per&iacute;odo. A pr&oacute;pria din&acirc;mica da competitividade imp&otilde;e    essa evolu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas vejamos esses    n&uacute;meros com mais detalhes. Uma primeira leitura dos resultados da Pintec    2008 (IBGE, 2010), ou seja, Pesquisa de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica    realizada pelo IBGE referente ao per&iacute;odo 2006-2008 e publicada em 2010,    nos induz a considerar que esse c&iacute;rculo virtuoso da economia est&aacute;    sendo desdobrado numa din&acirc;mica de inova&ccedil;&otilde;es, uma vez que,    no per&iacute;odo considerado, de um total de 100.496 empresas industriais,    38,1% declararam que implementaram, nesse per&iacute;odo, um produto ou processo    novo ou aprimorado contra 33,4% no per&iacute;odo de 2003-2005. No entanto,    quando analisamos o tipo de inova&ccedil;&atilde;o percebemos que somente 1.567    ou 4,1% das 38.229 empresas inovadoras lan&ccedil;aram um produto novo ou aprimorado    para o mercado e somente 2,3%, um processo novo. Nessa imers&atilde;o, observamos    que a aquisi&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas e equipamentos aparece como    a "atividade inovativa" mais importante da ind&uacute;stria representando 78,1%    do esfor&ccedil;o de inova&ccedil;&atilde;o contra pouco mais do que 4% do investimento    em P&amp;D. Esse movimento de importar conhecimento e tecnologia embarcada em    equipamentos, se persistente a m&eacute;dio ou longo prazo, ter&aacute; consequ&ecirc;ncias    negativas para as aspira&ccedil;&otilde;es de um Brasil competitivo tecnologicamente,    o que fica mais claro quando observamos que o n&uacute;mero de empresas que    realizaram atividades internas de P&amp;D caiu de 6,5% em 2005 para 4,4 % em    2008, ficando concentrada em 4.754 empresas, que, juntas, atingiram investimentos    da ordem de R$ 15 bilh&otilde;es nessa atividade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A BASE CIENT&Iacute;FICA    ESTABELECIDA E A ATRATIVIDADE DO BRASIL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Brasil consolida-se,    cada vez mais, como ator importante na gera&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia    no contexto internacional. &Agrave; produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    do Brasil, deve-se aliar, agora, a capacidade inovadora, colocando definitivamente    o pa&iacute;s num lugar relevante no mapa da inova&ccedil;&atilde;o mundial.    Para isso, devemos insistir no desenvolvimento da atratividade do Brasil a investimentos    em PD&amp;I.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De fato, o pa&iacute;s    vem sendo escolhido como destino de importantes investimentos em P&amp;D por    empresas multinacionais inovadoras. Essas empresas encontram aqui uma academia    forte e estruturada al&eacute;m de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas adequadas    e em cont&iacute;nuo aprimoramento. Mas, talvez, o motivo mais importante da    decis&atilde;o seja a exist&ecirc;ncia de um mercado consumidor em expans&atilde;o    com empresas inovadoras suportando cadeias produtivas competitivas e din&acirc;micas.    Da&iacute; decorre a import&acirc;ncia da valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento    acad&ecirc;mico produzido no Brasil nas suas empresas e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,    na sociedade. O desenvolvimento da inova&ccedil;&atilde;o nas empresas &eacute;    a &uacute;nica forma sustent&aacute;vel de seguir fazendo P&amp;D de qualidade    no Brasil com resultados efetivos e com a consolida&ccedil;&atilde;o de uma    forte cultura de inova&ccedil;&atilde;o na sociedade. Mais ainda, &eacute; a    &uacute;nica forma de garantir que o benef&iacute;cio gerado pelo conhecimento    cient&iacute;fico retorne sistematicamente para a sociedade direta ou indiretamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As empresas precisam    de leis e normas adequadas que possibilitem mecanismos de gest&atilde;o modernos,    &aacute;geis e eficazes e do bom funcionamento de organiza&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas de fomento, pesquisa e desenvolvimento articuladas entre si    e sens&iacute;veis &agrave;s demandas da sociedade. Empresas inovadoras que    realizem esfor&ccedil;o consistente de P&amp;D e que mantenham mecanismos permanentes    de prospec&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e avalia&ccedil;&atilde;o de oportunidades    poder&atilde;o contribuir para a captura de ganhos com inova&ccedil;&atilde;o    de forma maximizada assegurando, assim, a continuidade e o fortalecimento do    esfor&ccedil;o nacional no campo da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. A cria&ccedil;&atilde;o    dos fundos setoriais determinou a evolu&ccedil;&atilde;o do setor p&uacute;blico    de P&amp;D. No entanto, foi sua regulamenta&ccedil;&atilde;o e a legisla&ccedil;&atilde;o    recente da inova&ccedil;&atilde;o, ou seja, Lei do Bem e Lei da Inova&ccedil;&atilde;o    (CGEE/Anpei, 2008), que permitiram a inclus&atilde;o do setor privado na constru&ccedil;&atilde;o    dos caminhos da ci&ecirc;ncia, tecnologia e da inova&ccedil;&atilde;o no Brasil,    com destaque para a cria&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de subven&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desse grupo recente    de instrumentos de apoio financeiro &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, a Pintec    2008 (IBGE, 2010) aponta que o principal instrumento utilizado pela ind&uacute;stria    foi o financiamento para compras de m&aacute;quinas e equipamentos (14,2%).    J&aacute;, quando analisamos os instrumentos ligados diretamente ao esfor&ccedil;o    de desenvolvimento tecnol&oacute;gico (P&amp;D), observamos o modesto resultado    de 0,5% de uso dos instrumentos de subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica para    projetos de P&amp;D e contrata&ccedil;&atilde;o de pesquisadores, apenas 0,8%    de financiamento a projetos de inova&ccedil;&atilde;o em parceria com universidades    e centros de pesquisa e 1,1% de uso do benef&iacute;cio fiscal &agrave; inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa baixa ades&atilde;o    das empresas aos principais instrumentos de apoio &agrave;s atividades de P&amp;D    pode ser explicada, entre outras raz&otilde;es, pela restri&ccedil;&atilde;o    ao uso dos benef&iacute;cios fiscais &agrave;s empresas de lucro real (o que    exclui mais de 92% do total de empresas que declaram IR pelo regime de lucro    presumido, inclusive e na grande maioria, as micro e pequenas empresas de base    tecnol&oacute;gica), &agrave; din&acirc;mica de editais para a subven&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica e &agrave; ainda recente forma&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos    de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gicos das universidades brasileiras    &agrave; &eacute;poca da pesquisa Pintec.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De fato, conduzir    a estrat&eacute;gia de crescimento e inova&ccedil;&atilde;o das empresas a partir    do desenvolvimento de P&amp;D interno torna-se uma miss&atilde;o dif&iacute;cil    quando verificamos que somente 9% das empresas pesquisadas pela Pintec 2008    (IBGE, 2010) consideram o departamento de P&amp;D como fonte de informa&ccedil;&otilde;es    para a realiza&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es. Essa dificuldade    &eacute; intensificada pelos obst&aacute;culos do ambiente brasileiro, com destaque    para os custos elevados da inova&ccedil;&atilde;o (73,2% das empresas da Pintec    2008 indicaram essa restri&ccedil;&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o),    os excessivos riscos econ&ocirc;micos (65,9%) e a falta de pessoal qualificado    (57,8%).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse ambiente,    a entrada de medidas concretas de incentivo ao desenvolvimento de tecnologias    e produtos brasileiros de elevado conte&uacute;do tecnol&oacute;gico atrav&eacute;s    do poder de compra governamental (Lei 12.349, art. 1º, de 15/12/2010) e da ado&ccedil;&atilde;o    de incentivos ao desenvolvimento tecnol&oacute;gico das cadeias produtivas nacionais    torna-se relevante e deve estar necessariamente conectada &agrave; estrutura&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica industrial do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seguindo a mesma    linha de evolu&ccedil;&atilde;o, temos que garantir esfor&ccedil;os continuados    no desenvolvimento das pessoas, na inclus&atilde;o social e na sensibiliza&ccedil;&atilde;o    da sociedade para os ganhos com tecnologias mais eficientes e mais sustent&aacute;veis.    E isso &eacute; alcan&ccedil;ado com empresas inovadoras capazes de inovar e    transformar o conhecimento em produtos competitivos no mercado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A COMPETITIVIDADE    E A PROPRIEDADE INTELECTUAL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nada mais pragm&aacute;tico    para mensurar o sucesso do esfor&ccedil;o no adensamento tecnol&oacute;gico    da economia de um pa&iacute;s do que a an&aacute;lise do perfil de produtos    e servi&ccedil;os que s&atilde;o oferecidos. Nesse sentido, vale destacar alguns    n&uacute;meros relevantes: 38% do produto interno bruto dos Estados Unidos em    2007 era baseado em ind&uacute;strias intensivas em tecnologia e conhecimento    (KTI). A China, no mesmo per&iacute;odo, atingiu o patamar de 23% de seu PIB    com KTIs mostrando uma evolu&ccedil;&atilde;o marcante na &uacute;ltima d&eacute;cada    (Science and Engineering indicators 2010). Esse movimento pode ser observado    nas <a href="#f1">figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a>.</font></p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/13f01.jpg" usemap="#Map" border="0">    <map name="Map">      <area shape="rect" coords="464,20,475,32" href="#back1">   </map> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/13f02.jpg" usemap="#Map2" border="0">    <map name="Map2">      <area shape="rect" coords="304,55,312,64" href="#back2">   </map> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto,    um dado que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o teor da carteira de exporta&ccedil;&atilde;o    do Brasil. Por exemplo, em 2010, somente 4,6% das exporta&ccedil;&otilde;es    eram de alta intensidade tecnol&oacute;gica denunciando uma tend&ecirc;ncia    de queda desse indicador conforme pode ser visto na <a href="#f3">Figura 3</a>.</font></p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/13f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabemos que h&aacute;    forte rela&ccedil;&atilde;o entre a intensidade tecnol&oacute;gica de produtos    e processos e os sistemas de prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual.    Nesse sentido, nossa fragilidade pode ser entendida a partir do indicador de    dep&oacute;sitos de patentes brasileiras no mercado europeu (EPO). Com base    em OCDE 2008, enquanto o Brasil depositou 238 patentes, temos a China com 2.304,    a &Iacute;ndia com 606, a R&uacute;ssia com 267, Israel com 1.241 e a Coreia    com 4.185 dep&oacute;sitos. Outro aspecto do problema passa pelo amadurecimento    do sistema nacional de propriedade intelectual, incluindo uma ampla difus&atilde;o    de seu impacto na competitividade brasileira. A agilidade, o aprofundamento    t&eacute;cnico do &oacute;rg&atilde;o nacional de gest&atilde;o da propriedade    intelectual e sua integra&ccedil;&atilde;o com as entidades de PI dos mercados    globais estrat&eacute;gicos de interesse da ind&uacute;stria brasileira tornam-se    elos fundamentais dessa din&acirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desafio na &aacute;rea    de patentes come&ccedil;a com o p<i>razo de concess&atilde;o de patentes no    Brasil (INPI 2010)</i> enquanto o prazo m&eacute;dio de concess&atilde;o de    patentes na Coreia, no Estados Unidos e na Europa oscila entre 3 e 4,5 anos    chegando a 6 anos no caso do Jap&atilde;o, a m&eacute;dia brasileira de concess&atilde;o    &eacute; superior a 8 anos (<a href="#t1">Tabela 1</a>), mais de 40% do prazo    de prote&ccedil;&atilde;o das patentes que &eacute; de 20 anos. Isso gera uma    situa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a nas transa&ccedil;&otilde;es de    tecnologia envolvendo patentes uma vez que durante o prazo para defini&ccedil;&atilde;o    da situa&ccedil;&atilde;o patent&aacute;ria n&atilde;o h&aacute; garantias reais    para tecnologia em discuss&atilde;o.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/13t01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Deve-se ressaltar    que um sistema pujante e din&acirc;mico de concess&atilde;o de patentes, plenamente    integrado ao sistema global de gest&atilde;o da propriedade intelectual, &eacute;    um requisito b&aacute;sico para, juntamente com a compet&ecirc;ncia cient&iacute;fica    e tecnol&oacute;gica local e com as oportunidades de mercado, atrair centros    globais de P&amp;D de empresas, fomentar fundos de <i>seed capital</i>, estimular    o investimento privado em P&amp;D e integrar o pa&iacute;s na l&oacute;gica    das ind&uacute;strias e dos <i>clusters</i> competitivos em tecnologia e conhecimento    intensivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>APROVEITANDO    O MOMENTO NA DIN&Acirc;MICA DOS CICLOS ECON&Ocirc;MICOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Partindo-se da    an&aacute;lise schumpeteriana dos ciclos econ&ocirc;micos atrelados a mudan&ccedil;as    tecnol&oacute;gicas, podemos dizer que o progresso tecnol&oacute;gico n&atilde;o    &eacute; um fluxo cont&iacute;nuo, mas que se desdobra de forma peri&oacute;dica    e irregular (Schumpeter, 1978). Nessa perspectiva, o motor da inova&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o &eacute; necessariamente a concorr&ecirc;ncia reativa, mas sim a    possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria de uma situa&ccedil;&atilde;o    de monop&oacute;lio com lucros que remunerem os riscos incorridos. Mas o mercado    deve permanecer concorrencial de modo a permitir a difus&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o    bem como o aparecimento das inova&ccedil;&otilde;es subsequentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desse movimento    resultam ciclos da inova&ccedil;&atilde;o, a exemplo dos conhecidos ciclos econ&ocirc;micos.    Nesses ciclos, a inova&ccedil;&atilde;o aparece, em determinados momentos, como    t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o. No entanto, grandes expectativas podem    levar a um sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o com a desmobiliza&ccedil;&atilde;o    de equipes e recursos. Assim, momentos de otimismo com a potencial contribui&ccedil;&atilde;o    das atividades de inova&ccedil;&atilde;o podem ser seguidos por momentos de    questionamento. Por isso, a gest&atilde;o dos processos &eacute; fundamental    uma vez que permite lidar adequadamente com os diferentes riscos e apresentar    as expectativas de forma clara e objetiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os momentos mais    favor&aacute;veis do ciclo devem ser aproveitados para garantir uma evolu&ccedil;&atilde;o    das estruturas de inova&ccedil;&atilde;o que possa, de certa forma, blindar    a &aacute;rea nos intervalos de menor crescimento que possivelmente vir&atilde;o.    Nesse sentido, o Estado tem a responsabilidade de, juntamente com a sociedade,    garantir a competitividade de sua ind&uacute;stria no longo prazo permitindo-lhe    tratar, de modo adequado, os principais desafios estrat&eacute;gicos do pa&iacute;s    em qualquer contexto. Devem ser consideradas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    com perspectivas claras mas, ao mesmo tempo, flex&iacute;veis, que permitam,    inclusive, a condu&ccedil;&atilde;o de estudos na fronteira do conhecimento    sujeitos a maiores risco e incertezas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFLEX&Atilde;O    SOBRE A GOVERNAN&Ccedil;A DO SISTEMA NACIONAL DE INOVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A discuss&atilde;o    sobre a intera&ccedil;&atilde;o universidade-empresa fixa-se, algumas vezes,    em aspectos essencialmente superados e que n&atilde;o representam mais barreira    importante para o trabalho conjunto, direto e objetivo entre ICTs (institui&ccedil;&otilde;es    de ci&ecirc;ncia e tecnologia) e empresas. Os interesses, os focos e os ritmos,    seguramente, s&atilde;o diferentes, mas j&aacute; estamos aprendendo a conviver    com as diferen&ccedil;as. E, mais ainda, estamos aprendendo a explorar as vantagens    e complementaridades dessas diferen&ccedil;as. De fato, persistem, ainda, algumas    quest&otilde;es relativas &agrave; divis&atilde;o da propriedade intelectual    que consomem tempo e recursos importantes mas que, bem ou mal, sempre chegam    a algum desfecho positivo quando ambas as partes est&atilde;o interessadas em    cooperar efetivamente. &Eacute; ineg&aacute;vel, hoje, que empresa e universidade    se conhecem mutuamente e o exerc&iacute;cio da negocia&ccedil;&atilde;o entre    ambas torna-se, cada vez mais, pr&aacute;tica corrente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O processo de transfer&ecirc;ncia    de tecnologia das universidades para as empresas deve ser visualizado de forma    mais abrangente e sob a perspectiva de dois mecanismos: 1) as ag&ecirc;ncias    de transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica (NITs) e 2) as incubadoras tecnol&oacute;gicas    (sistema de <i>start ups</i>).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A despeito do aprendizado    das empresas e das universidades no sentido de viabilizar a intera&ccedil;&atilde;o    entre as institui&ccedil;&otilde;es, novos passos s&atilde;o necess&aacute;rios    para dinamizar, profissionalizar e gerar escala nesse processo. Devemos intensificar    a busca por mecanismos, inclusive jur&iacute;dicos e contratuais, que promovam    e facilitem a transfer&ecirc;ncia de conhecimento da academia para as empresas.    &Eacute; evidente que essa transfer&ecirc;ncia deve ser reconhecida e devidamente    remunerada, mas o mais importante &eacute; que essa pr&aacute;tica seja estimulada    e que seja efetivamente incorporada na cultura das empresas e das ICTs.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; exemplos    interessantes dessa din&acirc;mica em pa&iacute;ses como Israel, Estados Unidos    e boa parte dos pa&iacute;ses europeus por exemplo. Nesses pa&iacute;ses, as    universidades s&atilde;o estimuladas e at&eacute; mesmo induzidas pelo Estado    a interagir com as empresas atendendo aos desafios impostos pelas suas respectivas    pol&iacute;ticas industriais e disponibilizando tempo e dedica&ccedil;&atilde;o    de seus pesquisadores para apoio ao esfor&ccedil;o de inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso brasileiro,    a Pintec 2008 (IBGE, 2010) indica que as principais parcerias da ind&uacute;stria    na busca por inova&ccedil;&atilde;o cooperada s&atilde;o os fornecedores, de    um lado (65,3%), e os clientes e consumidores, de outro (45,3%). Assim, nota-se    que a intera&ccedil;&atilde;o ICT-empresa tem, ainda, muitas oportunidades a    serem exploradas e bastante campo para progredir.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A &uacute;ltima    Pintec demonstra, tamb&eacute;m, forte concentra&ccedil;&atilde;o das empresas    inovadoras nas grandes corpora&ccedil;&otilde;es. Quase tr&ecirc;s quartos das    empresas com mais de 500 empregados s&atilde;o inovadoras, de acordo com a Pintec    2008. No entanto, esse percentual n&atilde;o chega a 40% quando se considera    o total de empresas no Brasil. &Eacute; necess&aacute;rio difundir essa din&acirc;mica    e dar mais capilaridade &agrave; inova&ccedil;&atilde;o em todas as empresas,    especialmente aproveitando a l&oacute;gica das cadeias produtivas j&aacute;    existentes no Brasil. Com isso, n&atilde;o apenas as empresas individualmente    ganhar&atilde;o competitividade como tamb&eacute;m os ganhos de competitividade    tender&atilde;o a se multiplicar ao longo das pr&oacute;prias cadeias garantindo    a sustentabilidade desse efeito a longo prazo e num patamar mais interessante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A realidade das    empresas nascentes de base tecnol&oacute;gica (<i>startups</i>) pode ajudar    a entender o ambiente brasileiro de inova&ccedil;&atilde;o por sua import&acirc;ncia    na din&acirc;mica do processo. De fato, essas empresas podem mudar rapidamente    a situa&ccedil;&atilde;o de P&amp;D nas empresas brasileiras e da inova&ccedil;&atilde;o    no pa&iacute;s. Destacamos, nesse ponto, dois aspectos que parecem particularmente    relevantes. Em primeiro lugar, o modelo de instala&ccedil;&atilde;o das incubadoras    no Brasil ainda apresenta certa desconex&atilde;o com as cadeias produtivas    locais em alguns casos. O crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o para investir    na instala&ccedil;&atilde;o de incubadoras privilegia a exist&ecirc;ncia da    universidade e, muitas vezes, fica mais distante da agenda da ind&uacute;stria    local. Al&eacute;m disso, o outro ponto que merece aten&ccedil;&atilde;o &eacute;    que o sistema de <i>seed capital</i> privado no Brasil assume um papel perif&eacute;rico    no financiamento das empresas <i>start ups</i>. &Eacute; necess&aacute;rio que    o sistema de propriedade intelectual amadure&ccedil;a e que o Brasil se insira    no radar dos fundos internacionais de <i>seed capital</i> como forma de profissionalizar    e potencializar as oportunidades das tecnologias e produtos desenvolvidos no    Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, analisando    o nosso SNI (Sistema Nacional de Inova&ccedil;&atilde;o), nota-se que h&aacute;    espa&ccedil;o para intensificar a sinergia entre o ambiente acad&ecirc;mico    e empresarial para que trabalhem de forma mais complementar e coordenada. No    Brasil, ainda n&atilde;o h&aacute; total coer&ecirc;ncia estrat&eacute;gica    entre o investimento p&uacute;blico e o privado em PD&amp;I. Com isso, os investimentos    n&atilde;o se somam e, &agrave;s vezes, at&eacute; competem. No Brasil, as empresas    pouco se beneficiam dos investimentos feitos pelo governo em ICTs, quer direta    quer indiretamente. As prioridades n&atilde;o s&atilde;o, ainda, suficientemente    discutidas e compartilhadas, o que leva a um certo descompasso entre esses investimentos.    Assim, o investimento p&uacute;blico na academia beneficia essencialmente a    pr&oacute;pria academia uma vez que &eacute; feito com esse foco. Isso &eacute;    bom mas n&atilde;o &eacute; suficiente para que o pa&iacute;s experimente avan&ccedil;os    mais significativos na inova&ccedil;&atilde;o, particularmente quando se considera    a participa&ccedil;&atilde;o e o protagonismo das empresas nesse processo. Por    outro lado, nota-se que nos pa&iacute;ses da OCDE o esfor&ccedil;o tende a ser    mais coordenado e o investimento do setor p&uacute;blico efetivamente desdobra-se    e alavanca investimentos em PD&amp;I no setor privado. Em que pesem os bons    programas das ag&ecirc;ncias de fomento brasileiras, falta, ainda, mais discuss&atilde;o    e alinhamento com as estrat&eacute;gias e vis&atilde;o das empresas. Com isso,    os editais atendem o setor produtivo apenas em parte. Os processos de tomada    de decis&atilde;o e a governan&ccedil;a do SNI permanecem os mesmos. &Eacute;    necess&aacute;rio que a sociedade discuta mais e com maior profundidade os temas,    projetos e programas que ser&atilde;o prioritariamente apoiados. O alinhamento    estrat&eacute;gico dos investimentos em PD&amp;I entre os setores p&uacute;blico    e privado, entre academia e setor produtivo, constru&iacute;do democraticamente,    como no caso da Fran&ccedil;a, ou mesmo quando imposto por um Estado forte,    como no caso chin&ecirc;s, resulta em sinergias claras com investimentos que    se somam nos seus resultados. Cada sociedade encontra seus pr&oacute;prios caminhos    para construir as converg&ecirc;ncias que necessita.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Historicamente,    a pesquisa acad&ecirc;mica tem sido o principal foco de aten&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas e dos recursos do SNI no Brasil. No entanto, fica cada    vez mais claro que o conhecimento gerado nas universidades ainda &eacute; pouco    utilizado pela sociedade de modo geral, e pelas empresas, em particular, de    forma natural e autom&aacute;tica. O reconhecimento, por parte de todos os atores    envolvidos, de que as inova&ccedil;&otilde;es ocorrem efetivamente nas empresas,    deveria alterar a agenda de governan&ccedil;a, de desenvolvimento tecnol&oacute;gico    e de aloca&ccedil;&atilde;o dos investimentos no SNI. Como desdobramento, deve    haver uma maior participa&ccedil;&atilde;o das empresas nos processos decis&oacute;rios    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas com impacto no processo de inova&ccedil;&atilde;o    no Brasil, desde a defini&ccedil;&atilde;o das prioridades estrat&eacute;gicas    e a composi&ccedil;&atilde;o dos comit&ecirc;s gestores at&eacute; os procedimentos    de avalia&ccedil;&atilde;o de projetos a partir de crit&eacute;rios que n&atilde;o    sejam apenas acad&ecirc;micos, como publica&ccedil;&otilde;es e titula&ccedil;&atilde;o    das equipes, mas que incluam, tamb&eacute;m, elementos como planos de neg&oacute;cio,    adensamento tecnol&oacute;gico da ind&uacute;stria brasileira e oportunidades    de desenvolvimento de novos mercados. O fortalecimento da empresa como ator    relevante no SNI implica uma revis&atilde;o ampla da governan&ccedil;a do sistema    e da voca&ccedil;&atilde;o de suas ag&ecirc;ncias financiadoras. Nesse contexto,    refor&ccedil;amos o papel da pol&iacute;tica industrial como um elemento chave    de planejamento no pa&iacute;s e de uni&atilde;o e alinhamento entre os diferentes    atores do SNI. Somente com uma agenda focada no mercado e nos grandes desafios    tecnol&oacute;gicos da ind&uacute;stria nacional &eacute; que asseguraremos    o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social brasileiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando consideramos    que a retomada do planejamento econ&ocirc;mico de longo prazo do Brasil &eacute;    algo relativamente recente e que os la&ccedil;os de confian&ccedil;a entre os    diferentes entes do SNI (ICTs, empresa e governo) est&atilde;o em pleno ciclo    de amadurecimento no Brasil, podemos esperar que a tend&ecirc;ncia apontada    pela Pintec 2008 (IBGE, 2010) de redu&ccedil;&atilde;o das atividades internas    de P&amp;D nas empresas (de 5,6% em 2005 para 4,2% em 2008) seja perfeitamente    revers&iacute;vel nos pr&oacute;ximos anos. Para isso, temos que garantir o    foco na inova&ccedil;&atilde;o e na competitividade como um desafio a ser medido    pelo conte&uacute;do tecnol&oacute;gico dos produtos comercializados e exportados    pelas empresas brasileiras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O momento econ&ocirc;mico    e pol&iacute;tico, com o in&iacute;cio de um novo governo, &eacute; oportuno    para uma discuss&atilde;o profunda da governan&ccedil;a do SNI. Assim, poderemos    garantir efici&ecirc;ncia social e foco do trabalho acad&ecirc;mico em alinhamento    com os investimentos realizados pelas empresas em PD&amp;I. Dessa forma, os    esfor&ccedil;os p&uacute;blicos e privados ser&atilde;o realmente complementares    e ter&atilde;o efeito sin&eacute;rgico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>COMENT&Aacute;RIOS    FINAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As iniciativas    discutidas anteriormente s&atilde;o, no nosso entendimento, necess&aacute;rias    para contribuir com a inova&ccedil;&atilde;o na sociedade brasileira. De fato,    investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, a coer&ecirc;ncia e a complementaridade    entre investimento p&uacute;blico e privado em P&amp;D e a reflex&atilde;o sobre    a governan&ccedil;a do SNI com maior participa&ccedil;&atilde;o das empresas    s&atilde;o elementos importantes e que devem ser considerados no debate. No    entanto, essas iniciativas podem n&atilde;o ser suficientes para garantir o    dinamismo que a sociedade est&aacute; buscando nessa &aacute;rea e para acelerar    o processo de aumento de competitividade do setor empresarial brasileiro, requerido    na atual fase de grandes mudan&ccedil;as na evolu&ccedil;&atilde;o da humanidade,    em que os ciclos de vida das inova&ccedil;&otilde;es se tornam cada vez mais    curtos e os produtos resultantes s&atilde;o cada vez mais rapidamente disseminados    no mercado global.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o seria    poss&iacute;vel finalizar esse texto sem mencionar que o tema deve ser considerado    tamb&eacute;m sob uma perspectiva macroecon&ocirc;mica que pode ser determinante    nesse caso. O Brasil n&atilde;o apresenta, ainda, as condi&ccedil;&otilde;es    ideais para investimentos importantes em atividades de risco intr&iacute;nseco    como inova&ccedil;&atilde;o. Temos que reconhecer nossas limita&ccedil;&otilde;es    em fun&ccedil;&atilde;o das altas taxas de juros, do c&acirc;mbio valorizado    e da elevada carga tribut&aacute;rias entre outros condicionantes. Prova disso    &eacute; a preocupante perda de competitividade e queda cont&iacute;nua da participa&ccedil;&atilde;o    de produtos de m&eacute;dio e alto valor agregado das exporta&ccedil;&otilde;es    ao mesmo tempo em que a import&acirc;ncia desses mesmos produtos cresce, de    forma perigosa, nas importa&ccedil;&otilde;es brasileiras. Para emprestar energia    e agilidade &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; necess&aacute;rio pensar    em medidas de est&iacute;mulo que ajam em cada um desses aspectos elencados    anteriormente. A inova&ccedil;&atilde;o deve ser incentivada claramente, sem    subterf&uacute;gios. O apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, necessariamente    no &acirc;mbito das empresas, sem detrimento dos demais parceiros como universidades    e institutos de pesquisas p&uacute;blicos e privados, deve ser incorporado pela    sociedade brasileira. Os benef&iacute;cios desse processo ser&atilde;o revertidos    para a pr&oacute;pria sociedade na forma de melhores condi&ccedil;&otilde;es    de vida, melhores empregos e mais desenvolvimento econ&ocirc;mico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CGEE/ANPEI. <i>Os    Novos Instrumentos de Apoio &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o: uma Avalia&ccedil;&atilde;o    Inicial.</i> Bras&iacute;lia, Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos    - Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003692&pid=S0103-9989201100020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CGIN - Coordena&ccedil;&atilde;o-Geral    de Indicadores. ASCAV/SEXEC, Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia,    2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003694&pid=S0103-9989201100020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">IBGE. Pintec: <i>Pesquisa    de Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica: 2008.</i> IBGE - Coordena&ccedil;&atilde;o    de ind&uacute;stria, Rio de Janeiro, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003696&pid=S0103-9989201100020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">INPI - Instituto    Nacional da Propriedade Industrial. Diretoria de Patentes. Apresenta&ccedil;&atilde;o    Comit&ecirc; Anpei de Propriedade Intelectual. S&atilde;o Paulo, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003698&pid=S0103-9989201100020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MDIC. Minist&eacute;rio    do Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio Exterior. Com&eacute;rcio    Exterior. Estat&iacute;sticas de com&eacute;rcio exterior - DEPLA, Exporta&ccedil;&atilde;o-importa&ccedil;&atilde;o    brasileira dos setores industriais por intensidade tecnol&oacute;gica, s&eacute;rie    hist&oacute;rica: 2006 a 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.%20mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1113" target="_blank">http://www.    mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&amp;menu=1113</a>. Acessado em    02/02/2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003700&pid=S0103-9989201100020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">NSB - <i>National    Science Board. 2010</i>. Science and Engineering Indicators 2010. Arlington,    VA: National Science Foundation (NSB 10-01).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003702&pid=S0103-9989201100020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">OCDE. <i>Oslo Manual:    Guidelines for Collecting and Interpreting Innovation Data.</i> OCDE publishing,    3<sup>rd</sup> Edition, Paris, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003704&pid=S0103-9989201100020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">OCDE. <i>Science,    Technology and Industry: Outlook 2008</i>. OCDE Publishing, Paris, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003706&pid=S0103-9989201100020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">OCDE. <i>Science,    Technology and Industry Scoreboard 2009</i>. OCDE Publishing, Paris, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003708&pid=S0103-9989201100020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SCHUMPETER, J.    <i>The Theory of Economic Devefopment</i>. Oxford. Oxford University Press,    1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=003710&pid=S0103-9989201100020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#f1">1</a>    Obs.: para U.S (Estados Unidos), EU (Uni&atilde;o Europeia, exceto Chipre, Let&ocirc;nia,    Litu&acirc;nia, Luxemburgo, Malta e Eslov&ecirc;nia), Jap&atilde;o, &Aacute;sia-9    (&Iacute;ndia, Indon&eacute;sia, Mal&aacute;sia, Filipinas, Singapura, Coreia    do Sul, Taiwan, Tail&acirc;ndia e Vietn&atilde;) e China. Dados 1995 a 2007.        ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back2"></a><a href="#f2">2</a> Obs.: para U.S (Estados Unidos), EU    (Uni&atilde;o Europeia, exceto Chipre, Let&ocirc;nia, Litu&acirc;nia, Luxemburgo,    Malta e Eslov&ecirc;nia), Jap&atilde;o, &Aacute;sia-9 (&Iacute;ndia, Indon&eacute;sia,    Mal&aacute;sia, Filipinas, Singapura, Coreia do Sul, Taiwan, Tail&acirc;ndia    e Vietn&atilde;) e China. Dados 1995 a 2007.</font></p>      ]]></body>
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