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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article we present a brief history of Brazilian astronomical research. It experienced a big boom which started in the 1970s; and its scientific output grew at an average rate of 11% a year until 2000. From that point on the growth rate has decreased considerably. We also present a census on research groups and graduate programs. There are researchers holding a PhD degree in Astronomy in 41 institutions, and most of them have just one or two researchers. Currently the graduate programs grant 30 Masters and 25 Doctoral degrees a year. Finally, we present some perspectives as well as our own viewpoint on the agreement Brazil has entered into with the European Southern Observatory (ESO).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>A pesquisa em astronomia no Brasil</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Jo&atilde;o    Steiner; Laerte Sodr&eacute;; Augusto Damineli; Cl&aacute;udia Mendes de Oliveira</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professores do    Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas    da USP</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apresentamos uma    breve hist&oacute;ria da pesquisa na astronomia brasileira. Ela teve grande    impulso a partir de 1970, tendo crescido em produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    a uma taxa m&eacute;dia anual de cerca de 11% at&eacute; 2000. Da&iacute; em    diante a taxa de crescimento diminuiu apreciavelmente. Apresentamos, tamb&eacute;m,    um recenseamento dos grupos de pesquisa e das p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es.    Existem pesquisadores com doutorado em astronomia em 41 institui&ccedil;&otilde;es,    a maioria com apenas um ou dois pesquisadores. Os programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    formam, atualmente, cerca de 30 mestres e 25 doutores por ano. Finalmente apresentamos    algumas perspectivas assim como nosso ponto de vista sobre o acordo do Brasil    com o European Southern Observatory (ESO).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    astronomia brasileira, ensino, pesquisa, ESO.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In this article    we present a brief history of Brazilian astronomical research. It experienced    a big boom which started in the 1970s; and its scientific output grew at an    average rate of 11% a year until 2000. From that point on the growth rate has    decreased considerably. We also present a census on research groups and graduate    programs. There are researchers holding a PhD degree in Astronomy in 41 institutions,    and most of them have just one or two researchers. Currently the graduate programs    grant 30 Masters and 25 Doctoral degrees a year. Finally, we present some perspectives    as well as our own viewpoint on the agreement Brazil has entered into with the    European Southern Observatory (ESO).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Brazilian astronomy, teaching, research, ESO.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>ASPECTOS HIST&Oacute;RICOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A astronomia brasileira,    enquanto ci&ecirc;ncia institucionalizada e produtiva, &eacute; uma atividade    recente. Ela se desenvolveu a partir da implanta&ccedil;&atilde;o da p&oacute;s-gradua-&ccedil;&atilde;o,    no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970. Apesar disso, houve iniciativas muito    anteriores; o primeiro observat&oacute;rio astron&ocirc;mico instalado no Brasil,    na verdade o primeiro no hemisf&eacute;rio sul, ocorreu em 1639 no pal&aacute;cio    Friburgo, Recife, pelo astr&ocirc;nomo holand&ecirc;s Georg Markgraf (1616-44);    &eacute; not&aacute;vel que isso tenha acontecido apenas trinta anos ap&oacute;s    Galileu ter apontado a sua luneta para o c&eacute;u. Esse observat&oacute;rio    foi destru&iacute;do em 1643 durante a expuls&atilde;o dos holandeses. Mais    tarde os jesu&iacute;tas instalaram um observat&oacute;rio no Morro do Castelo,    na cidade do Rio de Janeiro, em 1730.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns anos ap&oacute;s    a Declara&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia, em 15 de outubro de 1827,    foi assinado por D. Pedro I o ato de cria&ccedil;&atilde;o do Imperial Observat&oacute;rio    do Rio de Janeiro; com a Proclama&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, passou    a ser denominado Observat&oacute;rio do Rio de Janeiro e, d&eacute;cadas mais    tarde, Observat&oacute;rio Nacional. Trata-se, pois, de uma das mais antigas    institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas brasileiras. No final do s&eacute;culo    XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, o Observat&oacute;rio Nacional organizou    ou participou de diversas expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de astronomia,    sendo a mais famosa a que confirmou a Teoria da Relatividade em Sobral (CE),    em 1919, comandada por uma equipe inglesa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Curiosamente, a    primeira esposa de D. Pedro I, a imperatriz Dona Leopoldina, era astr&ocirc;noma    amadora, gosto que seu filho D. Pedro II herdou. Ambos eram dedicados ao estudo    das ci&ecirc;ncias, e a astronomia era, para D. Pedro II, a predileta das ci&ecirc;ncias.    Consta que, entre os planos n&atilde;o realizados no seu longo reinado, estava    a constru&ccedil;&atilde;o de um "moderno observat&oacute;rio astron&ocirc;mico    e duas universidades".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX constroem-se observat&oacute;rios em Porto Alegre e S&atilde;o    Paulo, mas somente nas d&eacute;cadas de 1960 e de 1970, com a constru&ccedil;&atilde;o    de um telesc&oacute;pio de 60 cm no ITA, em S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos,    e a instala&ccedil;&atilde;o de telesc&oacute;pios de 50-60 cm em Belo Horizonte,    Porto Alegre e Valinhos, come&ccedil;aram realmente as pesquisas em astrof&iacute;sica    no pa&iacute;s. Nessa &eacute;poca, chegaram os tr&ecirc;s primeiros doutores    em astronomia, formados no exterior, que participaram da instala&ccedil;&atilde;o    dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paralelamente se    inicia a constru&ccedil;&atilde;o do Observat&oacute;rio do Pico dos Dias, no    qual foi inaugurado em 1981 o telesc&oacute;pio de 1,60 m, cuja opera&ccedil;&atilde;o    ficou sob responsabilidade do Laborat&oacute;rio Nacional de Astrof&iacute;sica    (LNA), criado em 1985. Esse foi, de fato, o primeiro laborat&oacute;rio nacional    efetivamente criado no Brasil. A opera&ccedil;&atilde;o desse laborat&oacute;rio    nacional procurou seguir as melhores pr&aacute;ticas internacionais na gest&atilde;o    e utiliza&ccedil;&atilde;o dos seus equipamentos. Com isso a comunidade astron&ocirc;mica    se desenvolveu e p&ocirc;de dar um passo al&eacute;m, com a entrada no Cons&oacute;rcio    Gemini, em 1993, e formando o Cons&oacute;rcio Soar, em 1998.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda em 1974 foi    instalado o <i>radiotelesc&oacute;pio</i> para ondas milim&eacute;tricas com    di&acirc;metro de 13,4 m, em Atibaia, SP. Nesse radiotelesc&oacute;pio foram    feitas as principais pesquisas em radioastronomia no Brasil at&eacute; hoje.    Mais tarde foi instalado o Telesc&oacute;pio Solar Submilim&eacute;trico, em    El Leoncito, Argentina.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &aacute;rea    espacial o Brasil participou desde os anos de 1970 de voos de bal&otilde;es    estratosf&eacute;ricos, nos quais voaram equipamentos para observar a radia&ccedil;&atilde;o    c&oacute;smica de fundo e fontes de raios X.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A astronomia hoje    est&aacute; consolidada em diversas institui&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s,    e o Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas    da USP (IAG) &eacute;, no momento, a maior delas. O IAG originou-se na Comiss&atilde;o    Geogr&aacute;fica e Geol&oacute;gica do Estado de S&atilde;o Paulo, em 1886,    e foi integrado &agrave; USP em 1934. Atualmente &eacute; a mais importante    institui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em n&uacute;mero de pesquisadores,    em produ&ccedil;&atilde;o e na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (nota 7 na    Capes), com cerca de 1/3 dos estudantes de astronomia do pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>GRUPOS DE PESQUISA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    teve um papel importante no sentido de impulsionar a forma&ccedil;&atilde;o    de nove mestres e doutores no pa&iacute;s. Em 1981 o Brasil j&aacute; contava    com 41 doutores em astronomia. Hoje existem 234 doutores empregados em 40 institui&ccedil;&otilde;es,    al&eacute;m de 60 p&oacute;s-doutores. Algumas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    bastante grandes, enquanto a maioria das institui&ccedil;&otilde;es conta com    apenas um ou dois profissionais. Com o in&iacute;cio da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira na &aacute;rea da astronomia    tamb&eacute;m teve um grande desenvolvimento. No ano de 1965, ela praticamente    n&atilde;o existia, no sentido de que n&atilde;o h&aacute; registro de trabalho    cient&iacute;fico publicado em revista indexada. No ano de 1970 j&aacute; houve    oito artigos publicados. Nos trinta anos seguintes (1970-2000) a taxa m&eacute;dia    de crescimento anual dos artigos publicados foi de 11,1%. Essa fase representa    a consolida&ccedil;&atilde;o da astronomia brasileira, com o estabelecimento    de uma infraestrutura observacional (instala&ccedil;&atilde;o da antena de radioastronomia    de Atibaia e do telesc&oacute;pio de 1,60 m do OPD), a implanta&ccedil;&atilde;o    da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, com o retorno de doutores formados no    exterior e a contrata&ccedil;&atilde;o de profissionais por universidades e    institutos federais de pesquisa. Nesse per&iacute;odo formou-se uma comunidade    que aprendeu a usar da melhor forma os recursos dispon&iacute;veis e a publicar    os resultados. Al&eacute;m disso, o uso sistem&aacute;tico da Internet deu aos    pesquisadores brasileiros, antes isolados pelas grandes dist&acirc;ncias, muito    maior capacidade de articula&ccedil;&atilde;o e levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de <i>networkings</i> nacionais e internacionais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; nos anos    de 2000-08 essa taxa foi bem menor: ~1%. Isso tamb&eacute;m se deve a diversos    fatores:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; O n&uacute;mero    de contrata&ccedil;&otilde;es de professores e pesquisadores em longo per&iacute;odo    anterior foi muito pequeno; o quadro, estagnado, passou a envelhecer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; A antena    de Atibaia deixou de ser competitiva. Os telesc&oacute;pios do OPD, apesar de    produtivos, eram competitivos apenas na &aacute;rea estelar, uma vez que novos    e modernos telesc&oacute;pios, instalados em s&iacute;tios muito superiores,    passaram a dar apoio muito mais efetivo &agrave; astronomia, principalmente    a extragal&aacute;ctica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Muitos estudantes    deixaram de procurar a &aacute;rea da astronomia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse quadro est&aacute;    mudando. Alguns indicadores sugerem que a astronomia no Brasil est&aacute; voltando    a ter um crescimento mais din&acirc;mico. Isso se deve a:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; A entrada    do Brasil nos cons&oacute;rcios Gemini e Soar come&ccedil;a a dar resultados    em ritmo crescente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Novos estudantes    est&atilde;o sendo atra&iacute;dos para a &aacute;rea em n&uacute;mero e qualidade    crescentes. S&atilde;o 90 alunos de mestrado e 130 de doutorado matriculados    nos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Novas contrata&ccedil;&otilde;es    de profissionais est&atilde;o sendo feitas, principalmente em universidades.    Novos grupos de pesquisa se formam em universidades nas quais n&atilde;o havia    astr&ocirc;nomos at&eacute; recentemente, inclusive universidades privadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; A descoberta    da energia escura tem motivado um grande n&uacute;mero de trabalhos na &aacute;rea    de cosmologia te&oacute;rica, hoje, j&aacute; a segunda &aacute;rea mais produtiva.    Outras &aacute;reas novas de pesquisa como a f&iacute;sica de asteroides e exoplanetas    tamb&eacute;m t&ecirc;m mostrado produ&ccedil;&atilde;o crescente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os maiores grupos    de pesquisa em astronomia est&atilde;o concentrados na USP e nas universidades    federais UFRGS, UFRJ e UFRN assim como nos institutos do MCT, Observat&oacute;rio    Nacional e Inpe. Todos eles mant&ecirc;m programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em n&iacute;vel de mestrado e doutorado. No entanto, outros grupos menores tamb&eacute;m    participam de programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, quase sempre    em conjunto com os programas de f&iacute;sica. S&atilde;o no total dezesseis    programas que oferecem mestrado e doze que oferecem doutorado em astronomia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As principais &aacute;reas    de pesquisa s&atilde;o astronomia estelar (&oacute;ptica e infravermelha), que    produz 30%, cosmologia te&oacute;rica, com 17%, e astronomia extragal&aacute;ctica,    com 13% dos artigos publicados em 2008. Algumas &aacute;reas tiveram desenvolvimento    bastante recentemente, como f&iacute;sica de asteroides (6%) e exoplanetas (3%).    Esta &uacute;ltima se desenvolveu gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o    do Brasil no sat&eacute;lite Corot.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O    EM ASTRONOMIA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, a grande    maioria dos pesquisadores em astronomia e astrof&iacute;sica fez bacharelado    em f&iacute;sica e depois mestrado e doutorado em astronomia. A UFRJ oferece    curso de gradua&ccedil;&atilde;o em astronomia h&aacute; mais de cinquenta anos;    a USP iniciou uma habilita&ccedil;&atilde;o em astronomia junto ao bacharelado    em f&iacute;sica em 1997 e um bacharelado espec&iacute;fico no ano de 2009.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="/img/revistas/rusp/n89/08t01.jpg">Quadro    1</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No &acirc;mbito    da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em astronomia, os primeiros cursos foram    no Instituto Tecnol&oacute;gico da Aeron&aacute;utica, na Universidade Mackenzie    e no Instituto Astron&ocirc;mico e Geof&iacute;sico da USP, entre 1969 e 1971,    seguidos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, mais tarde, no Observat&oacute;rio    Nacional, no Rio de Janeiro, na Universidade Federal de Minas Gerais e na Universidade    Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente catorze programas j&aacute; fornecem    titula&ccedil;&atilde;o e novos programas est&atilde;o iniciando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; importante    real&ccedil;ar que um profissional de astronomia s&oacute; entra realmente no    mercado de trabalho ap&oacute;s obter o doutorado. Durante os &uacute;ltimos    anos da gradua&ccedil;&atilde;o e durante toda a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    a grande maioria dos estudantes recebe bolsa das ag&ecirc;ncias financiadoras    brasileiras, CNPq, Capes e Fapesp, esta &uacute;ltima em S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os astr&ocirc;nomos    profissionais trabalham nos institutos de pesquisa do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia (Inpe, ON, LNA, CBPF) e nas universidades. Uma parcela ainda pequena    trabalha em empresas privadas, como Embratel, mas a grande capacita&ccedil;&atilde;o    em inform&aacute;tica que eles adquirem tem levado alguns para a &aacute;rea    de computa&ccedil;&atilde;o e instrumenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>OS TELESC&Oacute;PIOS    GEMINI E SOAR</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cria&ccedil;&atilde;o    do Laborat&oacute;rio Nacional de Astrof&iacute;sica consolidou a astronomia    observacional no Brasil, dando apoio aos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    e desenvolvendo instrumentos de observa&ccedil;&atilde;o. Com isso o Brasil    se credenciou para integrar um cons&oacute;rcio internacional formado pelos    EUA (50%), Inglaterra (25%), Canad&aacute; (15%), Austr&aacute;lia (5%), Argentina    (2,5%) e Brasil (2,5%) para construir e operar dois telesc&oacute;pios de oito    metros - os telesc&oacute;pios Gemini. Os telesc&oacute;pios foram instalados    no Hava&iacute; e Chile. Esse cons&oacute;rcio foi formado em 1993 e os primeiros    artigos sa&iacute;ram em 2000. A participa&ccedil;&atilde;o brasileira no Gemini    tem sido bastante bem-sucedida, estando o Brasil entre os parceiros mais produtivos    e de maior impacto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1996 foi formado    outro cons&oacute;rcio para construir e operar um telesc&oacute;pio de 4,1 metros:    o Telesc&oacute;pio Soar (Southern Telescope for Astrophysical Research). Os    parceiros s&atilde;o MCT (34%), e as institui&ccedil;&otilde;es americanas Noao    (33%), UNC (16%) e MSU (14%). Esse telesc&oacute;pio ainda est&aacute; comissionando    alguns instrumentos, n&atilde;o estando, pois, em ritmo de cruzeiro. Do ponto    de vista do Brasil, j&aacute; podemos dizer que o Soar viabilizou nossa capacita&ccedil;&atilde;o    de construir instrumentos de classe mundial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como consequ&ecirc;ncia    da participa&ccedil;&atilde;o nos cons&oacute;rcios Gemini e Soar, temos a oportunidade    de, al&eacute;m disso, aplicar, para a observa&ccedil;&atilde;o de tempo no    Subaru, os telesc&oacute;pios Keck e Blanco e, al&eacute;m disso, temos tamb&eacute;m    acesso ao CFHT. O Brasil &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s em desenvolvimento    que tem acesso a telesc&oacute;pios de 8 m e 4 m e um dos poucos pa&iacute;ses    no mundo com acesso a esse tamanho de telesc&oacute;pios em ambos os hemisf&eacute;rios.    Essa situa&ccedil;&atilde;o privilegiada foi alcan&ccedil;ada com um investimento    de 30 milh&otilde;es de d&oacute;lares nos &uacute;ltimos dezessete anos. Esta    &eacute; provavelmente uma das melhores rela&ccedil;&otilde;es custo/benef&iacute;cio    de qualquer astronomia nacional do mundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>DESENVOLVIMENTO    DE INSTRUMENTA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA: DA INOVA&Ccedil;&Atilde;O    &Agrave; CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A astronomia &eacute;    uma ci&ecirc;ncia b&aacute;sica. Sua miss&atilde;o &eacute; nos dizer de onde    viemos, onde estamos e para onde vamos. Seu objetivo &eacute;, pois, avan&ccedil;ar    a fronteira do conhecimento. No entanto, ao longo de toda a hist&oacute;ria,    essa ci&ecirc;ncia avan&ccedil;ou <i>pari passu</i> com o desenvolvimento tecnol&oacute;gico.    Muitas vezes se beneficiando dele, muitas vezes o promovendo direta ou indiretamente.    Exemplos disso s&atilde;o tantos que seria tedioso enumer&aacute;-los.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se o objetivo da    ci&ecirc;ncia da astronomia &eacute; fazer pesquisa b&aacute;sica, ela pode    ser desenvolvida promovendo o desenvolvimento de instrumenta&ccedil;&atilde;o    de ponta; dessa forma se incentiva a <i>cultura da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica</i>.    Isso se d&aacute; pelo treinamento de cientistas e t&eacute;cnicos em tecnologias    emergentes, necess&aacute;rias para a pesquisa astron&ocirc;mica de ponta. Ao    contr&aacute;rio de muitas &aacute;reas da ci&ecirc;ncia nas quais avan&ccedil;os    cient&iacute;ficos des&aacute;guam em inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica,    na astronomia ocorre o contr&aacute;rio. Para que possa haver avan&ccedil;o    cient&iacute;fico, &eacute; necess&aacute;rio avan&ccedil;ar as fronteiras tecnol&oacute;gicas    e promover, indiretamente, a inova&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A participa&ccedil;&atilde;o    brasileira no telesc&oacute;pio Soar viabilizou, pela primeira vez, a constru&ccedil;&atilde;o    efetiva de instrumentos modernos, de classe mundial, para grandes telesc&oacute;pios.    Os instrumentos constru&iacute;dos at&eacute; o momento s&atilde;o:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; SIFS - Soar    Integral Field Spectrograph - espectr&oacute;grafo de campo integral, com 1.300    fibras &oacute;pticas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; BTFI - Brazilian    Tunable Filter Imager - um imageador Fabry-Perrot combinando capacidade de produzir    imagens com alta e baixa resolu&ccedil;&atilde;o espectral.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Steles -    espectr&oacute;grafo Echelle de alta resolu&ccedil;&atilde;o para o Soar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="/img/revistas/rusp/n89/08t02.jpg">Quadro    2</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>SOBRE O FUTURO    DA PESQUISA EM ASTRONOMIA NO BRASIL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A astronomia contempor&acirc;nea    &eacute; uma ci&ecirc;ncia vibrante. Revolu&ccedil;&otilde;es acontecem em escalas    de d&eacute;cadas, n&atilde;o mais de s&eacute;culos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"H&aacute; quinze    anos, n&atilde;o conhec&iacute;amos um &uacute;nico exoplaneta, hoje conhecemos    mais de quinhentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; quinze    anos, n&oacute;s sab&iacute;amos que o Universo estava se expandindo; hoje sabemos    que essa expans&atilde;o est&aacute; sendo acelerada: foi descoberta a energia    escura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; quinze    anos, sabia-se sobre a falta de massa e t&iacute;nhamos estimativas aproximadas    sobre seu valor; hoje sabemos com precis&atilde;o qual a percentagem da mat&eacute;ria    que &eacute; escura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; quinze    anos, n&oacute;s suspeit&aacute;vamos que os buracos negros supermassivos estavam    associados a quasars; hoje sabemos que eles habitam a maioria das gal&aacute;xias    massivas; a massa de mais de cinquenta desses buracos negros tem sido medida,    incluindo os da Via L&aacute;ctea e Andr&ocirc;meda.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; quinze    anos, n&oacute;s conhec&iacute;amos a idade do universo com uma precis&atilde;o    de 20%. Hoje n&oacute;s a conhecemos com 1%: 13,72 &#177; 0,12 bilh&otilde;es    de anos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os enigmas da natureza    da energia escura e da mat&eacute;ria escura est&atilde;o, seguramente, entre    as quest&otilde;es mais fundamentais da ci&ecirc;ncia contempor&acirc;nea. Abord&aacute;-las    exige estrat&eacute;gias especiais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acreditamos que    a atual estrat&eacute;gia de desenvolvimento da astronomia brasileira deva ser    continuada e aprofundada. V&aacute;rios projetos t&ecirc;m sido discutidos e    alguns j&aacute; foram financiados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos citar o    projeto J-PAS (Javalambra Physics of Accelerating Universe Astrophysical Survey),    uma parceria com os espanh&oacute;is para construir um telesc&oacute;pio de    2,5 m cujo objetivo &eacute; estudar grandes estruturas no universo, em especial,    um fen&ocirc;meno cosmol&oacute;gico conhecido como BAO (<i>barionic accoustic    oscillation</i>). Os objetivos principais s&atilde;o estudar a natureza da energia    escura e a evolu&ccedil;&atilde;o de gal&aacute;xias, mas a gama de aplica&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas poss&iacute;veis &eacute; enorme. Os espanh&oacute;is est&atilde;o    construindo o telesc&oacute;pio e o Brasil, a c&acirc;mera. Esse projeto j&aacute;    se encontra totalmente financiado. Outra iniciativa &eacute; copiar esse telesc&oacute;pio    para o hemisf&eacute;rio sul. Seria uma complementa&ccedil;&atilde;o muito interessante    ao projeto americano LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que revolucionar&aacute;    a astronomia em v&aacute;rios aspectos. A partir disso poder&iacute;amos estabelecer    diversas parcerias cient&iacute;ficas de amplo interesse para a comunidade brasileira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; interesse    da comunidade argentina de intensificar a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    com o Brasil. Isso se reflete nos projetos Abras (Argentina-Brazil Astronomical    Center), que est&aacute; instalando um pequeno telesc&oacute;pio otimizado para    o infravermelho a 5.000 metros de altura em Cerro Macon, Argentina. A exist&ecirc;ncia    do Alma (Atacama Large Milimetric Array) no Chile suscitou a ideia de uma parceria    entre o Brasil e a Argentina para fazer uma rede de interferometria milim&eacute;trica    (denominada Lhama). Essa ideia tem tido amplo apoio na comunidade e possibilitaria    um bem-vindo fortalecimento da radioastronomia no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cons&oacute;rcio    Gemini est&aacute; discutindo a reestrutura&ccedil;&atilde;o de sua parceria    a partir de 2012. Dado o bom aproveitamento cient&iacute;fico por parte do Brasil,    ter&iacute;amos a oportunidade de aumentar nossa participa&ccedil;&atilde;o    para 10%, assumindo parte da cota da Inglaterra, que est&aacute; se retirando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sat&eacute;lites    cient&iacute;ficos t&ecirc;m sido historicamente uma oportunidade n&atilde;o    s&oacute; de engajar a comunidade cient&iacute;fica para desenvolver a tecnologia    espacial, como de oferecer oportunidades de pesquisas em plataformas espaciais    que n&atilde;o podem ser feitas a partir do solo. Essa &aacute;rea, essencial    para o sucesso cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do pa&iacute;s, ainda    est&aacute; muito pouco desenvolvida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, no    longo prazo, existem os projetos de ELTs (Extremely Large Telescopes). Tr&ecirc;s    projetos t&ecirc;m sido discutidos:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; GMT (Giant    Magellan Telescope): telesc&oacute;pio de 24 metros a ser constru&iacute;do    no Chile, pelo Carnegie Institution for Science, University of Texas at Austin,    Harvard University, Australian National University, Smithsonian Astrophysical    Observatory, University of Arizona, Texas A&amp;M University, Astronomy Australia    Ltd., Korea Astronomy and Space Science Institute e The University of Chicago.    O custo de constru&ccedil;&atilde;o &eacute; de 706 milh&otilde;es de d&oacute;lares    e o custo de opera&ccedil;&atilde;o &eacute; de 20 milh&otilde;es de d&oacute;lares    anuais. Antev&ecirc;-se ainda a necessidade de um programa de instrumenta&ccedil;&atilde;o    de 13 milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais. O Brasil recebeu uma oferta de    participar com um m&iacute;nimo de 5% nesse projeto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; TMT (Thirty    Meter Telescope): um telesc&oacute;pio de 30 metros a ser constru&iacute;do    no Hava&iacute; pelo Caltech, Universidade da Calif&oacute;rnia, Canad&aacute;,    Jap&atilde;o, China e, possivelmente, a &Iacute;ndia. O custo do telesc&oacute;pio    &eacute; de 1 bilh&atilde;o de d&oacute;lares e o custo de opera&ccedil;&atilde;o    &eacute; de 27 milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais, com a previs&atilde;o    de um programa de instrumenta&ccedil;&atilde;o de 15 a 25 milh&otilde;es de    d&oacute;lares anuais. O Brasil recebeu uma proposta de participar com 10% nesse    projeto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; E-ELT (European    Extremely Large Telescope): um telesc&oacute;pio de 42 metros a ser constru&iacute;do    no Chile pelo ESO. O custo previsto &eacute; de 1 bilh&atilde;o de euros, com    um custo de opera&ccedil;&atilde;o de 60 milh&otilde;es de euros por ano e um    programa de instrumenta&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o or&ccedil;ado. O acordo    Brasil-ESO prev&ecirc; que o Brasil utilizaria esse equipamento competindo pelo    acesso ao tempo de telesc&oacute;pio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A decis&atilde;o    sobre em que projeto participar deve levar em conta tanto o interesse cient&iacute;fico    quanto as possibilidades de envolvimento ativo no desenvolvimento instrumental.    O an&uacute;ncio da ades&atilde;o do Brasil ao ESO atropelou uma discuss&atilde;o    que estava havendo com representantes desses tr&ecirc;s cons&oacute;rcios e    que buscava maximizar o retorno cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico para    o pa&iacute;s. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O ACORDO BRASIL-ESO:    ELE &Eacute; BOM PARA O BRASIL?</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Contexto</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No dia 29 de dezembro    passado, o ministro S&eacute;rgio Machado Rezende assinou o acordo de ades&atilde;o    do Brasil ao Observat&oacute;rio Europeu do Sul (European Southern Observatory    - ESO), que d&aacute; acesso aos astr&ocirc;nomos brasileiros (e seus alunos    e p&oacute;s-doutores) a utilizar mais de uma dezena de telesc&oacute;pios no    hemisf&eacute;rio sul e a participar da constru&ccedil;&atilde;o do telesc&oacute;pio    gigante de 42 m, o E-ELT, e do radiotelesc&oacute;pio Alma. O custo &eacute;    de 250 milh&otilde;es de euros pagos em onze anos, ap&oacute;s os quais o Brasil    passar&aacute; a ser membro pleno, pagando um valor anual que ser&aacute; proporcional    ao PIB brasileiro e ao custo operacional de todas as opera&ccedil;&otilde;es    do ESO.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ades&atilde;o    do Brasil ao ESO foi apresentada na revista <i>Nature</i> (janeiro de 2011)    como um grande impulso para a nossa astronomia e uma oportunidade para nossa    ind&uacute;stria de alta tecnologia; parte da comunidade cient&iacute;fica da    &aacute;rea da astronomia discorda dessa vis&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A l&oacute;gica    de funcionamento do ESO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela l&oacute;gica    do ESO e pelos termos do acordo assinado, o Brasil pagar&aacute;, nos pr&oacute;ximos    onze anos, 250 milh&otilde;es de euros, com uma contribui&ccedil;&atilde;o financeira    crescente at&eacute; se tornar membro pleno ap&oacute;s onze anos. A contribui&ccedil;&atilde;o    de cada membro pleno &eacute; proporcional ao seu PIB (se o Brasil fosse membro    pleno hoje, pagaria por 10% das contribui&ccedil;&otilde;es totais - para compara&ccedil;&atilde;o    a Espanha pagou, em 2009, 9,5% e o Reino Unido, 16%). O Brasil pagar&aacute;,    pois, um custo equivalente ao que pagam pa&iacute;ses como Espanha, Inglaterra    e It&aacute;lia, que t&ecirc;m PIB semelhante ao do Brasil e n&uacute;mero de    astr&ocirc;nomos pelo menos tr&ecirc;s vezes maior e muito mais preparados para    competir por tempo de telesc&oacute;pio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso significa    que, mesmo pagando 250 milh&otilde;es de euros nos pr&oacute;ximos 10 anos e    mais de 10% da contribui&ccedil;&atilde;o total do ESO, ser&aacute; que nossa    comunidade ter&aacute; a oportunidade de desenvolver seus potenciais inatos    e sua lideran&ccedil;a sob o guarda-chuva do ESO? O Soar e o Gemini foram <i>landmarks</i>    para a inser&ccedil;&atilde;o do Brasil na astronomia internacional precisamente    porque tivemos a oportunidade de moldar nossa participa&ccedil;&atilde;o nesses    observat&oacute;rios da maneira que bem escolhemos, no sentido de atender &agrave;s    necessidades de nossa comunidade. Enquanto nos cons&oacute;rcios Gemini e Soar    o Brasil tem uma fra&ccedil;&atilde;o de tempo de telesc&oacute;pio fixa que    pode ser usada estrategicamente para desenvolver a nossa capacidade cient&iacute;fica    (com comit&ecirc; nacional de aloca&ccedil;&atilde;o de tempo de telesc&oacute;pios),    na comunidade do ESO, os brasileiros ter&atilde;o que competir com os cientistas    dos pa&iacute;ses europeus, com mais forte tradi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    e muito maior e mais bem preparada comunidade de astr&ocirc;nomos (o comit&ecirc;    de aloca&ccedil;&atilde;o de tempo de telesc&oacute;pios &eacute; internacional).    Isso significa que estaremos correndo o risco de ter uma fra&ccedil;&atilde;o    muito pequena do seu tempo de observa&ccedil;&atilde;o e a maioria dos projetos    ter&aacute; apenas o acesso a equipamentos menores, mais velhos e menos competitivos.    Isso n&atilde;o retribui nem de longe o 1 milh&atilde;o de reais por semana    que estaremos pagando.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/08f06.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; de se    considerar, ainda, que daqui a onze anos o custo de opera&ccedil;&atilde;o do    ESO ser&aacute; significativamente maior do que o de hoje, particularmente com    o in&iacute;cio das opera&ccedil;&otilde;es do E-ELT e Alma, e se a economia    brasileira crescer mais do que a europeia, n&oacute;s acabaremos pagando muito    mais do que a fra&ccedil;&atilde;o atual de 10% de uma conta que pode facilmente    vir a ser o dobro dos atuais 15 milh&otilde;es de euros anuais - podendo o Brasil,    inclusive, passar a ser o principal financiador do ESO, mas com um n&uacute;mero    relativo de astr&ocirc;nomos significativamente menor e, consequentemente, com    um retorno cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico menor. Na pr&aacute;tica,    estar&iacute;amos subsidiando o funcionamento do ESO e da astronomia europeia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ademais, mesmo    com uma taxa de crescimento do n&uacute;mero de astr&ocirc;nomos o triplo da    atual, o tamanho de nossa comunidade ser&aacute;, em dez anos, ainda tr&ecirc;s    vezes menor do que o das comunidades de pa&iacute;ses como Inglaterra, It&aacute;lia,    Fran&ccedil;a e Alemanha, mesmo se essas comunidades n&atilde;o apresentarem    nenhum crescimento futuro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Desenvolvimento    de instrumenta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O modelo do observat&oacute;rio    ESO assegura tempo de telesc&oacute;pio cativo a grupos que constroem novos    instrumentos astron&ocirc;micos. O ESO paga pelos custos do <i>hardware</i>    para os instrumentos a serem desenvolvidos pelas equipes dos pa&iacute;ses membros,    mas n&atilde;o paga pela m&atilde;o de obra, que deve ser suprida pelas equipes.    Esse &eacute; um sistema que funciona muito bem para pa&iacute;ses que t&ecirc;m    um vigoroso programa nacional de instrumenta&ccedil;&atilde;o, como Fran&ccedil;a,    Inglaterra e Alemanha, que recebem grandes quantidades de "tempo garantido"    de telesc&oacute;pio, tempo este que &eacute; descontado do <i>pool</i> de tempo    de telesc&oacute;pio total do cons&oacute;rcio. Uma consequ&ecirc;ncia direta    para os pa&iacute;ses menos desenvolvidos &eacute;, na pr&aacute;tica, uma diminui&ccedil;&atilde;o    do tempo total de telesc&oacute;pio dispon&iacute;vel devido aos tempos cativos    que beneficiam principalmente os pa&iacute;ses mais desenvolvidos. Al&eacute;m    disso, esses pa&iacute;ses tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m acesso aos "alvos    cativos" mais interessantes para cada instrumento, e que est&atilde;o reservados    para seus construtores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A possibilidade    de se treinar pessoal qualificado, principalmente em &aacute;reas t&eacute;cnicas,    em institui&ccedil;&otilde;es participantes do cons&oacute;rcio, &eacute; dada    como outra grande vantagem para a entrada do Brasil no ESO. Vale salientar que    o Brasil j&aacute; tem no momento muitas oportunidades de treinamento de pessoal    t&eacute;cnico qualificado no exterior, em colabora&ccedil;&otilde;es com o    Gemini, Soar ou Corot, em &aacute;reas importantes como <i>software</i>, &oacute;ptica    adaptativa e mec&acirc;nica de alta precis&atilde;o. Essas oportunidades foram    pouco utilizadas por falta de pessoal no Brasil para tais interc&acirc;mbios.    Esses n&uacute;meros tendem a aumentar com as colabora&ccedil;&otilde;es brasileiras    em novos projetos internacionais como o DES, JPAS e Sumire. Temos que trabalhar    dentro da comunidade para fomentar essa modalidade e fazer com que esses profissionais    que saem do pa&iacute;s para treinamento sejam inseridos nas institui&ccedil;&otilde;es    brasileiras quando voltarem, mas esse &eacute; um processo lento. Isso &eacute;    o que trar&aacute; efetivo crescimento e fortalecimento do nosso &uacute;nico    centro de instrumenta&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica no pa&iacute;s atualmente    (o LNA) e possibilitar&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de novos centros e uma    maior contribui&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias brasileiras em projetos    instrumentais. Sem esse fortalecimento pr&eacute;vio, uma associa&ccedil;&atilde;o    com uma institui&ccedil;&atilde;o como o ESO, em que pagaremos uma conta equivalente    (ou maior) &agrave; dos pa&iacute;ses industrializados europeus, pode significar    uma fuga de nossas divisas para fomentar a astronomia e a participa&ccedil;&atilde;o    da ind&uacute;stria europeia nos grandes projetos instrumentais, sem grandes    retornos concretos para o Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O E-ELT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ESO tem planos    para construir um telesc&oacute;pio de 42 m (o E-ELT), com um custo de cerca    de 1 bilh&atilde;o de euros. Como o ESO n&atilde;o tem todos os recursos para    iniciar a constru&ccedil;&atilde;o, uma estrat&eacute;gia foi elaborada para    o Brasil pagar cerca de 25% disso, em troca de acesso a todas as instala&ccedil;&otilde;es    do ESO. O Brasil tamb&eacute;m poder&aacute; participar da constru&ccedil;&atilde;o    do E-ELT. Por&eacute;m, todos os pacotes de trabalho para o telesc&oacute;pio    e os instrumentos de primeira luz j&aacute; foram atribu&iacute;dos a grupos    e ind&uacute;strias europeus, tanto quanto sabemos; a participa&ccedil;&atilde;o    brasileira est&aacute; restrita &agrave; constru&ccedil;&atilde;o civil - de    baixa tecnologia - e pagando sal&aacute;rios a trabalhadores chilenos. O Brasil    n&atilde;o tem qualquer perspectiva de liderar a constru&ccedil;&atilde;o de    instrumentos para o E-ELT a curto e m&eacute;dio prazo ou desempenhar um papel    central em tais programas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda existem riscos    significativos associados ao E-ELT. O custo final de um telesc&oacute;pio de    42 m pode ser significativamente maior do que 1 bilh&atilde;o de euros, o que    talvez force a redu&ccedil;&atilde;o de sua &aacute;rea coletora de luz.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Estrat&eacute;gias    alternativas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acreditamos que    o Brasil possa adotar uma estrat&eacute;gia diferente para o desenvolvimento    cient&iacute;fico, a um custo dez vezes menor do que a conta que o pa&iacute;s    dever&aacute; pagar ao ESO. Essa estrat&eacute;gia de associa&ccedil;&atilde;o    com o ESO nos parece ser uma m&aacute; escolha para o uso de dinheiro p&uacute;blico.    Dado que n&atilde;o conseguiremos crescer numa escala nem de longe compar&aacute;vel    a esse volume de investimentos, o Brasil ter&aacute; a infraestrutura astron&ocirc;mica    que estar&aacute; entre as de pior rela&ccedil;&atilde;o custo/benef&iacute;cio    no mundo, e pesquisadores brasileiros perder&atilde;o a capacidade de fazer    planejamento estrat&eacute;gico do pa&iacute;s para essa &aacute;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A astronomia instrumental    tem grande potencial de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e acreditamos    que a estrat&eacute;gia que esteve sendo seguida pelo pa&iacute;s seja mais    adequada para os interesses brasileiros. Mas, para isso, &eacute; fundamental    que o planejamento estrat&eacute;gico seja feito no pa&iacute;s; isso n&atilde;o    pode ser terceirizado. As negocia&ccedil;&otilde;es com o ESO foram realizadas    sigilosamente por um pequeno n&uacute;mero de pessoas, sem absolutamente nenhuma    avalia&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica ou cient&iacute;fica, n&atilde;o seguindo    as boas pr&aacute;ticas nacionais e internacionais. Op&ccedil;&otilde;es alternativas    n&atilde;o foram devidamente analisadas. O modelo atual &eacute; baseado no    protagonismo da astronomia brasileira. A associa&ccedil;&atilde;o ao ESO vai    na contram&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m das    oportunidades cient&iacute;ficas, importantes s&atilde;o tamb&eacute;m as oportunidades    para desenvolvimento das capacidades da comunidade atrav&eacute;s de desenvolvimento    instrumental e programas cient&iacute;ficos ambiciosos que utilizam esses instrumentos.    Infelizmente, no ESO, dentro de uma institui&ccedil;&atilde;o t&atilde;o grande,    com interesses t&atilde;o diversos, h&aacute; perigo de uma dilui&ccedil;&atilde;o    das contribui&ccedil;&otilde;es brasileiras, que seriam mais bem aproveitadas    em grupos menores, em situa&ccedil;&otilde;es em que escolh&ecirc;ssemos nossos    pr&oacute;prios projetos, sem ter que aceitar estrat&eacute;gias que s&atilde;o    boas para outros, mas n&atilde;o para n&oacute;s. No momento temos uma situa&ccedil;&atilde;o    privilegiada, na qual o Brasil pode escolher o projeto em que participa, fazendo    sua pr&oacute;pria estrat&eacute;gia. Isso claramente acaba com a entrada do    Brasil no ESO. &Eacute; um casamento car&iacute;ssimo, com benef&iacute;cios    assim&eacute;tricos, e para a vida inteira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa decis&atilde;o    de ades&atilde;o ao ESO subsidia a ci&ecirc;ncia europeia e a ind&uacute;stria    de alta tecnologia europeia com o dinheiro do contribuinte brasileiro. Esperamos,    sinceramente, que o governo e o parlamento brasileiros tenham a oportunidade    de corrigir essa anomalia.</font></p>      ]]></body>
<REFERENCES></REFERENCES
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