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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O financiamento do gasto em P&D do setor privado no Brasil e o perfil dos incentivos governamentais para P&D]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyses the R&D funding profile to the private sector in Brazil, as regards the way companies make use of the government instruments such as credits and monetary aid, and as regards self-financing. A comparison is made among some selected countries in relation to the types of support to the private sector. The argumentation is that, although it seems strong, the support awarded to Brazilian companies is little when compared to international standards, especially when we define the existing diverse instruments.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">    <b>O financiamento do gasto em P&amp;D do setor privado no Brasil e o perfil    dos incentivos governamentais para P&amp;D</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Carlos Am&eacute;rico    Pacheco</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professor titular    do Instituto de Economia da Unicamp</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O artigo analisa    o perfil do financiamento ao setor privado para P&amp;D no Brasil, em termos    do uso pelas empresas de instrumentos governamentais, como cr&eacute;dito e    subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, e em termos de autofinanciamento. Faz-se    tamb&eacute;m uma compara&ccedil;&atilde;o, entre pa&iacute;ses selecionados,    das modalidades de apoio ao setor privado. Argumenta-se que, apesar de ser aparentemente    elevado, o apoio dado &agrave;s empresas brasileiras &eacute; pequeno para os    padr&otilde;es internacionais, em especial quando se qualificam os diversos    instrumentos existentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    P&amp;D, setor privado, apoio, financiamento.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article analyses    the R&amp;D funding profile to the private sector in Brazil, as regards the    way companies make use of the government instruments such as credits and monetary    aid, and as regards self-financing. A comparison is made among some selected    countries in relation to the types of support to the private sector. The argumentation    is that, although it seems strong, the support awarded to Brazilian companies    is little when compared to international standards, especially when we define    the existing diverse instruments.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    R&amp;D, private sector, support, financing.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este texto procura    tra&ccedil;ar um perfil do financiamento ao gasto privado em pesquisa e desenvolvimento    (P&amp;D) no Brasil, destacando o papel das ag&ecirc;ncias e bancos oficiais    da esfera federal. Busca-se caracterizar a import&acirc;ncia do acesso ao cr&eacute;dito    e o significado macro dos incentivos para P&amp;D criados recentemente, como    a equaliza&ccedil;&atilde;o de taxas de juros para empr&eacute;stimos, a Lei    do Bem e a subven&ccedil;&atilde;o definida na Lei da Inova&ccedil;&atilde;o,    bem como os incentivos da Lei de Inform&aacute;tica, em vigor desde 1991. Ao    final, procura-se realizar uma compara&ccedil;&atilde;o internacional desses    dados para aferir se as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas brasileiras se aproximam    do que &eacute; praticado em outros pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O exame desse perfil    de financiamento &eacute; essencial para o desenho de boas pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas no Brasil, como de resto em qualquer economia desenvolvida ou    emergente. Isso decorre da relev&acirc;ncia do gasto privado no total do disp&ecirc;ndio    em P&amp;D. Entre n&oacute;s ele tem estado na casa dos 50%. Ele &eacute; maior    em pa&iacute;ses mais desenvolvidos. E essa ser&aacute; a tend&ecirc;ncia do    pa&iacute;s e ser&aacute; o desafio de nossas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    se quisermos ter &ecirc;xito nas nossas tentativas de <i>catching-up</i><a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antes, contudo,    de fazer uma an&aacute;lise espec&iacute;fica acerca do gasto em P&amp;D e dos    incentivos existentes, &eacute; importante reter algumas caracter&iacute;sticas    gerais do financiamento de longo prazo no Brasil, porque essas caracter&iacute;sticas    condicionam todo o contexto do financiamento em P&amp;D do setor privado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O financiamento    dos gastos do setor privado em P&amp;D no Brasil, como ocorre em grande parte    das economias emergentes, est&aacute; muito pr&oacute;ximo do padr&atilde;o    de financiamento do investimento em capital fixo das empresas. Ainda que existam    especificidades do financiamento &agrave;s atividades de P&amp;D<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>,    essencialmente ligadas ao maior risco dessas atividades empresariais e particularmente    associadas aos diferentes tipos de est&iacute;mulos p&uacute;blicos ao gasto    privado para o desenvolvimento tecnol&oacute;gico, os aspectos b&aacute;sicos    de como as empresas se financiam, ao longo do ciclo econ&ocirc;mico e em termos    de receitas pr&oacute;prias ou de terceiros, n&atilde;o s&atilde;o muitos distintos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para examinar quais    as caracter&iacute;sticas do financiamento &agrave;s atividades de P&amp;D do    setor privado no Brasil, vale, portanto, fazer uma s&iacute;ntese do padr&atilde;o    de financiamento privado ao investimento. Um exame do modelo de financiamento    das empresas brasileiras de capital aberto foi realizado recentemente por pesquisadores    da Unicamp<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>. As conclus&otilde;es    s&atilde;o relevantes, porque enfatizam o peso do autofinanciamento e o relevante    papel dos bancos p&uacute;blicos, <i>vis-&agrave;-vis</i> outras modalidades    de financiamento, como o acesso ao capital de terceiros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como afirmam esses    autores, o per&iacute;odo de forte crescimento e que antecede a crise internacional    de fins de 2008 foi marcado por um ajuste do setor privado,</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"&#91;...&#93;    no sentido de n&atilde;o aumentar em demasia a exposi&ccedil;&atilde;o da sua    estrutura passiva aos riscos de um processo de endividamento crescente &#91;...&#93;    Por isso, a op&ccedil;&atilde;o predominante entre as empresas foi manter em    patamares elevados as aplica&ccedil;&otilde;es financeiras e reduzir o grau    de endividamento, especialmente o de curto prazo, usando sua maior capacidade    de aumentar margens de lucro para gerar recursos internamente. E, com isso,    financiar os investimentos necess&aacute;rios &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o    da participa&ccedil;&atilde;o no mercado, com parcela relativamente menor sendo    obtida por meio de d&iacute;vidas"<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O perfil de financiamento    que esses autores salientam, "para anos normais" (ou seja, afora a crise de    2008-09), &eacute; de uma forte contribui&ccedil;&atilde;o do autofinanciamento    (lucros retidos) no financiamento dos investimentos. Entre 50% e 60% do gasto    em investimento &eacute; coberto assim por receitas pr&oacute;prias. Um papel    importante, mas complementar, &eacute; desempenhado pelo BNDES. Papel que cresce,    para cerca de 10% das necessidades de capital, nas conjunturas de acelera&ccedil;&atilde;o    do investimento, quando &eacute; necess&aacute;rio encontrar alternativas de    financiamento de longo prazo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A novidade apontada    pelo estudo &eacute; que esse conhecido padr&atilde;o de "avers&atilde;o ao    risco", em que o endividamento de longo prazo &eacute; evitado em nome da liquidez    e em que prevalecem decis&otilde;es de investimentos ancoradas nos lucros retidos,    pode estar mudando. Isso &eacute; em parte explicado pela consolida&ccedil;&atilde;o    da estabiliza&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pelo fato de que a retomada    do crescimento exige, progressivamente, imobiliza&ccedil;&atilde;o maior de    capital, que muitas vezes pode estar al&eacute;m da capacidade de gera&ccedil;&atilde;o    de caixa das empresas, mesmo em contextos de recupera&ccedil;&atilde;o de margens    brutas de lucros, como foram os anos recentes, excluindo, desde logo, o per&iacute;odo    mais agudo da crise internacional. Nessa mudan&ccedil;a, &eacute; importante    frisar, emerge um padr&atilde;o muito mais baseado em cr&eacute;dito do que    no mercado de capitais. Uma observa&ccedil;&atilde;o relevante, que exige detalhamento    e obriga a pensar, em especial, no caso das pol&iacute;ticas de desenvolvimento    tecnol&oacute;gico, que recorrentemente, em fun&ccedil;&atilde;o do exemplo    norte-americano, buscam centrar sua interven&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento    de um ind&uacute;stria de <i>venture</i> no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se, <i>grosso modo</i>,    o padr&atilde;o de financiamento dos gastos em P&amp;D reflete o padr&atilde;o    do investimento fixo, o que esperar do financiamento do gasto em P&amp;D? A    <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t01.jpg">Tabela 1</a> na sequ&ecirc;ncia faz uma s&iacute;ntese    desse perfil para as atividades de pesquisa, para mostrar que essa realidade    do autofinanciamento &eacute; ainda mais saliente no caso do gasto em P&amp;D    do setor privado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ficam claras duas    coisas: de um lado, o peso do autofinanciamento na ind&uacute;stria &eacute;    ainda maior no caso das atividades de P&amp;D, o que &eacute; coerente com a    conduta de "avers&atilde;o do risco", que limita o cr&eacute;dito de curto e    longo prazo para atividades com maior capacidade de gerar caixa, e que se explica    tamb&eacute;m pela maior dificuldade de acesso ao financiamento de longo prazo    no Brasil; em segundo lugar a tabela salienta que &eacute; relevante o peso    das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de cr&eacute;dito, tanto no conjunto    do sistema, como em especial no setor de "servi&ccedil;os", uma vez que em m&eacute;dia    respondem por mais de 19% do total do gasto privado, um percentual muito alto    quando se compara com a <i>performance</i>, por exemplo, do BNDES no financiamento    das grandes empresas, que no auge do per&iacute;odo recente chegou a 11% do    total do gasto em investimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A conclus&atilde;o    acima est&aacute; essencialmente correta e representa uma s&iacute;ntese do    que se pode afirmar sobre o financiamento do gasto em P&amp;D no Brasil. Mas,    como s&oacute;i acontecer, o problema sempre mora nos detalhes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conv&eacute;m assim    olhar com mais aten&ccedil;&atilde;o quais s&atilde;o e para quem est&atilde;o    direcionados esses recursos, em especial porque esses "servi&ccedil;os" apresentam    uma participa&ccedil;&atilde;o bem grande do financiamento p&uacute;blico. E,    em paralelo, examinar os mecanismos de incentivos fiscais e de subven&ccedil;&atilde;o    que estimulam o gasto privado. Vistos em conjunto, esses instrumentos nos d&atilde;o    uma aproxima&ccedil;&atilde;o mais clara do que &eacute; a realidade brasileira    no fomento e financiamento &agrave;s atividades privadas de P&amp;D.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O PERFIL DO    FINANCIAMENTO P&Uacute;BLICO: CONCENTRA&Ccedil;&Atilde;O EM POUCOS SETORES E    EM EMPRESAS ESTATAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O primeiro passo    para entender o perfil do financiamento do gasto em P&amp;D no Brasil &eacute;    decifrar o significado da <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t01.jpg">Tabela 1</a>. Para isso    &eacute; preciso inicialmente apontar para que conjunto de atividades o financiamento    p&uacute;blico &eacute; de fato relevante, em especial nos "servi&ccedil;os".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando desagregamos    setorialmente os dados, podemos observar que em poucos segmentos o financiamento    p&uacute;blico &eacute; de fato relevante, no <i>mix</i> de fontes dispon&iacute;veis    (a <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t02.jpg">Tabela 2</a> apresenta aquelas atividades para    as quais o financiamento p&uacute;blico &eacute; relevante, com base na rela&ccedil;&atilde;o    completa de setores dispon&iacute;vel no anexo estat&iacute;stico no final deste    texto, ver <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t01a.jpg">Tabela A1</a>). S&atilde;o eles: as atividades    ditas de pesquisa e desenvolvimento (c&oacute;digo 72 da CNAE 2.0 - Classifica&ccedil;&atilde;o    Nacional de Atividades Econ&ocirc;micas), em que o financiamento p&uacute;blico    responde por quase 2/3 do total do gasto; o segmento de servi&ccedil;os em tecnologia    da informa&ccedil;&atilde;o (basicamente <i>software</i>), em que o financiamento    p&uacute;blico responde por cerca de 1/3 do gasto; seguidos por minerais n&atilde;o    met&aacute;licos (33%) e por outros materiais de transportes (essencialmente    aeron&aacute;utica, com 31%). Ainda acima da m&eacute;dia est&atilde;o o segmento    de vestu&aacute;rio e m&oacute;veis (com valores absolutos pequenos para P&amp;D)    e o automotivo (19%) e de m&aacute;quinas e equipamento el&eacute;trico (18%).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segmento de atividades    de P&amp;D (c&oacute;digo 72 da CNAE) chama aten&ccedil;&atilde;o e exige uma    explica&ccedil;&atilde;o. Aqui est&atilde;o classificadas as atividades identificadas    como de</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"&#91;...&#93;    pesquisa e desenvolvimento experimental, tais como as atividades de pesquisas    b&aacute;sicas, de trabalhos experimentais ou te&oacute;ricos, desenvolvidos    com o objetivo de obten&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos sobre causas    de fen&ocirc;menos ou efeitos observ&aacute;veis, sem a previs&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o    ou de uso determinado; as atividades de pesquisa aplicada, de investiga&ccedil;&atilde;o    original, que t&ecirc;m por objetivo a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos    direcionados, principalmente, para um objetivo ou finalidade espec&iacute;ficos;    e as atividades de pesquisa experimental, de trabalho sistem&aacute;tico baseado    em conhecimentos pr&eacute;vios, envolvendo pesquisas ou experi&ecirc;ncias    com o objetivo de criar ou aperfei&ccedil;oar materiais, produtos, dispositivos,    processos, sistemas e servi&ccedil;os"<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Empresas p&uacute;blicas    como a Embrapa se encontram classificadas nesse setor de atividade, assim como    outros &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos organizados na forma de empresas    de pesquisa e institutos de pesquisa privados. &Eacute; isso que explica esse    comportamento t&atilde;o diferenciado <i>vis-&agrave;-vis</i> aos par&acirc;metros    vigentes em outras atividades<a name="top6"></a><a href="#back6"><sup>6</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relev&acirc;ncia    desse fato fica clara quando se examinam os dados acerca da destina&ccedil;&atilde;o    total dos recursos de financiamento p&uacute;blico: quase 56% desses se destinam    a essas atividades classificadas como de P&amp;D (c&oacute;digo 72 da CNAE),    como mostra a <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t03.jpg">Tabela 3</a> para alguns segmentos    selecionados (os dados completos se encontram no anexo, ver <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t02a.jpg">Tabela    A2</a>). Ou seja, dos cerca de R$ 3,4 bilh&otilde;es aportados pelo setor p&uacute;blico,    cerca de R$ 1,9 bilh&atilde;o s&atilde;o para empresas classificadas como de    P&amp;D na CNAE.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando se analisam    os dados dos demais setores (excluindo a classifica&ccedil;&atilde;o 72 da CNAE),    fica claro que, de fato, prevalece um padr&atilde;o de elevado autofinanciamento:    os recursos pr&oacute;prios respondem por cerca de 86% do financiamento, que    s&atilde;o complementados pela capta&ccedil;&atilde;o de recursos de terceiros    (4%) e pelo financiamento p&uacute;blico (10%), como mostra a <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t02.jpg">Tabela    2</a> (cerca de R$ 1,5 bilh&atilde;o de recursos p&uacute;blicos <i>vis-&agrave;-vis</i>    R$ 14,6 bilh&otilde;es de gasto privado).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aloca&ccedil;&atilde;o    de recursos p&uacute;blicos para atividades privadas est&aacute; concentrada    no setor automotivo e em outros materiais de transporte. A distribui&ccedil;&atilde;o    dos recursos pr&oacute;prios segue mais de perto a distribui&ccedil;&atilde;o    das atividades de P&amp;D: maior peso para o segmento automotivo, seguido por    petr&oacute;leo e petroqu&iacute;mica e, num patamar menor, as atividades de    inform&aacute;tica e eletr&ocirc;nica, os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es    e a ind&uacute;stria qu&iacute;mica. Com isso tamb&eacute;m se dimensiona de    forma mais adequada o papel do financiamento p&uacute;blico, que &eacute; similar    ao papel das ag&ecirc;ncias governamentais no financiamento do investimento,    ou seja complementar aos aportes pr&oacute;prios das empresas e basicamente    da mesma import&acirc;ncia relativa, embora as atividades de P&amp;D apresentem    maior risco e tenham outras pol&iacute;ticas de incentivo</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A distribui&ccedil;&atilde;o    pelos setores dos recursos p&uacute;blicos &eacute; bem distinta da aloca&ccedil;&atilde;o    dos recursos pr&oacute;prios. O apoio p&uacute;blico &eacute; bastante vari&aacute;vel,    setor a setor. Algumas hip&oacute;teses poderiam auxiliar a explicar essas diferen&ccedil;as,    por exemplo: a din&acirc;mica de crescimento recente em cada setor; a trajet&oacute;ria    tecnol&oacute;gica e a intensidade do esfor&ccedil;o de P&amp;D de cada um desses    segmentos produtivos; a predomin&acirc;ncia, ou n&atilde;o, de grandes empresas;    marcos regulat&oacute;rios espec&iacute;ficos, que geram obriga&ccedil;&otilde;es    e possibilidades de alavancar as atividades de P&amp;D; a exist&ecirc;ncia ou    n&atilde;o de instrumentos de apoio p&uacute;blico espec&iacute;ficos para um    determinado setor; e, por que n&atilde;o, os diferentes graus de facilidade    de acesso aos recursos federais. Foge contudo ao escopo deste texto analisar    essas hip&oacute;teses. Cabe sim verificar as distintas formas que assume o    apoio p&uacute;blico, para depois discutir sua relev&acirc;ncia para o setor    privado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antes de examinar    os montantes de recursos desses novos instrumentos, cabe fazer um exame sucinto    de como cada setor utiliza esse conjunto de incentivos. A Pintec busca investigar    isso nos informando qual o percentual de empresas de cada setor que utiliza    os diversos mecanismos de incentivo. A <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t04.jpg">Tabela 4</a>    traz os segmentos da ind&uacute;stria e servi&ccedil;os em que o percentual    de empresas beneficiadas &eacute; mais significativo. &Eacute; uma forma de    verificar a abrang&ecirc;ncia dos incentivos, embora n&atilde;o esteja diretamente    relacionada aos valores dos incentivos, ou sua import&acirc;ncia para cada atividade    econ&ocirc;mica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em termos da ind&uacute;stria,    a maior abrang&ecirc;ncia de usu&aacute;rios ocorre no setor de bens de inform&aacute;tica,    em que 17% das empresas declaram usar incentivos da Lei de Inform&aacute;tica.    Para praticamente todos os demais incentivos e modalidades de financiamento,    os percentuais de empresas de cada setor que acessam esses instrumentos situam-se    quase sempre abaixo de 5%. Apenas o financiamento para compra de m&aacute;quinas    e equipamentos (B<sub>k</sub>) foge desse padr&atilde;o, sendo que em m&eacute;dia    14% das empresas industriais declaram usar essa modalidade de apoio p&uacute;blico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O APOIO PARA    INOVA&Ccedil;&Atilde;O E PARA P&amp;D NO BRASIL: O APRIMORAMENTO DA BASE LEGAL<i><a name="top7"></a><a href="#back7"><sup>7</sup></a></i></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os incentivos &agrave;    inova&ccedil;&atilde;o, notadamente para P&amp;D, v&ecirc;m sendo aprimorados    no Brasil, a partir do momento em que a agenda de ci&ecirc;ncia e tecnologia    incorporou de forma mais clara o tema inova&ccedil;&atilde;o como prioridade    da pol&iacute;tica p&uacute;blica. Um primeiro passo foi dado com a cria&ccedil;&atilde;o    dos fundos setoriais; a seguir foram dados incentivos para abatimentos, mais    que proporcionais aos gastos em P&amp;D, nas bases de c&aacute;lculos de alguns    tributos federais; por fim foram tamb&eacute;m criadas modalidades de apoio    direto, na forma de subven&ccedil;&otilde;es ao setor privado. Essa nova base    legal substituiu a legisla&ccedil;&atilde;o criada em 1991, que previa incentivos    para os chamados PDTIs e PDTAs (Programa de Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico    e Industrial ou Agropecu&aacute;rio) e que foram drasticamente reduzidos no    ajuste fiscal de 1.997. A <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t04a.jpg">Tabela A4</a> do Anexo    traz uma s&iacute;ntese dessa evolu&ccedil;&atilde;o. Em resumo elas indicam    o seguinte quadro legal vigente:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; isen&ccedil;&atilde;o    de IR e IPI para importa&ccedil;&atilde;o de equipamentos para pesquisa de institui&ccedil;&otilde;es    sem fins lucrativos credenciadas pelo CNPq ou pesquisadores individuais - (Lei    nº 8.010/90, alterada pela Lei nº 10.964/04);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; Lei de Inform&aacute;tica:    isen&ccedil;&atilde;o do IPI (parcial ap&oacute;s 2001) para bens incentivados    com a contrapartida de aplica&ccedil;&atilde;o de ao menos 5% em P&amp;D e fabrica&ccedil;&atilde;o    de acordo com o Processo Produtivo B&aacute;sico (PPB) (Lei nº 8.248/91, renovada    pela Lei nº 10.176/01, ver Anexo);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; subven&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica ao setor privado, no &acirc;mbito do Fundo Verde-Amarelo, para    equalizar juros; participar no capital de PME; e dar liquidez aos investimentos    em fundos de risco (Lei nº 10.332/01);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; subven&ccedil;&atilde;o,    no &acirc;mbito do FNDCT, para produtos ou processos inovadores no setor privado    (Lei nº 10.973/04 - Lei de Inova&ccedil;&atilde;o);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; incentivo    fiscal para atividades de P&amp;D, na forma de abatimento em dobro dos gastos    em P&amp;D na base de c&aacute;lculo do IRPJ e na Contribui&ccedil;&atilde;o    Social sobre o Lucro L&iacute;quido (CSLL) (Lei nº 10.637/02, ampliada pela    Lei do Bem - Lei nº 11.196/05);</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; subven&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica nas opera&ccedil;&otilde;es de financiamento &agrave; inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica realizadas pelo BNDES (Lei nº 12.096/09).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A import&acirc;ncia    relativa de cada um desses instrumentos &eacute; bastante variada. Em termos    da magnitude de seus valores (que n&atilde;o deixa de ser uma medida de sua    import&acirc;ncia relativa), os principais incentivos s&atilde;o decorrentes    dos seguintes marcos jur&iacute;dicos: a Lei do Bem (2005, que amplia os incentivos    criados em 2002), a Lei de Inova&ccedil;&atilde;o (2004) e a Lei 10.332 (2002),    que criou a equaliza&ccedil;&atilde;o de taxas de juros para empr&eacute;stimos    da Finep. Al&eacute;m dessas, o principal instrumento continua sendo a Lei de    Inform&aacute;tica, criada em 1991 e renovada desde ent&atilde;o sob diferentes    formas<a name="top8"></a><a href="#back8"><sup>8</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse apoio vinha    crescendo nos &uacute;ltimos anos em fun&ccedil;&atilde;o do pleno funcionamento    da Lei do Bem e da subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica prevista na Lei de    Inova&ccedil;&atilde;o. Em 2009, muito em fun&ccedil;&atilde;o da crise e da    natureza pr&oacute;-c&iacute;clica desses incentivos, houve uma queda nos incentivos    fiscais da Lei do Bem e da Lei de Inform&aacute;tica, e tamb&eacute;m uma queda    no desembolso da Uni&atilde;o com a subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica,    cujas causas derivam do corte executado no or&ccedil;amento do FNDCT, curiosamente    num contexto em que as pol&iacute;ticas federais de recupera&ccedil;&atilde;o    da crise levaram a um forte aumento do desembolso do BNDES e ao an&uacute;ncio    de grandes programas de est&iacute;mulo &agrave;s atividades de P&amp;D nos    EUA, na Europa e na China.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como apontam algumas    avalia&ccedil;&otilde;es, &eacute; ainda dif&iacute;cil fazer um balan&ccedil;o    acurado do impacto desses novos instrumentos na conduta das empresas privadas,    justamente em raz&atilde;o de serem muito recentes<a name="top9"></a><a href="#back9"><sup>9</sup></a>.    Mas &eacute; curioso observar que, ap&oacute;s todas as mudan&ccedil;as realizadas    no marco legal da inova&ccedil;&atilde;o, o mais relevante instrumento de incentivo    &agrave;s atividades de P&amp;D segue sendo a antiga Lei de Inform&aacute;tica    de 1991 (computando a ren&uacute;ncia fiscal da Lei de Inform&aacute;tica como    sendo uma forma de apoio &agrave;s atividades de P&amp;D, quest&atilde;o que    merece abordagem na sequ&ecirc;ncia).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t05.jpg">Tabela    5</a> traz esses dados para o per&iacute;odo 2006 a 2009. H&aacute; v&aacute;rias    informa&ccedil;&otilde;es que precisam ser qualificadas, para um melhor entendimento:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; os valores    de fato significativos se re-ferem &agrave;s ren&uacute;ncias fiscais da Lei    de Inform&aacute;tica e da Lei do Bem, que vinham crescendo at&eacute; 2008    e que ca&iacute;ram em 2009 em fun&ccedil;&atilde;o da crise econ&ocirc;mica    que afetou negativamente o faturamento e o lucro real das empresas. Em conjunto,    em 2009, foram quase R$ 4,5 bilh&otilde;es, dos quais mais de dois ter&ccedil;os    s&atilde;o relativos &agrave; Lei de Inform&aacute;tica;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; o valor    total das subven&ccedil;&otilde;es ao setor privado tem se mantido constante    nos tr&ecirc;s &uacute;ltimos anos, na faixa de R$ 440 milh&otilde;es a 450    milh&otilde;es por ano, com crescimento maior dos apoios indiretos (equaliza&ccedil;&atilde;o)    e redu&ccedil;&atilde;o do apoio direto a projetos (subven&ccedil;&atilde;o    da Lei de Inova&ccedil;&atilde;o), em que pese o forte aumento do gasto privado    nesse per&iacute;odo;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; os montantes    da ren&uacute;ncia fiscal s&atilde;o mais de dez vezes os recursos aplicados    no apoio direto, fato que refor&ccedil;a a concentra&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios    em poucas empresas: aquelas que est&atilde;o no regime de lucro real e se qualificam    para receber os benef&iacute;cios da Lei do Bem e as empresas que produzem bens    incentivados pela Lei de Inform&aacute;tica;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; em rela&ccedil;&atilde;o    ao gasto privado em P&amp;D, tal como aferido pelo Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia (MCT), o montante de incentivos pode ser considerado bastante elevado    em termos internacionais, pois corresponde a 26,6% desse gasto (percentual que    foi inclusive maior em 2008 - 32,2%);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; em rela&ccedil;&atilde;o    ao PIB, o total dos incentivos &agrave;s atividades de P&amp;D foi de 0,14%    em 2009, o que, como veremos, coloca o Brasil numa posi&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria    em termos internacionais, com incentivos que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o    elevados, comparados, por exemplo, aos do Canad&aacute; e dos EUA, mas que s&atilde;o    similares aos praticados no Jap&atilde;o e no Reino Unido;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; o aparente    paradoxo enunciado acima (incentivos muito elevados em rela&ccedil;&atilde;o    ao gasto privado e medianos em rela&ccedil;&atilde;o ao PIB, quando comparados    com outros pa&iacute;ses) se explica pelo fato de o gasto privado em rela&ccedil;&atilde;o    ao PIB ser baixo no Brasil. Esse percentual (cerca de 0,50% do PIB em 2006 e    2007, chegando a 0,58% em 2009) chega a ser tr&ecirc;s ou quatro vezes menor    que o encontrado em pa&iacute;ses desenvolvidos;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; parece f&aacute;cil    concluir que os incentivos s&atilde;o elevados e generosos, mas que o gasto    privado &eacute; muito baixo, comparado aos padr&otilde;es internacionais, fato    que encontraria explica&ccedil;&atilde;o em diversas outras raz&otilde;es, como    as caracter&iacute;sticas de mercado, o perfil da estrutura industrial, uma    eventual maior avers&atilde;o ao risco no Brasil, condutas empresariais muito    passivas, sintetizadas muitas vezes na ideia de que falta uma "cultura da inova&ccedil;&atilde;o"    no pa&iacute;s, etc.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa conclus&atilde;o    "f&aacute;cil" merece contudo ser analisada com maior cautela. Isso porque,    apesar do expressivo aumento do gasto privado em rela&ccedil;&atilde;o ao PIB    (13% entre 2007 e 2009) que se verifica nos &uacute;ltimos anos, o paradoxo    descrito acima poderia ser enunciado de outra forma: os incentivos concedidos    s&atilde;o pouco eficazes em alavancar o gasto privado. Ou seja, seu desenho    e sua aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica t&ecirc;m pouco efeito sobre o    gasto do setor privado, apesar da magnitude elevada dos incentivos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma de fazer    a pergunta &eacute; relevante: as causas dessa disjuntiva entre elevados montantes    de incentivos e baixo gasto privado se encontram do lado da estrutura e da "cultura    empresarial", ou se encontram no desenho dos instrumentos que usamos. Minha    resposta breve &eacute; que ambos os fatos devem contribuir para isso, ainda    que saiba que uma resposta definitiva exigiria uma investiga&ccedil;&atilde;o    bem mais detalhada<a name="top10"></a><a href="#back10"><sup>10</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma coisa &eacute;    certa: se um dos objetivos da pol&iacute;tica industrial e tecnol&oacute;gica    &eacute; estimular a inova&ccedil;&atilde;o, &eacute; mandat&oacute;rio que    as ag&ecirc;ncias encarem o fato de que a pol&iacute;tica p&uacute;blica tem    sido pouco eficaz em alterar de forma relevante o quadro de P&amp;D privado    no Brasil. Nesse sentido n&atilde;o apenas &eacute; in&oacute;cuo encontrar    explica&ccedil;&otilde;es "comportamentais" acerca da conduta privada para o    baixo gasto privado. Colocada dessa maneira, retira-se a responsabilidade de    mudar as pol&iacute;ticas de incentivos. &Eacute; como se tudo o que pudesse    ser feito j&aacute; tivesse sido implementado... mas, em fun&ccedil;&atilde;o    da falta de uma "cultura de inova&ccedil;&atilde;o", pouco se avan&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Elevar o gasto    privado em P&amp;D e estimular a inova&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do setor    privado &eacute; um objetivo nacional. &Eacute; um objetivo maior n&atilde;o    porque vai ao encontro de uma demanda das empresas, mas porque deriva da necessidade    de elevar a produtividade m&eacute;dia e a competitividade das empresas brasileiras.    Nesse sentido, a pol&iacute;tica p&uacute;blica deve ser avaliada pelos seus    resultados, se conseguiu ou n&atilde;o elevar a produtividade e a competitividade    e, tamb&eacute;m, se elevou ou n&atilde;o o gasto privado, que &eacute; um indicador    de esfor&ccedil;o, mas bastante relevante. N&atilde;o deve ser avaliada pelas    suas inten&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Indo al&eacute;m,    se a realidade revela que parte de nosso desempenho deriva da natureza da conduta    privada, cabe desenhar pol&iacute;ticas que mudem essa conduta. Seja pela difus&atilde;o    de uma cultura de inova&ccedil;&atilde;o, pelo aumento da efic&aacute;cia dos    instrumentos, seja pela mudan&ccedil;a da estrutura industrial, seja ainda pela    indu&ccedil;&atilde;o e pelo uso dos marcos regulat&oacute;rios. O que n&atilde;o    cabe &eacute; relegar a responsabilidade a uma alegada conduta passiva das empresas,    como se n&atilde;o coubesse a todos, em especial ao governo, mudar essa realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De resto, conv&eacute;m    se ater ao significado econ&ocirc;mico da inova&ccedil;&atilde;o: ela &eacute;    uma exig&ecirc;ncia de mercado. Essa &eacute; a raz&atilde;o primeira de as    empresas inovarem. As empresas n&atilde;o inovam porque os governos querem que    inovem. Nem inovam porque seus conselhos de administra&ccedil;&atilde;o ou seus    executivos querem inovar. Inovam porque a concorr&ecirc;ncia as obriga, quer    de forma reativa, em fun&ccedil;&atilde;o dos movimentos de seus concorrentes,    quer de forma ativa, adiantando-se ao criar novos mercados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre n&oacute;s,    em especial, essa dimens&atilde;o econ&ocirc;mica da inova&ccedil;&atilde;o    deve ser muito salientada. Isso porque muitas vezes se abstrai o contexto econ&ocirc;mico    em que vivemos: c&acirc;mbio valorizado, juros reais extremamente elevados,    elevada carga tribut&aacute;ria, d&eacute;ficits e gargalos em infraestrutura    e log&iacute;stica, burocracia excessiva, elevados diferenciais de produtividade    entre PME e grandes empresas, corrup&ccedil;&atilde;o, falta de m&atilde;o-de-obra    qualificada e baixos &iacute;ndices de escolaridade. Essa lista imensa evidencia    qu&atilde;o gigantescos s&atilde;o nosso desafios. E &eacute; evidente que precisa    ser levada em conta nas pol&iacute;ticas de competitividade, como &eacute; no    final das contas a pol&iacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o<a name="top11"></a><a href="#back11"><sup>11</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O APOIO PARA    P&amp;D NO BRASIL: UMA OUTRA CONTABILIDADE DOS INSTRUMENTOS EXISTENTES</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os diagn&oacute;sticos    acerca do regime de incentivo &agrave;s atividades de P&amp;D no Brasil s&atilde;o    relativamente un&acirc;nimes em apontar alguns de nossos problemas. Uma breve    s&iacute;ntese deles poderia ser a seguinte:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; o regime    fiscal favorecido da Lei do Bem, por estar centrado no Imposto de Renda de Pessoa    Jur&iacute;dica e na Contribui&ccedil;&atilde;o Social sobre o Lucro L&iacute;quido,    circunscreve-se a um n&uacute;mero limitado (mas importante) de empresas, que    se inserem no regime tribut&aacute;rio do lucro real;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; o n&uacute;mero    de empresas benefici&aacute;rias da Lei de Inform&aacute;tica &eacute; tamb&eacute;m    muito reduzido, o que se agrava pelo fato de haver uma forte concentra&ccedil;&atilde;o    dos incentivos em muito poucas empresas;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; h&aacute;    recorrentes dificuldades com a implementa&ccedil;&atilde;o do programa de subven&ccedil;&atilde;o    da Lei de Inova&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o de cortes e flutua&ccedil;&otilde;es    na disponibilidade or&ccedil;ament&aacute;ria do FNDCT, fato que reduz sua efic&aacute;cia    e o torna muito incerto, com chamadas espor&aacute;dicas e calend&aacute;rios    sujeitos a peri&oacute;dicas revis&otilde;es;</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; embora tenhamos    incentivos diretos (subven&ccedil;&atilde;o) e indiretos (incentivos fiscais),    comparativamente &agrave; experi&ecirc;ncia internacional, os incentivos concedidos    pelo Brasil est&atilde;o basicamente concentrados na Lei de Inform&aacute;tica,    que responde por mais de 60% do total de incentivos, ou ainda por quase 70%    de toda a ren&uacute;ncia fiscal (incentivos fiscais);</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#149; a Lei de    Inform&aacute;tica &eacute; um regime necess&aacute;rio em fun&ccedil;&atilde;o    da conting&ecirc;ncia de equilibrar os custos de produ&ccedil;&atilde;o do setor    na Zona Franca de Manaus e no restante do pa&iacute;s, permitindo que ambos    possam crescer em condi&ccedil;&otilde;es ison&ocirc;micas, mas est&aacute;    longe de ser, na sua ess&ecirc;ncia, uma legisla&ccedil;&atilde;o apenas de    incentivo &agrave;s atividades de P&amp;D.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A peculiaridade    dos incentivos brasileiros torna dif&iacute;cil comparar nossa situa&ccedil;&atilde;o    com outros regimes de incentivo. Quando se levam em conta os n&uacute;meros    da Lei de Inform&aacute;tica, nossos incentivos s&atilde;o elevados, mas, se    eventualmente desconsider&aacute;ssemos esses incentivos, nossa realidade seria    muito diferente. Em termos do total das atividades de P&amp;D realizadas pelo    setor privado, o total de incentivos concedidos corresponderia a cerca de 26,6%    do gasto privado, em 2009, ou 0,15% do PIB, levando-se em conta o incentivo    da Lei de Inform&aacute;tica. Sem essa lei, esse apoio seria da ordem de 10%    do gasto privado ou 0,06% do PIB, como mostra a <a href="/img/revistas/rusp/n89/18t06.jpg">Tabela    6</a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vale aqui detalhar    um pouco mais sobre a natureza do incentivo desse regime da inform&aacute;tica.    Como j&aacute; afirmei em outros textos, "&#91;...&#93; o percentual do apoio    ao gasto privado indicado para o Brasil &eacute; um n&uacute;mero que leva a    conclus&otilde;es equivocadas, em fun&ccedil;&atilde;o da especificidade do    tipo de incentivo concedido no Brasil e do desenho de nosso sistema tribut&aacute;rio"<a name="top12"></a><a href="#back12"><sup>12</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais de 60% de    todo o apoio governamental brasileiro (ou cerca de 70% de todo o incentivo fiscal)    &eacute; resultante da ren&uacute;ncia fiscal da Lei de Inform&aacute;tica,    que reduz o IPI de uma lista de bens incentivados para que a produ&ccedil;&atilde;o    do restante do pa&iacute;s seja compat&iacute;vel com os incentivos concedidos    na Zona Franca de Manaus. "A Lei de Inform&aacute;tica, contudo, mesmo exigindo    contrapartida de gasto em P&amp;D pelas empresas, &eacute; muito mais uma conting&ecirc;ncia    da exist&ecirc;ncia de um regime tribut&aacute;rio espec&iacute;fico na Zona    Franca de Manaus que uma lei de incentivo a P&amp;D"<a name="top13"></a><a href="#back13"><sup>13</sup></a>.    Esse &eacute; o sentido da lei. No texto citado assim resumi o sentido dessa    lei:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Ap&oacute;s 1991,    com o fim da reserva de mercado para o segmento de inform&aacute;tica e a abertura    do mercado brasileiro, institui-se uma nova pol&iacute;tica que buscava atender    a requisitos de est&iacute;mulo &agrave; competitividade e conciliar o regime    incentivado da Zona Franca de Manaus (ZFM) ao regime praticado nas demais regi&otilde;es    do pa&iacute;s e &agrave; abertura comercial. Esta nova pol&iacute;tica foi    consolidada na Lei nº 8.248/91 (Lei de Inform&aacute;tica - renovada em 2001    atrav&eacute;s da Lei nº 10.176/01) e na Lei nº 8.387/91 (Lei da Zona Franca    de Manaus - tamb&eacute;m renovada pela Lei nº 10.176/01). A nova pol&iacute;tica    tentou basear-se em aspectos de inova&ccedil;&atilde;o e qualidade, com instrumentos    de est&iacute;mulos ao setor acompanhados de exig&ecirc;ncias de contrapartidas.    O principal incentivo da Lei &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o da al&iacute;quota    de IPI dos bens incentivados. Como contrapartida, exige-se das empresas investimentos    em P&amp;D, al&eacute;m do atendimento &agrave;s regras do PPB (crit&eacute;rio    m&iacute;nimo de industrializa&ccedil;&atilde;o para cada classe de produto).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora existam    muitos casos do uso do incentivo para desenvolver empresas de base tecnol&oacute;gica,    &eacute; preciso entender a Lei de Inform&aacute;tica n&atilde;o como uma Lei    de P&amp;D, mas como uma norma - imprescind&iacute;vel ao nosso equil&iacute;brio    regional e muito &uacute;til ao desenvolvimento de <i>software</i> - que se    prop&otilde;e a adaptar a situa&ccedil;&atilde;o produtiva brasileira &agrave;    exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s regimes tribut&aacute;rios distintos: a produ&ccedil;&atilde;o    incentivada da ZFM; a vigente nas demais regi&otilde;es e o bem importado. Contabilmente,    a Lei de Inform&aacute;tica cria um incentivo fiscal, pois o IPI deixa de ser    arrecadado. Na pr&aacute;tica essa &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o singular,    pois, se n&atilde;o fosse concedido o incentivo, a produ&ccedil;&atilde;o migraria    para a Zona Franca de Manaus, onde n&atilde;o se recolhe imposto de importa&ccedil;&atilde;o    e h&aacute; um forte redutor do IPI. Ou, no limite, implicaria no aumento da    importa&ccedil;&atilde;o de bens finais, agravando o d&eacute;ficit comercial    do setor. Boa parte da ren&uacute;ncia fiscal &eacute;, portanto, apenas cont&aacute;bil"<a name="top15"></a><a href="#back15"><sup>15</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa minha afirmativa    gerou muitas controv&eacute;rsias. Desde logo, cabe esclarecer que n&atilde;o    h&aacute; possibilidade de o Brasil prescindir de uma lei como essa. Ela &eacute;    uma conting&ecirc;ncia desses distintos regimes tribut&aacute;rios. A revoga&ccedil;&atilde;o    da lei ou a eventual redu&ccedil;&atilde;o do IPI dos bens de inform&aacute;tica    teria consequ&ecirc;ncias muito graves, tanto para a produ&ccedil;&atilde;o    nas demais regi&otilde;es do pa&iacute;s, como para a Zona Franca de Manaus.    Isso n&atilde;o nos impede de refletir sobre alternativas &agrave; lei, que    tornem o regime de incentivos mais aderente &agrave; necessidade do Brasil de    incentivar a inova&ccedil;&atilde;o, uma quest&atilde;o que foi paulatinamente    se distanciando da aplica&ccedil;&atilde;o efetiva da lei &agrave; medida que    aumentou o conte&uacute;do importado dos bens eletroeletr&ocirc;nicos e que    a produ&ccedil;&atilde;o de <i>hardware</i> no pa&iacute;s encolheu, em termos    de valor adicionado local, relativamente ao faturamento da venda de bens finais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Meu ponto de vista    &eacute; que &eacute; mais realista comparar o que estamos de fato fazendo em    termos de incentivo ao setor privado, em termos internacionais, desconsiderando    os incentivos da Lei de Inform&aacute;tica. Sem estes, o apoio direto e indireto    &agrave; P&amp;D no Brasil se reduz a 0,06% do PIB (<a href="/img/revistas/rusp/n89/18t06.jpg">Tabela    6</a>). Um valor muito baixo para a realidade internacional, compar&aacute;vel    apenas ao que &eacute; praticado no M&eacute;xico, mas que ajuda a explicar    por que nosso desempenho em inova&ccedil;&atilde;o &eacute; o que &eacute;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INCENTIVOS FISCAIS    AO GASTO PRIVADO EM P&amp;D: UMA BREVE COMPARA&Ccedil;&Atilde;O INTERNACIONAL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em termos internacionais    (exceto os EUA), o incentivo mais largamente utilizado para estimular a inova&ccedil;&atilde;o    &eacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de regimes tribut&aacute;rios (incentivos    fiscais) que favorecem o gasto em P&amp;D. No caso brasileiro, o incentivo fiscal    para atividades de P&amp;D est&aacute; basicamente concentrado na Lei de Inform&aacute;tica    e na Lei do Bem. Somados, esses incentivos corresponderam, em 2009, a cerca    de 24,2% do gasto privado em P&amp;D estimado para esse ano. Se fiz&eacute;ssemos    um corre&ccedil;&atilde;o no valor do gasto privado, retirando desse valor o    gasto que &eacute; computado para as atividades do c&oacute;digo 72 da CNAE    (atividades de P&amp;D), o percentual do incentivo fiscal seria ainda maior:    30,2%. &Eacute; um percentual muito alto, que colocaria o Brasil dentre os pa&iacute;ses    com regimes tribut&aacute;rios mais favor&aacute;veis &agrave;s atividades de    P&amp;D em todo o mundo, como mostra a <a href="#t7">Tabela 7</a>.</font></p>     <p><a name="t7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/18t07.jpg" usemap="#Map" border="0">    <map name="Map">      <area shape="rect" coords="198,726,212,735" href="#back14">   </map> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; in&uacute;meras    maneiras de computar esse valor. Para nossos objetivos, queremos salientar que,    uma vez exclu&iacute;do o benef&iacute;cio da Lei de Inform&aacute;tica, o incentivo    fiscal passa a corresponder a apenas R$ 0,094 para cada R$ 1,00 gasto em P&amp;D,    similar a pa&iacute;ses em que o incentivo &eacute; menos relevante e que utilizam    outros instrumentos de suporte ao setor privado (apoio direto, ou seja, subven&ccedil;&atilde;o),    como os Estados Unidos e o Reino Unido, que n&atilde;o &eacute; o caso brasileiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para al&eacute;m    do regime de incentivos fiscais, uma avalia&ccedil;&atilde;o mais ampla do que    fazemos em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo pode ser obtida quando comparamos    o total (direto e indireto) do apoio p&uacute;blico &agrave;s atividades de    P&amp;D ao setor privado com aquele que &eacute; praticado em outros pa&iacute;ses.    A situa&ccedil;&atilde;o brasileira, vista no conjunto (incentivos e ren&uacute;ncia    fiscal), &eacute; tamb&eacute;m aparentemente muito favor&aacute;vel. Em rela&ccedil;&atilde;o    aos dados de outros pa&iacute;ses publicados pela OECD, os n&uacute;meros brasileiros    impressionam. De fato, considerando-se os principais incentivos, o apoio &agrave;s    atividades de P&amp;D no Brasil seria da ordem de 0,15% do PIB, igual ou superior,    portanto, ao de muitos pa&iacute;ses desenvolvidos, a exemplo do Jap&atilde;o    e Reino Unido, como revela a <a href="#t8">Tabela 8</a>. Numa amostra de 14    pa&iacute;ses com dados levantados pela OECD, o apoio concedido em 2009 pelo    Brasil seria menor apenas que o oferecido por dois pa&iacute;ses<a name="top16"></a><a href="#back16"><sup>16</sup></a>.</font></p>     <p><a name="t8"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/rusp/n89/18t08.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas quando desconsideramos    os dados da Lei de Inform&aacute;tica temos uma dura realidade: o regime fiscal    de incentivos no Brasil s&oacute; &eacute; melhor que o mexicano. Esse quadro    tem a vantagem de sintetizar todos os fatos que foram vistos anteriormente.    Nossos incentivos est&atilde;o concentrados na ren&uacute;ncia fiscal. Esses    incentivos s&atilde;o, em termos relativos, quatro vezes maiores que os apoios    diretos (regimes pr&oacute;ximos ao adotados no Canad&aacute; e Jap&atilde;o).    Nossas modalidades de subven&ccedil;&atilde;o direta s&atilde;o muito pequenas,    relativas ao incentivos fiscais, ao contr&aacute;rio do que fazem EUA e Franca,    por exemplo. Independente do modelo que escolh&ecirc;ssemos, o problema &eacute;    que nosso regime &eacute;, em termos macro, t&iacute;mido. Temos um agravante,    que &eacute; decorr&ecirc;ncia de nosso regime tribut&aacute;rio. Incentivamos,    em termos relativos, mais a grande empresa do que a pequena.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Constru&iacute;mos    nos &uacute;ltimos anos um novo regime de incentivo &agrave;s atividades de    P&amp;D do setor privado. Infortunadamente, apesar do acr&eacute;scimo do gasto    privado, esse regime ainda parece ser muito t&iacute;mido para fazer uma diferen&ccedil;a    substantiva na mudan&ccedil;a do patamar de P&amp;D empresarial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute; muitas    raz&otilde;es para isso, a come&ccedil;ar pelas desvantagens sist&ecirc;micas    que afetam a competitividade das empresas brasileiras. H&aacute; raz&otilde;es    ligadas &agrave; composi&ccedil;&atilde;o da estrutura setorial da ind&uacute;stria    brasileira. Deve, &eacute; uma quest&atilde;o a investigar, haver raz&otilde;es    ligadas tamb&eacute;m &agrave; "cultura empresarial" de pa&iacute;s que se industrializou    voltado para dentro, movido quase sempre em fun&ccedil;&atilde;o de seu mercado    interno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas a quest&atilde;o    relevante &eacute; se perguntar se as pol&iacute;ticas desenhadas atendem ao    imperativo de conduzir a uma mudan&ccedil;a nessa realidade. A maior d&uacute;vida,    como j&aacute; escrevi, recai sobre se esse sistema de incentivos &eacute; capaz    de alavancar o gasto em P&amp;D do setor privado. As estimativas recentes do    MCT indicam que a ren&uacute;ncia fiscal da Lei do Bem tem caracter&iacute;sticas    positivas, na medida em que a ren&uacute;ncia induz um gasto provado elevado.    Mas reafirmo a conclus&atilde;o que j&aacute; havia enunciado anteriormente:    "o conjunto do sistema de incentivos brasileiro tem sido, at&eacute; o presente,    pouco eficaz em alterar o quadro da inova&ccedil;&atilde;o brasileira"<a name="top17"></a><a href="#back17"><sup>17</sup></a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="/img/revistas/rusp/n89/18t03a.jpg">Tabela    A3</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    "<i>Business enterprises are the main source of innovation. They play the primary    role in funding and performing R&amp;D in most OECD countries, and, more than    ever, governments wish to increase business investment in R&amp;D and innovation.    Global competition and the emergence of new players such as China and India    have led countries to seek to boost the innovative capacity of the business    sector</i>" (OCDE, <i>Science and Technology Outlook</i>, Paris, 2008).    <br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Ver a respeito: F. S. M. Hollanda,    <i>Financiamento e Incentivos &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o Industrial no    Brasil</i>, tese de doutorado, Unicamp, 2010, mimeo.    <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> Ver a respeito: R. Carneiro &amp;    J. Almeida (coords.), <i>Padr&otilde;es de Financiamento das Empresas N&atilde;o-financeiras    no Brasil</i>, Unicamp, BNDES, Fecamp, Campinas, 2009. Apesar de esta an&aacute;lise    se restringir &agrave;s empresas de capital aberto, ela pode ser tomada como    representativa do conjunto das grandes empresas brasileiras, na medida que a    receita l&iacute;quida das empresas da amostra perfaz quase 30% do PIB brasileiro.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Idem, pp. 7 e 10.    <br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> IBGE, <i>Estrutura Detalhada e Notas    Explicativas da CNAE 2.0</i>, s/d. Vale notar que est&atilde;o exclu&iacute;das    dessa divis&atilde;o as atividades de educa&ccedil;&atilde;o superior, as pesquisas    de mercado e a gest&atilde;o de recursos e financiamento das atividades de pesquisas    pelo poder p&uacute;blico.    <br>   <a name="back6"></a><a href="#top6">6</a> Ao contabilizar os disp&ecirc;ndios    em P&amp;D, o Minist&eacute;rio de C&amp;T retira os valores dos institutos    da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Embrapa, Fiocruz, etc.) do valor    apurado pela Pintec para as empresas do c&oacute;digo 72. Isso tem representado    cerca de 80% do que a Pintec indica como gasto em P&amp;D dessas atividades.    <br>   <a name="back7"></a><a href="#top7">7</a> Atualizo aqui uma avalia&ccedil;&atilde;o    que havia feito para os anos de 2006 a 2008, a convite do Instituto de Estudos    para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), acerca dos incentivos fiscais &agrave;    inova&ccedil;&atilde;o. Ver: C. A. Pacheco, "Desafios da Inova&ccedil;&atilde;o.    Incentivos &aacute; Inova&ccedil;&atilde;o: O que Falta ao Brasil?", IEDI, 2009,    dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.iedi.org.br/admin_ori/pdf/20100211_%20inovacao.pdf" target="_blank">http://www.iedi.org.br/admin_ori/pdf/20100211_    inovacao.pdf</a>.    <br>   <a name="back8"></a><a href="#top8">8</a> H&aacute; outros instrumentos de apoio    ao setor privado, como a subven&ccedil;&atilde;o para equaliza&ccedil;&atilde;o    de juros do BNDES (criada em 2009) e outros de menor relev&acirc;ncia em termos    quantitativos, como apoio &agrave; TV digital, isen&ccedil;&atilde;o de tributos    na importa&ccedil;&atilde;o de equipamentos, etc. Mas a an&aacute;lise efetuada    aqui n&atilde;o se altera com esses dados, pois os valores s&atilde;o de uma    ordem de signific&acirc;ncia bem menor, como s&atilde;o tamb&eacute;m os incentivos    da Lei 8.010/90.    <br>   <a name="back9"></a><a href="#top9">9</a> Ver a respeito uma primeira tentativa    de avalia&ccedil;&atilde;o em: "Os Novos Instrumentos de Apoio &agrave; Inova&ccedil;&atilde;o:    uma Avalia&ccedil;&atilde;o Inicial" (CGEE - Anpei, 2009, dispon&iacute;vel    em <a href="http://www.cgee.org.br/publicacoes/nov_instr_inov.php" target="_blank">http://www.cgee.org.br/publicacoes/nov_instr_inov.php</a>).    <br>   <a name="back10"></a><a href="#top10">10 </a>Em outro texto fiz uma estimativa    de quanto as diferen&ccedil;as entre as estruturas industriais do Brasil e de    alguns pa&iacute;ses selecionados ajudam a explicar esses fatos (menor peso    de setores intensivos em P&amp;D no Brasil, como eletr&ocirc;nica e f&aacute;rmacos,    por exemplo). Os resultados n&atilde;o s&atilde;o desprez&iacute;veis, mas ficaram    al&eacute;m do que se poderia imaginar: "A estrutura industrial explica parte    do resultado brasileiro, especialmente quando comprado com a Coreia do Sul (com    a composi&ccedil;&atilde;o setorial da ind&uacute;stria coreana nosso gasto    em P&amp;D mais que dobraria). Mas a maior parte da diferen&ccedil;a entre o    Brasil e os demais pa&iacute;ses &eacute; decorr&ecirc;ncia do menor gasto setor    a setor e n&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia apenas da estrutura" (Pacheco, C.    P., "O Estado da Inova&ccedil;&atilde;o no Brasil", Campinas, 2009, mimeo.).    <br>   <a name="back11"></a><a href="#top11">11</a> Um exemplo de avalia&ccedil;&atilde;o    otimista do regime brasileiro de incentivos pode ser encontrado em J. A. De    Negri &amp; M. B. Lemos, "Avalia&ccedil;&atilde;o das Pol&iacute;ticas de Incentivo    &agrave; P&amp;D e Inova&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica no Brasil", Nota    T&eacute;cnica, Ipea, Bras&iacute;lia, 2009. Em que se afirma: "<i>Houve avan&ccedil;os    especialmente relevantes na pol&iacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    no Brasil a partir de 2003</i>. Nos &uacute;ltimos 25 anos foi constru&iacute;do    um sistema relativamente robusto de inova&ccedil;&atilde;o no Brasil quando    comparado aos outros pa&iacute;ses latino-americanos mais desenvolvidos: p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    fundos especiais para o financiamento da pesquisa entre outras a&ccedil;&otilde;es.    Na segunda metade dos anos 1990 houve avan&ccedil;os com a cria&ccedil;&atilde;o    dos Fundos Setoriais e com os programas de desenvolvimento tecnol&oacute;gico    Industrial e agropecu&aacute;rio (PDTI/PDTA). Com a Pol&iacute;tica Industrial,    Tecnol&oacute;gica e de Com&eacute;rcio Exterior (Pitce) de 2003 o Brasil passou    a contar com um sistema mais integrado e coerente para a indu&ccedil;&atilde;o    da inova&ccedil;&atilde;o nas empresas nacionais: Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005)    e Lei da Inova&ccedil;&atilde;o (Lei nº 10.973/2004)".    <br>   <a name="back12"></a><a href="#top12">12</a> C. A. Pacheco, "Desafios da Inova&ccedil;&atilde;o.    Incentivos &aacute; Inova&ccedil;&atilde;o: O que falta ao Brasil?", op. cit.    <br>   <a name="back13"></a><a href="#top13">13</a> Idem, ibidem.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back14"></a><a href="#t7">14</a> "&#91;...&#93; o Brasil est&aacute;    bem posicionado com rela&ccedil;&atilde;o ao resto do mundo no que tange ao    B-index e &agrave; taxa de subven&ccedil;&atilde;o. O Brasil se situa atr&aacute;s    apenas de Espanha, M&eacute;xico, China e Portugal. Entretanto, quando se trata    da diferen&ccedil;a entre o tratamento tribut&aacute;rio dispensando &agrave;s    pequenas e m&eacute;dias empresas e conferido &agrave;s grandes, apenas dois    pa&iacute;ses - Canad&aacute; e Holanda - parecem apresentar grande distin&ccedil;&atilde;o    em favor das empresas menores. Em contraste, apenas Brasil e Coreia do Sul t&ecirc;m    um tratamento relativamente desfavor&aacute;vel &agrave;s pequenas e m&eacute;dias    empresas no tocante ao B-index, e esta diferen&ccedil;a &eacute; maior no Brasil"    (B. C., Ara&uacute;jo, "Incentivos Fiscais &agrave; Pesquisa e Desenvolvimento    e Custos de Inova&ccedil;&atilde;o no Brasil", in <i>Radar - Tecnologia, Produ&ccedil;&atilde;o    e Com&eacute;rcio Exterior</i>, n. 9, ago./2010, Ipea, Bras&iacute;lia, p. 10.    <br>   <a name="back15"></a><a href="#top15">15</a> A. Pacheco, "Desafios da Inova&ccedil;&atilde;o...",    op. cit.    <br>   <a name="back16"></a><a href="#top16">16</a> Utilizam-se aqui os dados do Brasil    referentes ao ano de 2009, comparativamente aos dados de outros pa&iacute;ses    para o ano de 2005, para poder captar o impacto dos novos instrumentos de apoio    &agrave;s atividades de P&amp;D recentemente criados. Os dados do Brasil para    o ano de 2006 corresponderiam a apenas 0,10% do PIB (0,09% na forma de incentivos    fiscais e 0,01% na forma de subven&ccedil;&atilde;o).    <br>   <a name="back17"></a><a href="#top17">17</a> Pacheco, op. cit.</font></p>      ]]></body>
<REFERENCES></REFERENCES
</article>
