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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article outlines a 50-year history of the action of Inpe [National Institute for Space Research] in developing research and technology, and the applications associated with space and environmental areas in Brazil. It presents Inpe's initial plans, created in 1961, concerning research on space science, meteorology and remote sensing. Throughout Inpe's history, the research capacity of the institute allowed for the creation of operational systems such as the weather forecast, environmental monitoring, and space weather prediction. From the 1980s onwards, Inpe started its satellite manufacturing activities, whose main project is the space technology cooperation program with China. This article discusses some lessons from Inpe's history; and explores the capacity of this institute of keeping long-term projects.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>A pesquisa espacial no Brasil: 50 anos de Inpe (1961-2011)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Gilberto C&acirc;mara</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diretor do Instituto    Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo    faz um hist&oacute;rico de cinquenta anos de atua&ccedil;&atilde;o do Inpe em    desenvolver pesquisa, tecnologia e aplica&ccedil;&otilde;es associadas &agrave;s    &aacute;reas espacial e ambiental no Brasil. O artigo apresenta os planos iniciais    do Inpe, criado em 1961, ligados &agrave; pesquisa em ci&ecirc;ncia espacial,    meteorologia e sensoriamento remoto. Ao longo da hist&oacute;ria do Inpe, a    capacidade de pesquisa do instituto permitiu que fossem criados sistemas operacionais    como a previs&atilde;o num&eacute;rica de tempo, monitoramento ambiental e previs&atilde;o    de clima espacial. A partir dos anos 80, o Inpe inicia atividades de constru&ccedil;&atilde;o    de sat&eacute;lites, cujo maior projeto &eacute; a coopera&ccedil;&atilde;o    em tecnologia espacial com a China. O artigo discute algumas li&ccedil;&otilde;es    da hist&oacute;ria do Inpe, explorando a capacidade do instituto em manter projetos    de longo prazo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Inpe, pesquisa espacial, China.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article outlines    a 50-year history of the action of Inpe &#91;National Institute for Space Research&#93;    in developing research and technology, and the applications associated with    space and environmental areas in Brazil. It presents Inpe's initial plans, created    in 1961, concerning research on space science, meteorology and remote sensing.    Throughout Inpe's history, the research capacity of the institute allowed for    the creation of operational systems such as the weather forecast, environmental    monitoring, and space weather prediction. From the 1980s onwards, Inpe started    its satellite manufacturing activities, whose main project is the space technology    cooperation program with China. This article discusses some lessons from Inpe's    history; and explores the capacity of this institute of keeping long-term projects.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Inpe, space research, China.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo    faz um hist&oacute;rico de 50 anos de atua-&ccedil;&atilde;o do Inpe em desenvolver    pesquisa, tecnologia e aplica&ccedil;&otilde;es associadas &agrave;s &aacute;reas    espacial e ambiental no Brasil. Embora a pesquisa espacial no Brasil n&atilde;o    esteja restrita ao Inpe, com um n&uacute;mero crescente de pesquisadores e professores    em universidades e centros de pesquisa, o instituto ainda &eacute; o principal    centro nacional no tema. Ao se concentrar na hist&oacute;ria do Inpe, o artigo    pretende trazer ao leitor uma vis&atilde;o dos condicionantes que em larga escala    determinam o sucesso das institui&ccedil;&otilde;es de P&amp;D.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa espacial    no Brasil come&ccedil;a com a cria&ccedil;&atilde;o do Inpe em agosto de 1961    pelo presidente J&acirc;nio Quadros. Era o momento de grande visibilidade internacional    sobre a quest&atilde;o espacial. A Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica havia obtido    feitos de muito impacto: lan&ccedil;ou o sat&eacute;lite Sputnik 1 em 1959,    o primeiro astronauta (Yuri Gagarin) e a primeira nave n&atilde;o tripulada    a chegar &agrave; Lua. No auge da Guerra Fria, a resposta americana foi criar    o programa Apolo, anunciado pelo presidente Kennedy em maio de 1961 ("<i>before    the end of the decade, America land a man on the Moon and return him safely    to the Earth</i>"). O programa Apolo mobilizou "<i>the best and the brightest    engineers</i>" dos EUA. No seu auge, a Nasa tinha um or&ccedil;amento anual    de US$ 120 bilh&otilde;es (em valores atualizados), correspondente a 4,5% do    or&ccedil;amento federal dos EUA na &eacute;poca.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A corrida espacial    entre URSS e EUA motivou muitos brasileiros. No in&iacute;cio de 1961, os membros    da Sociedade Interplanet&aacute;ria Brasileira entregaram uma carta ao presidente    da Rep&uacute;blica, J&acirc;nio Quadros, afirmando que "o Brasil n&atilde;o    poderia se omitir no campo das atividades espaciais". J&acirc;nio, intempestivo    como de h&aacute;bito, mandou imediatamente criar, atrav&eacute;s do Decreto    nº 51.133 de 3 agosto de 1961, o Grupo de Organiza&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o    Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae), presidido pelo brigadeiro e ex-professor    do ITA Aldo Vieira da Rosa. Sob sua lideran&ccedil;a, o Gocnae se estabeleceu    no <i>campus</i> do CTA em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, com apoio de t&eacute;cnicos    cedidos pelo brigadeiro Montenegro (ent&atilde;o diretor do CTA). Em 1963, o    Gocnae transformou-se em CNAE (Comiss&atilde;o Nacional de Atividades Espaciais),    que passou a ser dirigida por um jovem militar engenheiro formado pelo ITA,    Fernando de Mendon&ccedil;a. As atribui&ccedil;&otilde;es originais da CNAE    eram t&iacute;picas de uma ag&ecirc;ncia espacial como a Nasa. Inclu&iacute;am    propor a pol&iacute;tica espacial brasileira em colabora&ccedil;&atilde;o com    o Itamaraty, desenvolver o interc&acirc;mbio t&eacute;cnico-cient&iacute;fico    e a coopera&ccedil;&atilde;o internacional, promover a forma&ccedil;&atilde;o    de especialistas e coordenar as atividades espaciais com a ind&uacute;stria    brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para implantar    a CNAE, Mendon&ccedil;a foi presciente. Considerou que a forma&ccedil;&atilde;o    de recursos humanos e o desenvolvimento de aplica&ccedil;&otilde;es da tecnologia    espacial deveriam ter prioridade sobre iniciativas de construir e lan&ccedil;ar    foguetes e sat&eacute;lites. Para isso, optou por uma estrat&eacute;gia semelhante    ao que a Nasa fez para construir suas equipes, respeitada a enorme disparidade    de recursos. Em seus anos de forma&ccedil;&atilde;o (1958-1961), a Nasa incorporou    ou estabeleceu centros de pesquisa com atividades de P&amp;D nos diversos componentes    do programa espacial, como o Goddard Space Flight Center (criado em 1959) e    o Jet Propulsion Lab (transferido em 1958). Nessa mesma linha, a CNAE estabeleceu    entre 1961 e 1970 grupos de pesquisa nas &aacute;reas cient&iacute;ficas que    surgiram ou cresceram como resultado do programa espacial americano, para que    o Brasil pudesse se beneficiar dos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos ligados    &agrave; Nasa. Criaram-se grupos em Geo-f&iacute;sica Espacial (1962), Meteorologia    por Sat&eacute;lite (1966) e Sensoriamento Remoto (1969), &aacute;reas cient&iacute;ficas    in&eacute;ditas no Brasil. Como n&atilde;o havia especialistas no Brasil, Mendon&ccedil;a    trouxe pesquisadores estrangeiros, especialmente da &Iacute;ndia, para formar    os jovens brasileiros. Em 1968, criou cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    no Inpe. Recrutou talentos das melhores universidades brasileiras para fazer    mestrado no Inpe, tendo aulas com os estrangeiros, e depois envi&aacute;-los    para cursar doutoramento no exterior.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As &aacute;reas    de pesquisa espacial estabelecidas na CNAE nos anos 60 s&atilde;o intensivas    em instrumenta&ccedil;&atilde;o e requerem infraestrutura para receber dados    de sat&eacute;lites e para experimentos <i>in situ</i>. O Centro de Lan&ccedil;amento    de Foguetes da Barreira do Inferno foi montado em Natal, em 1965, para lan&ccedil;ar    experimentos cient&iacute;ficos com foguetes de sondagem. Uma esta&ccedil;&atilde;o    de recep&ccedil;&atilde;o de imagens de sat&eacute;lites meteorol&oacute;gicos    come&ccedil;a a operar em 1966. A esta&ccedil;&atilde;o de recep&ccedil;&atilde;o    de imagens de sensoriamento remoto de Cuiab&aacute; foi inaugurada em 1973,    tornando o Brasil o terceiro pa&iacute;s a receber imagens do sat&eacute;lite    Landsat.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para realizar a    estrat&eacute;gia de formar gente qualificada na &aacute;rea espacial, foi preciso    quebrar tabus, como criar cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em um    instituto de pesquisa. Valeu a pena. Com grupos de pesquisa fortes com participa&ccedil;&atilde;o    cada vez maior de brasileiros, o Inpe estabeleceu um padr&atilde;o de excel&ecirc;ncia    e meritocracia adotado at&eacute; hoje, e trouxe para o pa&iacute;s novas &aacute;reas    do conhecimento que o Inpe lidera at&eacute; hoje. Na avalia&ccedil;&atilde;o    trienal da Capes de 2010, os cursos de Geof&iacute;sica Espacial, Meteorologia    e Sensoriamento Remoto tiveram conceitos 6, 6, e 7 respectivamente. Dados do    Institute for Scientific Information (ISI) de 2009 indicam que a &aacute;rea    de Ci&ecirc;ncia Espacial &eacute; uma das mais produtivas no Brasil, com 2,05%    do total de artigos cient&iacute;ficos mundiais. De acordo com o ISI, a m&eacute;dia    de cita&ccedil;&otilde;es por <i>paper</i> do Inpe &eacute; de 8,35 (dados de    2010), uma das maiores do Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em janeiro de 1971,    acontece uma grande mudan&ccedil;a no programa espacial brasileiro, com a cria&ccedil;&atilde;o    da Comiss&atilde;o Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae), vinculada ao    Estado Maior das For&ccedil;as Armadas. At&eacute; ser institu&iacute;da a Cobae,    as atividades espaciais civis e militares eram independentes. De 1971 at&eacute;    1994, a gest&atilde;o do programa espacial brasileiro passou a ser feita pelos    militares atrav&eacute;s da Cobae. A CNAE foi transformada em Inpe (Instituto    de Pesquisas Espaciais)<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>    e deixou de ser o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica espacial e coordena&ccedil;&atilde;o do programa espacial    brasileiro, tornando-se apenas executor das atividades definidas pela Cobae.    O Inpe perdeu a capacidade de tomar decis&otilde;es pr&oacute;prias na &aacute;rea    de engenharia espacial. Gerou-se assim uma polariza&ccedil;&atilde;o militar-civil    de efeitos duradouros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Cobae decidiu    ter um programa que capacitasse o pa&iacute;s em tecnologia espacial, atendendo    aos interesses dos militares de serem capazes de construir lan&ccedil;adores.    Inicialmente, o Brasil negociou um projeto conjunto com a Fran&ccedil;a, descartado    depois pelo conceito da Miss&atilde;o Espacial Completa Brasileira (MECB). No    programa MECB, aprovado pelo presidente Figueiredo em 1980, os interesses militares    tiveram prioridade sobre os objetivos civis, sendo apenas 30% do or&ccedil;amento    destinado ao Inpe. A base do programa era o desenvolvimento de um lan&ccedil;ador    de sat&eacute;lites pelo CTA (VLS), capaz de lan&ccedil;ar 200 kg em &oacute;rbitas    de at&eacute; 1.000 km, e a constru&ccedil;&atilde;o de um centro de lan&ccedil;amento    em Alc&acirc;ntara (MA). O Inpe faria sat&eacute;lites para ser lan&ccedil;ados    pelo VLS, sendo dois sat&eacute;lites de coleta de dados de aproximadamente    100 kg e dois sat&eacute;lites de sensoriamento remoto de cerca de 150 kg.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A exist&ecirc;ncia    de grupos de pesquisa em meteorologia e observa&ccedil;&atilde;o da terra no    Inpe foi importante na montagem da MECB. Al&eacute;m de construir dois sat&eacute;lites,    o Inpe desenvolveu um programa nacional de plataformas de coleta de dados (PCDs).    Criou um centro de dissemina&ccedil;&atilde;o de dados, desenvolveu tecnologia    na &aacute;rea e instalou PCDs pelo Brasil com diferentes &oacute;rg&atilde;os    usu&aacute;rios. Em 2010, o sistema de coleta de dados funciona com os dois    sat&eacute;lites brasileiros e mais de 800 PCDs em cerca de 100 institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar da perda    de autonomia envolvida, a MECB teve ganhos para o Inpe. Aumentou seu or&ccedil;amento    e permitiu contratar uma gera&ccedil;&atilde;o de engenheiros que consolidaram    a &aacute;rea de engenharia espacial. Financiou a constru&ccedil;&atilde;o do    Laborat&oacute;rio de Integra&ccedil;&atilde;o e Testes (LIT) e do Centro de    Controle e Rastreio de Sat&eacute;lites (CRC). O LIT possui uma infraestrutura    completa de montagem, integra&ccedil;&atilde;o e testes ambientais de sat&eacute;lites;    foi concebido com uma vis&atilde;o de futuro, de integrar n&atilde;o apenas    os sat&eacute;lites pequenos da MECB, mas de poder crescer para receber sat&eacute;lites    de porte cada vez maiores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A redemocratiza&ccedil;&atilde;o    do Brasil a partir de 1985 foi muito positiva para o Inpe. A institui&ccedil;&atilde;o    agregou-se ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, criado pela Nova    Rep&uacute;blica. Apesar de o programa espacial ainda ser dirigido pela Cobae,    o Inpe teve espa&ccedil;o para projetos pr&oacute;prios, dado o apoio que teve    do ent&atilde;o ministro Renato Archer. Sob a lideran&ccedil;a de Marco Raupp    e com o apoio do MCT e do Itamaraty, o Inpe construiu um acordo hist&oacute;rico    entre Brasil e China para um programa de sat&eacute;lites sino-brasileiros de    observa&ccedil;&atilde;o da terra (CBERS). O acordo foi assinado em 1988 e deu    ao Inpe a autonomia para desenvolver projetos espaciais de maior porte, sem    as restri&ccedil;&otilde;es e controles da MECB. O programa CBERS &eacute; hoje    uma refer&ecirc;ncia mundial de exemplo de coopera&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    Sul-Sul. O acordo de 1988 previa dois sat&eacute;lites (CBERS-1 e CBERS-2) com    1.500 kg cada e 30% de participa&ccedil;&atilde;o brasileira. Em 2002, foi assinado    um novo acordo para construir os sat&eacute;lites CBERS-3 e CBERS-4, mais complexos,    com 2.000 kg cada e 50% de tecnologia nacional. Em 2004, um acordo adicional    acertou a constru&ccedil;&atilde;o conjunta do CBERS-2B.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A escolha da China    como foco da coopera&ccedil;&atilde;o internacional do Inpe na &aacute;rea de    sat&eacute;lites merece destaque. <i>Por que fazer o programa CBERS?</i> Na    &eacute;poca, a China foi o &uacute;nico pa&iacute;s que nos ofereceu um acordo    que respeitava os potenciais e as limita&ccedil;&otilde;es do Brasil. At&eacute;    muito recentemente, quando se dispunham a cooperar na &aacute;rea espacial,    pa&iacute;ses desenvolvidos o faziam de forma insatisfat&oacute;ria. O mais    comum &eacute; propor a compra direta de tecnologia, o que n&atilde;o nos permite    desenvolver capacidade end&oacute;gena. A segunda forma s&atilde;o acordos de    coopera&ccedil;&atilde;o que envolvem estudos preliminares, que depois n&atilde;o    s&atilde;o levados adiante, frustrando nosso planejamento de longo prazo. Tal    foi o caso dos projetos MAPSAR com o DLR (Alemanha) e FBM com CNES (Fran&ccedil;a)<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>.    Em contraste, a China permaneceu fiel ao Brasil, mesmo em momentos dif&iacute;ceis.    Em 1988, a China come&ccedil;ava a se abrir para o resto do mundo, e o projeto    CBERS foi uma demonstra&ccedil;&atilde;o da capacidade e interesse chin&ecirc;s    em coopera&ccedil;&atilde;o internacional. Foi atrav&eacute;s do programa CBERS,    especialmente a partir do CBERS-3, que o Inpe p&ocirc;de dispor de recursos    consistentes para fomentar uma ind&uacute;stria brasileira na &aacute;rea espacial.    Os sat&eacute;lites CBERS j&aacute; lan&ccedil;ados refor&ccedil;aram a confian&ccedil;a    em que somos capazes de realizar projetos espaciais de porte significativo.    Ao distribuir mais de 1 milh&atilde;o de imagens CBERS no Brasil, o Inpe ampliou    a capacidade de gest&atilde;o de nosso territ&oacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &eacute;poca    em que foi firmado, o acordo de coopera&ccedil;&atilde;o com a China n&atilde;o    foi bem recebido pelo setor militar que controlava a Cobae. Esse setor viu o    CBERS apenas como um projeto independente do Inpe, desvinculado dos objetivos    da MECB. Outra fonte de tens&atilde;o foi o descasamento dos cronogramas da    MECB. Ainda em 1998, o Inpe terminou de construir o SCD-1, o primeiro dos sat&eacute;lites    da MECB. Como o lan&ccedil;ador associado (VLS) ainda n&atilde;o estava qualificado,    situa&ccedil;&atilde;o que persiste at&eacute; hoje, o Inpe tentou contratar    um foguete estrangeiro. O SCD-1 n&atilde;o era um demonstrador de tecnologia,    mas parte de um programa nacional de coleta de dados, e tinha uma miss&atilde;o    a cumprir. Adiar seu lan&ccedil;amento <i>sine die</i>, como propunha a Cobae,    seria frustrar a comunidade de usu&aacute;rios e o pr&oacute;prio Inpe. Os atritos    culminaram com a demiss&atilde;o do diretor do Inpe, Marco Raupp, em janeiro    de 1989.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O in&iacute;cio    da d&eacute;cada de 90 foi um tempo dif&iacute;cil para o Inpe. Em coer&ecirc;ncia    com a vis&atilde;o geral do governo Collor de que a tecnologia nacional era    ultrapassada e o Brasil "s&oacute; fazia carro&ccedil;as", o ent&atilde;o ministro    da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Jos&eacute; Goldemberg, era francamente contr&aacute;rio    ao programa espacial brasileiro. O or&ccedil;amento e os sal&aacute;rios do    Inpe ca&iacute;ram substancialmente. Na pr&aacute;tica, a MECB foi cancelada    e n&atilde;o havia dinheiro para o programa CBERS. Apenas ap&oacute;s a ren&uacute;ncia    de Collor p&ocirc;de o Inpe retomar seus programas de sat&eacute;lites. Ap&oacute;s    delicada negocia&ccedil;&atilde;o com outros setores do governo, o diretor do    Inpe, Marcio Barbosa, conseguiu aprova&ccedil;&atilde;o para lan&ccedil;ar os    sat&eacute;lites constru&iacute;dos pelo Inpe no programa MECB em foguetes americanos.    Com isso, lan&ccedil;amos o SCD-1 em 1993 e o SCD-2 em 1998, o que completou    a participa&ccedil;&atilde;o do Inpe na MECB, e permitiu implementar o sistema    brasileiro de coleta de dados. O SCD-1 e o SCD-2 operam at&eacute; hoje (2011),    o que mostra a qualidade do trabalho dos engenheiros do Inpe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O programa CBERS    foi interrompido entre 1990 e 1993. A partir dos governos Itamar e Fernando    Henrique, o CBERS foi retomado, em grande parte devido &agrave; import&acirc;ncia    das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais Brasil-China. Com mais recursos, o Inpe    cumpriu sua parte no acordo inicial, permitindo que o CBERS-1 fosse constru&iacute;do    e lan&ccedil;ado em 1999, e o CBERS-2 em 2003. A partir de 2004, o Inpe passou    a distribuir imagens de sensoriamento remoto do CBERS gratuitamente na internet,    com grande impacto na comunidade de usu&aacute;rios latino-americanos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mudan&ccedil;as    pol&iacute;ticas da Nova Rep&uacute;blica inclu&iacute;ram a revis&atilde;o    da estrutura do programa espacial. Decis&otilde;es como aderir ao TNP<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>    e ao MTCR<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>, criar o Minist&eacute;rio    da Defesa e extinguir os minist&eacute;rios militares provocaram o fim da Cobae    e a necessidade de recriar uma ag&ecirc;ncia espacial civil. Considerando o    hist&oacute;rico de sucesso do Inpe e os exemplos de outros pa&iacute;ses, seria    natural que o Inpe retomasse as fun&ccedil;&otilde;es originais da CNAE e assumisse    o papel de ag&ecirc;ncia espacial brasileira. No entanto, n&atilde;o se conseguiu    encontrar um arranjo institucional que pudesse garantir que os investimentos    nos programas de lan&ccedil;adores do CTA e na base de Alc&acirc;ntara fossem    mantidos caso o Inpe fosse transformado em ag&ecirc;ncia espacial. Como solu&ccedil;&atilde;o    de compromisso, o governo federal criou em 1994 a Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira    (AEB) como uma autarquia vinculada &agrave; Secretaria de Assuntos Estrat&eacute;gicos.    A fun&ccedil;&atilde;o da AEB, conforme disp&otilde;e o a Lei 8.854/94, &eacute;    "executar e fazer executar a Pol&iacute;tica Nacional de Desenvolvimento das    Atividades Espaciais, bem como propor as diretrizes e a implementa&ccedil;&atilde;o    das a&ccedil;&otilde;es dela decorrentes".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A expectativa dos    criadores da AEB era que a ag&ecirc;ncia atuasse como &oacute;rg&atilde;o de    coordena&ccedil;&atilde;o e fomento, mediando as rela&ccedil;&otilde;es entre    as pol&iacute;ticas do governo federal e os &oacute;rg&atilde;os executores    (CTA e Inpe). Contando com um Conselho Superior formado por representantes de    importantes minist&eacute;rios e das comunidades empresarial e cient&iacute;fica,    a AEB seria um local adequado para coordenar as atividades dos setores civil,    militar e industrial, e reduziria o risco de debacles pol&iacute;ticas e or&ccedil;ament&aacute;rias    como as ocorridas no in&iacute;cio dos anos 1990. Na pr&aacute;tica, nada disso    aconteceu. A AEB nunca teve uma estrutura adequada com uma equipe experiente,    capaz de conceber pol&iacute;ticas de longo prazo em comum acordo com o CTA,    o Inpe e a ind&uacute;stria. Os representantes dos minist&eacute;rios no Conselho    Superior n&atilde;o t&ecirc;m poder de decis&atilde;o. Para complicar a situa&ccedil;&atilde;o,    a AEB passou a ter estrat&eacute;gias pr&oacute;prias e desvinculadas dos executores,    como no caso da Alc&acirc;ntara Cyclone Space (ACS). A ACS &eacute; uma binacional    que planeja fazer lan&ccedil;amentos comerciais de Alc&acirc;ntara com foguetes    ucranianos. No entanto, como o acordo assinado entre Brasil e Ucr&acirc;nia    pro&iacute;be a transfer&ecirc;ncia de tecnologia, as atividades da ACS n&atilde;o    promovem o desenvolvimento de tecnologia nacional. Apesar disso, entre 2005    e 2010 a AEB investiu cerca de R$ 300 milh&otilde;es na empresa. Como resultado,    a atua&ccedil;&atilde;o da AEB at&eacute; 2010 agravou os problemas de gest&atilde;o    do programa espacial brasileiro. H&aacute; necessidade de revis&atilde;o da    estrutura do programa a partir de um novo pacto pol&iacute;tico entre os setores    civil e militar que privilegie o desenvolvimento de tecnologia nacional na &aacute;rea    espacial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar dos problemas    de gest&atilde;o da AEB, a d&eacute;cada de 2000 foi positiva para o Inpe. Com    aumento dos disp&ecirc;ndios em C&amp;T no governo federal, especialmente a    partir de 2004, o or&ccedil;amento total do Inpe cresceu de R$ 100 milh&otilde;es    em 2003 para R$ 200 milh&otilde;es em 2007, chegando a R$ 250 milh&otilde;es    em 2010. Isso permitiu um melhor planejamento nos programas de sat&eacute;lite,    incluindo as contrata&ccedil;&otilde;es junto &agrave; ind&uacute;stria nacional.    Atualmente, o Inpe tem dois programas principais de sat&eacute;lite: o programa    CBERS (com os sat&eacute;lites CBERS-3 e 4 mencionados acima) e o programa da    plataforma multimiss&atilde;o (PMM). A PMM &eacute; uma plataforma de uso m&uacute;ltiplo    para sat&eacute;lites de at&eacute; 500 kg de massa total em &oacute;rbitas    de 600 a 1.000 km. A partir de 2012 e at&eacute; 2020, o Inpe planeja lan&ccedil;ar    oito sat&eacute;lites baseados na PMM, para aplica&ccedil;&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o    da terra (sensoriamento remoto, clima espacial e meteorologia) e cient&iacute;ficas    (astrof&iacute;sica).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A disponibilidade    est&aacute;vel de recursos permitiu que o Inpe, a partir de 2003, conduzisse    uma pol&iacute;tica industrial de contratar empresas brasileiras para fazer    subsistemas em mais de um sat&eacute;lite. A primeira contrata&ccedil;&atilde;o    de uma tecnologia nova na ind&uacute;stria brasileira ser&aacute; sempre mais    cara e mais demorada que a compra no exterior, dada a necess&aacute;ria amortiza&ccedil;&atilde;o    dos custos de desenvolvimento. Somente um fluxo permanente de contratos industriais    permite aumentar a recorr&ecirc;ncia e reduzir pre&ccedil;os e prazos. Os contratos    realizados pelo Inpe para os CBERS-3 e 4 e os sat&eacute;lites da PMM est&atilde;o    permitindo esses ganhos. Nos contratos recorrentes, o Inpe tem obtido redu&ccedil;&otilde;es    de pre&ccedil;os entre 25% e 50% e de prazos em at&eacute; 1 ano. Isso mostra    a import&acirc;ncia de manter recursos est&aacute;veis no programa espacial    como condi&ccedil;&atilde;o para manter uma pol&iacute;tica industrial para    o setor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A estabilidade    e previsibilidade de recursos do Inpe a partir de 2003 teve feitos positivos    ao ampliar a coopera&ccedil;&atilde;o internacional na &aacute;rea de sat&eacute;lites.    Al&eacute;m do programa CBERS, o Inpe tem hoje acordos com a Argentina e os    EUA. Brasil e Argentina acordaram fazer um sat&eacute;lite de observa&ccedil;&atilde;o    dos oceanos (Sabia-Mar), e a Nasa est&aacute; discutindo com o Inpe a coopera&ccedil;&atilde;o    em um sat&eacute;lite de medidas de precipita&ccedil;&atilde;o (GPM-LIO) e negocia    um sat&eacute;lite avan&ccedil;ado para medida de ecossistemas vegetais (Flora).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &aacute;rea    ambiental e cient&iacute;fica, o Inpe adotou, a partir de meados da d&eacute;cada    de 1980, a estrat&eacute;gia de transformar compet&ecirc;ncia cient&iacute;fica    em miss&otilde;es operacionais de impacto nacional. Isso aconteceu em tr&ecirc;s    &aacute;reas: previs&atilde;o num&eacute;rica do tempo, monitoramento da Amaz&ocirc;nia    por sat&eacute;lites e clima espacial. O Centro de Previs&atilde;o de Tempo    e Estudos Clim&aacute;ticos (CPTEC) foi criado em 1986 e suas instala&ccedil;&otilde;es    em Cachoeira Paulista foram inauguradas em 1994. O CPTEC montou uma infraestrutura    de supercomputa&ccedil;&atilde;o e contratou equipes de modelagem e de previs&atilde;o    operacional que implantaram no Brasil a moderna previs&atilde;o de tempo. A    qualidade de previs&atilde;o do CPTEC melhora de forma sistem&aacute;tica desde    a d&eacute;cada de 1990. Em 2010, foi comprado um supercomputador Cray XT-6    com 30.000 processadores, que permitir&aacute; ao Inpe gerar previs&otilde;es    em escala regional com resolu&ccedil;&otilde;es menores que 5 km. Em 2010, o    <i>site</i> do CPTEC teve cerca de 220.000 acessos por m&ecirc;s, al&eacute;m    da dissemina&ccedil;&atilde;o de suas previs&otilde;es feita amplamente na m&iacute;dia.    Isso mostra que as informa&ccedil;&otilde;es ambientais e de tempo e clima s&atilde;o    amplamente utilizadas pela sociedade brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A segunda transi&ccedil;&atilde;o    pesquisa-opera&ccedil;&otilde;es realizada pelo Inpe foi o estabelecimento de    programa de monitoramento ambiental da Amaz&ocirc;nia. Desde 1990, o Inpe mede    a taxa anual de desmatamento por corte raso na Amaz&ocirc;nia, atrav&eacute;s    do projeto Prodes. A partir de 2003, os mapas do Prodes passam a ser divulgados    na internet, sendo de grande valia para fiscaliza&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas. Em 1992, o Inpe iniciou a detec&ccedil;&atilde;o de queimadas    em todo o Brasil, usando dados de sat&eacute;lites americanos Noaa, Terra e    Goes. A partir de 2004, lan&ccedil;ou o sistema de detec&ccedil;&atilde;o de    desmatamento em tempo real (Deter), que fornece dados sobre desmatamento e degrada&ccedil;&atilde;o    com frequ&ecirc;ncia quinzenal. Esses sistemas s&atilde;o a fonte prim&aacute;ria    de informa&ccedil;&otilde;es para as decis&otilde;es do governo federal quanto    &agrave;s pol&iacute;ticas de combate ao desmatamento na Amaz&ocirc;nia. &Eacute;    consenso no governo e na sociedade que os dados do Inpe tiveram um papel crucial    na redu&ccedil;&atilde;o do desmatamento da Amaz&ocirc;nia no per&iacute;odo    2004-2010, quando o corte raso caiu de 27.000 km<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>    para 6.500 km<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a> por ano. Em    2007, reportagem da revista <i>Science</i> disse que "<i>Brazil's monitoring    system is the envy of the world</i>".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recentemente, o    Inpe ampliou sua agenda de pesquisa para incluir os temas de mudan&ccedil;as    clim&aacute;ticas e ci&ecirc;ncia do sistema terrestre. Desde 1996, o Inpe &eacute;    um dos l&iacute;deres do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera    na Amaz&ocirc;nia (LBA), junto com pesquisadores de 12 pa&iacute;ses. Os estudos    do LBA tratam dos ciclos da &aacute;gua, energia, carbono, gases e nutrientes    na Amaz&ocirc;nia e como esses ciclos s&atilde;o alterados pelas a&ccedil;&otilde;es    do homem. Esse experimento veio confirmar a lideran&ccedil;a do Inpe no setor    e o destaque das quest&otilde;es ambientais em sua agenda cient&iacute;fica.    Cientistas do Inpe participam da elabora&ccedil;&atilde;o dos relat&oacute;rios    do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), e lideraram o comit&ecirc;    cient&iacute;fico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP) de 2006    a 2012. Essas iniciativas levaram o Inpe a criar um Centro de Ci&ecirc;ncia    do Sistema Terrestre (CCST) em 2009. O objetivo do CCST &eacute; analisar os    caminhos de sustentabilidade do Brasil frente &agrave;s mudan&ccedil;as ambientais    globais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentro da l&oacute;gica    j&aacute; estabelecida de transformar capacidades de pesquisa em programas operacionais,    o Inpe criou em 2008 o programa de Clima Espacial. Seu objetivo &eacute; medir    e modelar a intera&ccedil;&atilde;o Sol-Terra e seus efeitos no espa&ccedil;o    pr&oacute;ximo e na superf&iacute;cie do territ&oacute;rio brasileiro. As tempestades    magn&eacute;ticas e tempestades ionosf&eacute;ricas, geradas pela atividade    solar, afetam transmiss&atilde;o de dados de GPS, sat&eacute;lites, avi&otilde;es    e sistemas el&eacute;tricos. O Inpe est&aacute; instalando infraestrutura de    coleta de dados, modelagem e previs&atilde;o de clima espacial, e a primeira    fase do programa ser&aacute; conclu&iacute;da em 2012.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este breve hist&oacute;rico    do Inpe mostra que os resultados mais positivos de seus 50 anos de exist&ecirc;ncia    est&atilde;o associados a projetos em que houve mobiliza&ccedil;&atilde;o de    recursos humanos qualificados para projetos com impactos cient&iacute;ficos    e sociais bem definidos. Esse sucesso tamb&eacute;m depende de um <i>equil&iacute;brio    delicado</i> entre pesquisa, tecnologia e opera&ccedil;&otilde;es. &Eacute;    atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica que formamos as novas    gera&ccedil;&otilde;es de especialistas na &aacute;rea espacial. No entanto,    se tivesse ficado restrito &agrave; pesquisa, o Inpe n&atilde;o teria cumprido    miss&otilde;es &uacute;nicas e necess&aacute;rias para o Brasil, que precisam    de pessoal alocado em atividades de desenvolvimento tecnol&oacute;gico e de    opera&ccedil;&otilde;es. Administrar o balan&ccedil;o interno de pessoal e recursos    &eacute; um desafio permanente para os gestores do Inpe.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando-se    as enormes varia&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica de governo para C&amp;T    no Brasil nos &uacute;ltimos 50 anos, &eacute; surpreendente constatar que o    Inpe manteve uma trajet&oacute;ria consistente. Em 50 anos de atividade, o Inpe    conseguiu realizar boa parte do projeto original do Gocnae, e implantar no Brasil    um centro de P&amp;D com qualidade nas &aacute;reas espacial e ambiental. Suas    realiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m reconhecimento dentro e fora do pa&iacute;s.    O Cybermetrics Lab do CSIC-Espanha (Consejo Superior de Investigaciones Cient&iacute;ficas)    colocou o Inpe entre as 40 institui&ccedil;&otilde;es mundiais de maior visibilidade    na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia e tecnologia. Acredito que boa parte dessa trajet&oacute;ria    positiva se deve aos padr&otilde;es de exig&ecirc;ncia aplicados tanto &agrave;    &aacute;rea cient&iacute;fica quanto ao desenvolvimento de tecnologia. Assim,    a principal li&ccedil;&atilde;o que se pode tirar da hist&oacute;ria do Inpe    &eacute; a import&acirc;ncia de colocar a <i>qualidade</i> como o principal    valor de uma institui&ccedil;&atilde;o de P&amp;D. No Brasil, ainda h&aacute;    muitos que consideram que a qualidade &eacute; um valor secund&aacute;rio na    &aacute;rea de C&amp;T, que pode ser sacrificada em nome de supostos compromissos    sociais. Espero que o hist&oacute;rico positivo do Inpe ajude os que se interessam    por gest&atilde;o de C&amp;T a manter a intransigente defesa do m&eacute;rito    e da qualidade como os &uacute;nicos valores que garantem o sucesso de institui&ccedil;&otilde;es    de pesquisa e desenvolvimento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    O termo "nacional" s&oacute; foi adicionado ao nome do Inpe em 1990, ap&oacute;s    o fim do regime militar.    <br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> O MAPSAR seria um sat&eacute;lite    de imageamento radar de 500 kg, cancelado pelo DLR-Alemanha em 2009 ap&oacute;s    5 anos de estudos conjuntos. O projeto FBM seria um conjunto de sat&eacute;lites    cient&iacute;ficos de 100 kg, cancelado pelo CNES-Fran&ccedil;a em 2005 ap&oacute;s    4 anos de coopera&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> Tratado de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o    da armas nucleares.    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Regime de controle de tecnologia de    m&iacute;sseis.</font></p>      ]]></body>
<REFERENCES></REFERENCES
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